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ESPONDILOSE DA BLOGA

por joshua, em 23.10.10

Cultivo há muitos anos, sem a cultuar, uma crítica sistemática a um sistema de mentir e esbulhar que se incrustou no Regime, absorvendo-o, e que conflui perigosamente com um partido político tão evidentemente como o tifo é unha e carne com a ratazana, rickettsia mooseri. Com isso, fui coleccionando notórias invejas, mesquinha indiferença (a falta de uma palavra de apaixonada agressão ou de solidário estímulo não passa muitas e muitas vezes de puro assassinato e demissão de espíritos a roçar o egoísmo mais indigente). Coleccionei também e, sim, isso cultuo, a amizade de muitos leitores. Graças a Deus por eles. Tudo o que sou e tudo o que sinto segue em frente. Sim, sigo cheio de seiva, energia de apóstolo, por entre pedregulhos, fragas cortantes e penedos, sob o persistente e ostensivo desprezo da bloga oficialista, empresarial, indiscutível, tipo Blasfémias, 31 da Armada e outros lordes definitivos da especialidade opinativa aparentemente mais popular. Dir-se-ia que a Merda, isto é, o seu pedantismo exclusivista, abençoa a Outra-Merda, isto é, a maldade da maligna actuação política dos nossos dias, mesmo quando aparentemente a expõe e aparentemente a denuncia com propriedade e acutilância. Isto pelo simples facto de que, desprezando a pluraldade das vozes, essa bloga "única" e "indiscutível" na verdade se demite de federar vontades, congraçar esforços, unir na lucidez e na paixão por Portugal. Vivo perfeitamente com isso. Temo é que o País não vá a lado nenhum sem pluralismo, sem abertura, no exercício imprevisível da diversidade que comenta e se interessa. É a espondilose da bloga betinha em todo o seu esplendor hepático, baço, opaco: ela despreza um tom, uma leitura e uma linguagem que não são os seus. E faz mal. Sou o que sou, aquele que sou e sei que resistirei. Duvido que resistam!

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