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Todo um programa...

por Eduardo Louro, em 12.07.15

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Ontem, na sessão de encerramento do II Congresso das Empresas e das Actividades Económicas, organizado pela CIP, Passos Coelho afirmou "ser uma ilusão pensar-se que a reforma do Estado traz profundas poupanças orçamentais". Porque não pode cortar mais salários: "não vale a pena. A não ser que mudem a Constituição"!

Nesta aparente simples declaração está todo um programa. Em primeiro lugar porque é imperativo fazer a reforma do Estado, porque o Estado e a forma como é administrado é um dos principais factores responsáveis pela baixa produtividade da economia portuguesa, independentemente de igualmente  bloquear muitos aspectos do funcionamento sociedade e um bloqueio do próprio regime. Em segundo lugar porque, como se sabe, a reforma do Estado foi pedra de arremesso no seio da coligação no governo, com Passos a entregar a batata quente a Portas, com este a deixá-la cair atabalhoadamente, sem arte nem engenho, com o tal Relatório de meia dúzia de páginas em letra de tamanho 18.

Se estas duas razões são a evidência da conhecida incapacidade do governo - deste governo, mas também de todos os outros que o antecederam - para fazer a indispensável reforma do Estado, e da própria incapacidade do regime para se reformar, a terceira vai muito mais longe, e mostra de forma inquestionável que Passos Coelho não concebe qualquer reforma sem corte de salários.

Está nesta expressão todo um programa porque, em terceiro lugar, como se acaba de dizer, para este governo, reformar não é fazer reformas nas estruturas, nas regras e nos princípios de funcionamento, na organização e nos métodos. Reformar é cortar... Cortar acima de tudo salários. Mas também  cortar pensões, cortar serviços, cortar na qualidade dos serviços que não possa cortar, cortar nos deveres do Estado e cortar nos direitos dos cidadãos.

 

(Foto:economicofinanceiro.blogspot.com)

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A faixa etária que vai dos 50 anos aos 60 anos, é das que em Portugal é mais afetada pelo desemprego e das que (infelizmente) menos qualificações tem para se puder reempregar.

E com o aumento da esperança média de vida, as pessoas que ainda trabalham, terão de trabalhar ainda mais tempo para puder usufruir da plenitude da sua reforma, e os que já se encontram reformados, sofrerão novo corte nas suas reformas. É uma "dupla machadada" nos planos de muita gente.

 

É caso para dizer: " ao estado que isto chegou...", pois os que nesta faixa etária querem trabalhar por estarem desempregados, não conseguem emprego; os outros  que estão reformados, uma larga maioria inclusivé por não ter condições físicas e/ou psicológicas para trabalhar, vão sofrer a penalização de já se encontrarem na reforma, como se a reforma fosse umas férias que se pudessem prescindir...

 Não esquecendo que quem está reformado, cumpriu com os descontos tributários específicos de quem trabalha, atingiu a idade legal de reforma à época em que se retiraram do mercado laboral, e inclusivé alguns, fizeram parte de planos de  job-killings, muito em voga nos últimos tempos... E agora ainda os vão sacrificar mais?!

 

Quem trabalha, já paga adiantado para se reformar na esperança de algum dia ter algo que lhes possibilite uma reforma honrada ou pelo menos uma velhice descansada, mas por este andar, paga-se mais e não se usufruirá de nada... Será trabalhar até à cova... pois é a única leitura que posso ter destas políticas de ataque aos trabalhadores e reformados.

 

Apre!!! Que este governo nem de férias dá descanso aos portugueses...

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Dois anos... é muito tempo!

por Eduardo Louro, em 05.06.13

No dia em que passam dois anos sobre as eleições que levaram Passos Coelho ao poder, a própria efeméride já era dada a avaliações, a olhar para o que ficou para trás, a olhar para resultados. Maus, como se sabe.

Já não bastava que hoje nos lembrássemos das expectativas criadas com as eleições de 5 de Junho de 2011. E falhadas, todas, umas atrás das outras. Do apoio que este governo chegou a ter, e que foi desbaratando. Dos aliados que foi perdendo, uns atrás dos outros… Está hoje, ao fim de dois anos, isolado, com um único aliado, não menos isolado também ele!

Já não bastava que nos lembrássemos das promessas falhadas – invertidas mesmo - de Passos Coelho. Das reformas sempre adiadas que viriam agarradas à intervenção externa e que ficaram na gaveta. Que, sempre que mexiam com interesses instalados e protegidos, continuaram adiadas. Poderá hoje desconfiar-se se a própria reforma laboral resulta de uma concepção reformista, se de mera muleta ideológica de sustentação da política austeritária e de empobrecimento do país. E no entanto ainda ontem ouvi em Leiria Álvaro Santos Pereira dizer, com o ar mais convencido deste mundo, que este governo implementou nos últimos dois anos o programa de reforma mais ambicioso na Europa desde a era Thatcher.

Como se tudo isso não bastasse, o INE divulga hoje os números do primeiro trimestre. E diz que, num ano, o PIB caiu 4%. Quer dizer, em termos homólogos, comparando o primeiro trimestre deste ano com o do ano passado, esta foi a maior queda no PIB dos últimos quatro anos.

Se não haveria pior maneira de comemorar os dois anos da vitória eleitoral de Passos Coelho, também não havia forma mais irónica de o fazer!

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Le Paradis Portugaise...

por Nuno Raimundo, em 25.05.13

Devido ao incentivo fiscal que Portugal está a oferecer aos estrangeiros que invistam cá no "rectângulo", Portugal está a tornar-se apetecível para os reformados franceses que decidam viver ou passar largas temporadas pelo nosso burgo.

E para os reformados portugueses (de Portugal!), para quando o mesmo tipo de condições?

Serão uns filhos e os outros enteados?!

Fica a reflexão...

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Ausências

por Daniel João Santos, em 14.05.13

Se por um lado critico as ausências de Cavaco Silva, sempre a trabalhar no seu gabinete - coitado-, por outro lado, após ouvir certas coisas, sinto falta dessas ausências.

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Reformas:umas e outras*

por Eduardo Louro, em 11.05.13

No país em que as duas primeiras figuras do Estado são pensionistas, preferem receber a pensão - ou as pensões - de reforma em vez de salário,  onde a segunda figura do Estado se reformou aos 40 anos, há um governo que, nas palavras da insuspeita Manuela Ferreira Leite, persegue e é cruel com os reformados. Como uns reformados!

O governo que corta e tributa pensões de reforma como se não houvesse amanhã, que confisca pensões a quem para elas contribuiu durante uma vida, nem que para isso passe por cima da Constituição, é o mesmo governo que recusou a proposta do FMI para limitar as pensões altas – aquelas que bem se sabe de onde vêm e para onde vão - a um tecto de 5.030 euros mensais. Que pouparia qualquer coisa como 200 milhões de euros. Mas que, mais que isso, pouparia o governo à vergonha que, de todo, não tem!

 

 

* Também aqui

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Submarino e porta-aviões ao fundo

por Daniel João Santos, em 10.05.13

Não sendo Manuel ferreira Leite uma personagem que eu aprecio, não tendo nada em particular contra ela, reconheço que a senhora sabe jogar à batalha naval. Sim, vários tiros certeiros arrasaram com a frota de Passos/Portas:

 

A ex-ministra considera que “há uma falta de respeito sobre os pensionistas” por parte de Passos Coelho. Ferreira Leite fala mesmo em “perseguição”, “fixação” e “crueldade” com os reformados. “Quando há falta de dinheiro vai-se aos pensionistas.”

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