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Cabo Horn

por Cristina Torrão, em 16.04.13

Por José Rentes de Carvalho:

 

O Nordeste transmontano é o nosso Cabo Horn. Os montes que o povoam encerram mares de negrume e tragédia que uns ignoram, outros com razão não querem ver, porque o negrume pega-se, vai um passo de nada da paz que se finge à tragédia que nos esmaga.
Aqui e ali ainda há jovens, homens e mulheres na força da vida, mas o grosso do Nordeste transmontano, as gerações dos que têm setenta, oitenta anos, está a morrer da pior das mortes: a do abandono, do medo, do desespero e desilusão.

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O Buraco do Marão

por Cristina Torrão, em 14.11.12


 

O Orçamento do Estado para 2013 não tem verba prevista para acabar o túnel do Marão, parado há mais de 15 meses e onde já foram gastos cerca de 300 milhões de euros.

 

A A4 é um exemplo da má gestão dos dinheiros públicos, em Portugal. Na minha opinião, não se justifica construir uma autoestrada (que está quase pronta) entre Vila Real e a fronteira de Quintanilha, passando por Bragança. O IP4 dava conta do recado, bastava fazer alguns melhoramentos. Por outro lado, o túnel do Marão é mais do que necessário. O trânsito entre Amarante e Vila Real é intenso e formam-se muitas bichas, principalmente, quando se circula no sentido descendente. Há declives de 6% e 7%, o que põe muitos camiões a passo de caracol. Além de perderem a paciência, os condutores dos veículos ligeiros ainda têm de aguentar com o intenso cheiro a travões queimados.

 

Nesse troço do IP4 foram fechadas muitas faixas duplas, por causa das curvas perigosas, no fim das descidas. O que cria uma situação caricata: quem sobe o Marão, tem possibilidade de ultrapassar os veículos lentos; quem o desce, não! E é precisamente nesses casos que os camiões são mais lentos. Teria sido muito melhor investir na construção do túnel do que nos cerca de 140 Km de autoestrada entre Vila Real e Quintanilha.

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A lucidez

por João António, em 07.04.11

Precisa-se de matéria prima para construir um País
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia,
bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão
que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda
sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude
mais apreciada do que formar uma família
baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais
poderão ser vendidos como em outros países, isto é,
pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal
E SE TIRA UM SÓ JORNAL,
DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares
dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,
como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil
para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo,
onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois,
reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que
é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória
política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis
que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média
e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços,
ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada
finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro
e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas,
mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates,
melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem
corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português,
apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim,
o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas,
mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita,
essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui
até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana,
mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates,
é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós,
ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje,
o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima
defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor,
mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a
erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco,
nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei
com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece
a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados,
ou como queiram, seguiremos igualmente condenados,
igualmente estancados... igualmente abusados !
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa
a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento
como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos,
a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses
nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,
francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável,
não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)
que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco,
de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa ?... MEDITE !

 

Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007)
teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos!


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Mais do mesmo

por Zélia Parreira, em 15.02.11

Uma pessoa passa 3 dias fora de casa. São só 3 dias, uma escapadinha, mas o suficiente para respirar outros ares. E depois volta.

 

O Sócrates ainda está sentado no mesmo sítio, e na RTP garantem que ele está muito satisfeito com umas estatísticas quaisquer que foram publicadas, e que provam, no papel, que Portugal está a crescer como nenhum outro país, o que significa que devemos estar todos doidos porque o que sentimos na pele é bem diferente.

 

O Louçã anda a brincar àquele jogo do “Partida, largada, fugida!”.  Era suposto ser um jogo de estafetas, em que todos os membros da equipa participam na prova, dando o melhor de si, mas ele fez batota e arrancou antes do tiro de partida. Agora, já há dois colegas de equipa que estão fartos de reviver “O Triunfo dos Porcos” no dia-a-dia do Bloco de Esquerda e resolveram abandonar a pocilga, perdão, o partido.

