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Estado da Palestina.

por Renato Seara, em 28.09.11

É raro, muito raro ver um cronista português falar sobre um assunto tão sensível, como o é o conflito que há décadas opõe israelitas a palestinianos, suficientemente distanciado dos dois lados da barricada. O Henrique Raposo, a quem reconheço (embora raramente partilhe das suas ideias) boa capacidade argumentativa, espalha-se normalmente ao comprido, sempre que aborda este assunto.


Para o Henrique, a culpa é sempre do árabe. Ponto final. Os israelitas massacram civis em Gaza, logo a culpa é dos árabes, que pediram para ser massacrados. Ah esperem! Afinal lançavam rockets para território israelita, em resposta a um total bloqueio imposto pelos israelitas à faixa de Gaza, que levou a uma grave crise humanitária. Mas, claro, a culpa continua a ser da exclusiva responsabilidade dos palestinianos. 


Para o Henrique, os do Hamas são terroristas (e ninguém no seu perfeito juízo pode afirmar o contrário). Já a Mossad, é para o Henrique e para grande parte do Mundo Ocidental, uma espécie de grupo de escuteiros (usando uma expressão do Henrique), cujos duvidosos métodos de actuação (tortura, desrespeito pela soberania alheia, etc), justificam-se à luz da defesa do Estado israelita (!?). Yitzhak Rabin, por exemplo, na óptica do Henrique, terá sido assassinado por um perigoso extremista árabe, certo?  


O problema dos nossos cronistas é pois esta ambiguidade e o preconceito que os move contra o Mundo Árabe. Desinformação? Também. Raras são as vezes que li, ou ouvi, alguém falar do caos provocado nos países vizinhos, pela criação do Estado judaico, devido à pressão demográfica exercida em consequência da onda de refugiados palestiniana que se gerou nos anos seguintes. Os Palestinianos deveriam supostamente agradecer aos Judeus, por estes os expulsarem das terras onde sempre tiveram as suas raízes? Os países vizinhos, como Síria e Líbano, devem aceitar alegremente a concretização do sonho sionista (criação da Grande Israel) que implica a perda de soberania sobre uma vasta área territorial? Devem estes países, por imposição da ONU, continuar a ser responsáveis pelas centenas de milhares de palestinianos que aí se encontram ainda hoje refugiados? 


O reconhecimento por parte da ONU do Estado da Palestina, mais do que um dever, é uma obrigação. É o passo mais importante rumo à pacificação de todo um Médio Oriente, certamente cansado de tantos conflitos e da miséria que daí advém. Os israelitas têm todo o direito ao seu território soberano, mas os palestinianos também, sendo esse um pequeno detalhe que continua a escapar aos radares do Raposo e de outros como ele.

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Será possivél ?!

por João António, em 15.09.11

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Soco no estômago.

por Renato Seara, em 07.07.11

Há mais de um ano atrás escrevi isto. Esta semana, depois de um "soco no estômago", fez-se luz em Portugal. Por cá, finalmente tomou-se consciência, de que os cortes de rating decididos pelas agências norte-americanas, há muito que deixaram de obedecer a critérios lógicos relacionados com boas ou más práticas governativas. Estas agências de rating, são a face visível de um capitalismo selvagem que não olha a meios para atingir o seu fim: a extinção do Euro.



Os cortes são decididos, por agências de um país com 14 300 mil milhões de dólares de divida pública! Sim, 14 300 mil milhões de dólares. Cada norte americano nasce endividado em cerca de 140 mil dólares, enquanto que cada português nasce com uma divida de 25 mil euros (talvez menos)! Os EUA, têm no entanto uma classificação de AAA, ao passo que nós "somos lixo". Fará isto sentido? Claro que não faz! 


Como sentido nenhum faz, a parca reacção de uma velha Europa, liderada por dois narcisistas estúpidos e anti-europeístas (Merkel e Sarkozy). Uma velha Europa, que ao invés de se desenvencilhar do capitalismo selvagem e do liberalismo politico-económico, optou erradamente por ele.

