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Para quem não tinha percebido...

por Eduardo Louro, em 02.07.13

... O governo já caiu. Paulo Portas bateu com a porta e deixou claro que já não há governo. Que o governo caiu, partindo pelo único ponto que Cavaco deixou que partisse.

Agora já não falta só ser Passos Coelho a demitir-se. Teria que ser também Cavaco a fazê-lo, encurralado num imenso buraco de onde já não consegue sair. O buraco onde se meteu. E onde nos meteu!

Ainda ontem aqui escrevia que Pedro Passos Coelho fora teimoso. E que, com Cavaco, "mão na mão, lá seguiam cada vez mais sozinhos"... Premonitório!

Daqui a pouco, em Belém, a tomada de posse de Maria Luís Albuquerque será certamente a mais deprimente de todas as cerimónias de posse...

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Acontecimento da semana

por Eduardo Louro, em 01.07.13

Na semana da greve geral, normal seria que fosse esse o acontecimento da semana. Não foi!

Não foi a greve geral o acontecimento da semana passada. Foi a clara e inequívoca expressão da oposição das associações patronais – todas – à política que o governo prossegue, para sempre a política de Gaspar.

Com esta posição as associações patronais, em véspera de greve geral, diziam ao governo que também estavam desse lado. Diziam ao governo que, definitivamente, não acreditavam nesta governação. Que o recente paleio do crescimento, que – tomem nota - este é o momento do investimento, não passava de conversa fiada de vendedor de banha da cobra. Que o governo em que já ninguém acredita estava completamente sozinho. Como bem ilustrava, logo de seguida e como aqui se deu conta, Ângelo Correia, também ele a dizer que o governo não sabia o que andava a fazer!

Esta não foi a semana da greve geral. Esta foi a semana em que o governo caiu, mesmo que apenas se venha a dar por isso daqui por umas semanas. Porque, ao perceber que já não dispunha de qualquer crédito, Gaspar descobriu que nem ele já acreditava nele próprio. Isso é notório e evidente na carta de demissão que dirigiu ao primeiro-ministro - ao primeiro-ministro com conhecimento a todos nós, bem entendido - quando se refere às suas limitações e responsabilidades no incumprimento do programa de ajustamento. E quando expressa que a repetição desses desvios minou a sua credibilidade e que, credibilidade e confiança, eram contributos que não se encontrava em condições de assegurar.

Vítor Gaspar confessou-se o problema – incluindo no próprio funcionamento do governo, quando refere a forte convicção que a sua saída reforça a sua coesão e a capacidade de liderança de Passos Coelho – quando era ele a única solução. O governo era Vítor Gaspar, e Vítor Gaspar era o governo!

O governo caiu na semana passada, mas só hoje o tornou público naquela carta de demissão de Vítor Gaspar. Só Cavaco não percebeu!

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