 

O Portas também está na mesma. Vai chumbar a moção porque sim, e depois vai apresentar outra porque não. Entretanto, já se adiantou na tomada de posição, o que me faz lembrar vagamente a atitude do Louçã. Afinal, os extremos tocam-se mesmo.

 

A velhota que morreu abandonada num prédio em Sintra afinal tinha 5 sobrinhos. Mas agora, a pobre já é designada por senhora idosa (afinal, tratava-se de uma pessoa que tinha família, não era uma pobre de Cristo abandonada à sua sorte!) e os sobrinhos passaram a chamar-se herdeiros.

 

23 dias depois das eleições presidenciais, ficámos a saber que os resultados divulgados tinham algumas "incorrecções" e "erros", que originaram uma "discrepância" de mais de 60 mil votos relativamente aos números contabilizados nas urnas. Entretanto, Pedro Silva Pereira veio a público desvendar o que correu mal com o cartão de cidadão: Não há indicação do número de eleitor no cartão, e as pessoas não foram informadas do respectivo número, atribuído automaticamente pelos serviços. Caramba, como é que ninguém tinha descoberto uma coisa destas? Só um visionário poderia ser tão perspicaz.

 

Os “Xicos espertos” estão cada vez mais gananciosos e desprezíveis, os mentirosos têm cada vez mais descaramento, os notáveis são cada vez mais intocáveis. Brandos costumes, um país anestesiado, à deriva. Triste.

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Arde Portugal, Arde...

por Renato Seara, em 27.07.10

Todos os anos a história repete-se, basta uma onda de calor para que, os eucaliptos, os carvalhos, os pinheiros e demais árvores, decidam atear fogo a elas próprias. Essa tem sido uma das conclusões possíveis de se retirar à luz da ausência de condenados, pela prática deste tipo de actividade criminosa. A outra conclusão é que as nossas autoridades judiciais gostam de nos dar tanga. E de vez em quando, lá prendem um doente mental, o pirómano lá do sitio, que sem motivações secundárias decidiu por conta própria atear fogo a zonas de elevado interesse urbanístico.

 

Enquanto escrevo estas linhas, o Minho e em particular a minha freguesia, estão a ser varridos por uma vaga de incêndios. O verde dará lugar ao castanho e ao preto das cinzas. O ar esse torna-se bem menos agradável de ser inspirado. Dou conta, que o suposto excesso de meios de combate a incêndios recentemente noticiado, não se faz notar por aqui. Não há sinal sequer de um helicóptero de ajuda, nem mesmo agora que a freguesia se encontra envolta numa gigantesca nuvem de fumo.

 

Entretanto, abro os jornais do dia e constato que outras localidades do país, sofrem também com o problema da falta de meios de combate aos incêndios. Afinal por onde andam os helicópteros e aviões pagos a peso de ouro pelo Estado? Estranho o silêncio do maçónico Rui Pereira. Percebo que o Estado opte, para já, por ter em terra alguns meios de combate a incêndios, já que afinal de contas, este é um grande negócio sazonal, que enriquece muitos dos que daqui a meia dúzia de meses pagarão as campanhas partidárias.

 

E o Exército esse anda por onde? a fazer o quê? Não deveriam os militares estar já no terreno, abrindo caminho e criando corta-fogos?

 

Porque não, colocar os beneficiários do RSI, a limpar matas durante o ano (15 horas por semana por exemplo)? Afinal de contas entre, uma tarde passada a jogar snooker, a beber cerveja e a fumar cigarro atrás de cigarro, e uma tarde passada em comunhão com a natureza, limpando a mesma, seria não só, mais proveitoso para o Estado, como também para as próprias pessoas acomodadas a uma vida na esplanada lá do "tasco". Haja coragem para colocar esta gente a fazer trabalho comunitário. Ganharíamos todos com isso.

 

Mas, essencial e fundamental será, agravar as punições aos responsáveis por tais hediondos actos. Porque, enquanto se continuar a punir, com umas "mini-férias" em Custóias, o doente mental lá do sitio, ao invés de se punir os verdadeiros cabecilhas deste rentável negócio, nada mudará. Haja coragem e seriedade para mudar a actual situação.

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