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Ontem, na sessão de encerramento do II Congresso das Empresas e das Actividades Económicas, organizado pela CIP, Passos Coelho afirmou "ser uma ilusão pensar-se que a reforma do Estado traz profundas poupanças orçamentais". Porque não pode cortar mais salários: "não vale a pena. A não ser que mudem a Constituição"!
Nesta aparente simples declaração está todo um programa. Em primeiro lugar porque é imperativo fazer a reforma do Estado, porque o Estado e a forma como é administrado é um dos principais factores responsáveis pela baixa produtividade da economia portuguesa, independentemente de igualmente bloquear muitos aspectos do funcionamento sociedade e um bloqueio do próprio regime. Em segundo lugar porque, como se sabe, a reforma do Estado foi pedra de arremesso no seio da coligação no governo, com Passos a entregar a batata quente a Portas, com este a deixá-la cair atabalhoadamente, sem arte nem engenho, com o tal Relatório de meia dúzia de páginas em letra de tamanho 18.
Se estas duas razões são a evidência da conhecida incapacidade do governo - deste governo, mas também de todos os outros que o antecederam - para fazer a indispensável reforma do Estado, e da própria incapacidade do regime para se reformar, a terceira vai muito mais longe, e mostra de forma inquestionável que Passos Coelho não concebe qualquer reforma sem corte de salários.
Está nesta expressão todo um programa porque, em terceiro lugar, como se acaba de dizer, para este governo, reformar não é fazer reformas nas estruturas, nas regras e nos princípios de funcionamento, na organização e nos métodos. Reformar é cortar... Cortar acima de tudo salários. Mas também cortar pensões, cortar serviços, cortar na qualidade dos serviços que não possa cortar, cortar nos deveres do Estado e cortar nos direitos dos cidadãos.
(Foto:economicofinanceiro.blogspot.com)
Mas foi por isto que esperamos este tempo todo? Foi esta mão cheia de nada que foi tantas vezes anunciada e outras tantas adiada?
Não. Este é apenas mais um episódio da guerra na coligação… Há um ano falava-se de refundação – de repente tudo se refundava, fosse lá isso o que fosse. Havia um corte de 4 mil milhões a fazer e nada como refundar o Estado para resolver o problema… E Passos passou a batata quente para as mãos de Portas.
A tarefa era de monta. E de montra, coisa que ele sempre procura. Só depois percebeu que a bata queimava mesmo, e passou a fugir com o rabo à seringa. Foi fugindo até Passos o encurralar e, bem encostado à parede, saiu-se com isto. Isto a que todos os partidos reagiram menos justamente o PSD!