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Varoufakis: Tentei igualmente transmitir ao povo alemão a minha grande ligação à Alemanha.
Die Zeit: Não parece que o tenha conseguido.
Varoufakis: Receio que não. Os media apresentaram-me, desde o início, como o tal maluco que queria ir ao bolso dos alemães. As minhas palavras nunca chegaram ao público alemão.
Die Zeit: Tem pena disso?
Varoufakis: Muita. Foi uma das maiores desilusões do meu tempo como Ministro.
Político sofre…
Nota: a entrevista foi publicada a 30 de Julho de 2015; a tradução e o comentário são de minha autoria.
Die Zeit: Quer dizer que os outros políticos mentem, quando dizem que a Grécia é a principal responsável pela sua própria situação?
Varoufakis: Pode dizê-lo assim. Eu abstenho-me de comentar. Quando entrei na política, jurei a mim mesmo: se começar a pensar como um político, demito-me. Não me dobrarei a pretexto de uma carreira política. Se dizer a verdade significa que sou afastado do governo, ou expulso do partido, ou que tenho de ir para a cadeia, então será assim.
Die Zeit: Você exagera. Além disso, na questão da crise grega, há surpreendentemente muitas verdades.
Varoufakis: Eu também não digo que tenho razão em tudo.
Talvez ele dê cursos sobre a melhor maneira de rodear as questões…
Nota: a entrevista foi publicada a 30 de Julho de 2015; a tradução e o comentário são de minha autoria.
Die Zeit: Como definiria a sua relação com Wolfgang Schäuble?
Varoufakis: Era excelente.
Die Zeit: Não acreditamos.
Varoufakis: No nosso primeiro encontro, no seu escritório em Berlim, a atmosfera estava bastante gelada. Mas, derreteu, passado algum tempo e, mais tarde, Wolfgang e eu tivemos conversas muito agradáveis.
Agora é que estragaste tudo, Yanis! Isso de ser muito tu cá, tu lá com alguém que muitos chamam de nazi será um bico-de-obra, mesmo para as tuas fãs…
Nota: a entrevista foi publicada a 30 de Julho de 2015; a tradução e o comentário são de minha autoria.
Die Zeit: [A propósito do gesto obsceno à Alemanha, surgido num vídeo de 2010] Seja sincero: fê-lo, ou não?
Varoufakis: Já não sei bem, mas não o consigo imaginar. Fazer um gesto desse tipo não corresponde à minha maneira de agir.
Die Zeit: Como é possível que já não se lembre?
Varoufakis: Perguntei a três pessoas que, na altura, estavam comigo. Uma disse que eu mostrei o dedo, as outras acham que não.
Ah, bom! Se são dois contra um…
Nota: a entrevista foi publicada a 30 de Julho de 2015; a tradução e o comentário são de minha autoria.
Die Zeit: E as fotografias na revista francesa “Paris Match”, para as quais posou com a sua mulher como um casal da high-society? Estavam adequadas à situação, ou foi pura vaidade?
Varoufakis: Estava em Paris, na altura, e a minha editora francesa propôs-me duas entrevistas: uma para uma revista de Filosofia e outra para a “Paris Match”. Eu não sabia o que era a “Paris Match”. Por isso, autorizei o texto. A jornalista enviou-mo e achei-o muito bom. Depois, a redação telefonou a dizer que queria tirar algumas fotografias em minha casa. Planeavam três horas para a sessão. A minha mulher ainda disse que não seria boa ideia. Eu não tinha tempo para me ocupar disso. Estive apenas 15 minutos na sessão fotográfica, pois tinha um encontro com o Primeiro-Ministro. Eles tiraram as suas fotografias e eu nem me dei ao trabalho de saber o que se passava. Foi um erro.
Não te justifiques tanto, Yanis! As tuas fãs tudo te perdoam e os outros não acreditam.
Nota: a entrevista foi publicada a 30 de Julho de 2015; a tradução, o destaque e o comentário são de minha autoria.
"Varoufakis demitiu-se", era a surpreendente notícia desta manhã. "Mo More Minister", escreveu no twitter...
A notícia não era: "Depois da vitória no referendo, Tsipras demitiu Varoufakis". E no entanto foi isso que, evidentemente, aconteceu. Depois de surpreender com o anúncio do referendo, Tsipras não perdeu tempo para voltar a surpreender.
Com uma vitória estrondosa no bolso, com redobrada legitimação de poder e sem oposição, Tsipras voltou a mostrar que é um político sagaz, e pouco diferente dos outros, que usam gravata. Porventura mais esperto, e provavelmente mais desconcertante!