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Nato

por João António, em 18.11.10

O Daniel aqui quer saber para que serve a NATO. Talvez aqui esteja uma primeira ideia para que serve efectivamente !

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Assim se vê, a falta de vergonha do pê cê...

por Renato Seara, em 15.10.10

O Partido Comunista Português, sempre nos habituou, sobretudo no que a Politica Internacional diz respeito, a posições um pouco ortodoxas. Todos se recordam da inesquecível, "diarreia mental" de Bernardino Soares, salvo erro actual líder parlamentar da bancada comunista no parlamento nacional, quando afirmou peremptoriamente, que duvidava que na Coreia do Norte não existisse uma democracia. Essas "diarreias mentais", não são, infelizmente para a credibilidade do próprio partido, pontuais, elas são frequentes e acontecem sempre que a comunidade ou organismos internacionais, ousem criticar as violações graves e os atropelos aos direitos humanos cometidos diariamente, em alguns, felizmente poucos, felizmente cada vez menos, regimes comunistas.

Os comunistas a meu ver, deveriam, ter o mesmo enquadramento, que os radicais de direita. No entanto não têm. Isso a meu ver deve-se ao monumental erro, que foi, a não existência de um "Julgamento de Nuremberga", para os crimes cometidos pelos regimes comunistas um pouco por todo Mundo. Estaline, Mao, Khmers Vermelhos, etc, a meu ver, não foram melhores, nem piores, foram simplesmente iguais a Adolf Hitler. Os seus regimes, sobretudo, o de Mao na China e o de Estaline na URSS, foram ainda mais mortíferos que a própria Alemanha Nazi. No entanto a não existência de um "Julgamento de Nuremberga", permitiu que na maioria dos países Ocidentais, a monstruosidade dos regimes comunistas, seja ainda hoje, de certa forma, ignorada e desprezada.


Faz-me confusão e recuso-me a compreender a posição do PCP, relativamente à entrega do Nobel da Paz de 2010. O PCP, ainda hoje reclama para si grande parte dos louros, pela abolição do Estado Novo. Vangloria-se pela luta contra a censura, contra as castrações de liberdades, contra os presos políticos, a imagem de marca do Estado Novo. Mas, hipocritamente, coloca-se contra a atribuição de um Nobel, a um preso politico chinês. Criticavam a censura, mas não criticam o facto de a atribuição do prémio a Liu Xiaobo, ter sido alvo de censura, pelo criminoso regime chinês. São hipócritas e desonestos intelectualmente, mas isso, já se sabia, só me espanto mesmo é com a dimensão dessa desonestidade intelectual.


Liu Xiaobo, não roubou, não matou, não esfolou, é apenas um dos rostos mais visíveis, de um movimento que pede reformas, que tornem a República "Comunista" da China, um país mais justo, mais democrático e acima de tudo mais humano. Um país que não respeita os seus, não pode nunca ser respeitado pela Comunidade Internacional. Já o defendi por mais de que uma vez, não faz qualquer sentido a China fazer parte da Organização Mundial do Comércio, uma vez que pratica concorrência desleal. Portugal e os empresários do sector dos têxteis e calçado que o digam.


Qual a moral, mas acima de tudo, o que faz o PCP no parlamento nacional, símbolo maior da democracia, se o mesmo é contra a democratização na China? Nada. A sua presença e os seus resultados eleitorais ajudam apenas a explicar parte do atraso do país. O PCP é a imagem de um país demasiado atrasado, no qual os interesses corporativistas ainda têm demasiada relevância. É um partido hipócrita, de gente hipócrita, que teve a sua oportunidade no pós 25 Abril e que em meia dúzia de meses arruinou o país. É esta a alternativa aos Sócrates e aos Coelhos, que Jerónimo tanto proclama? Um partido decadente, imoral e hipócrita? Diz-nos a história que é preferível deixar esta gente bem longe do poder. Por mim, vão continuar bem distantes.

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