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O primeiro-ministro resolveu assinalar os dois anos da sua vitória eleitoral com uma série de patetices. Dir-se-ia que dois anos destes não poderiam ser assinalados se não com patetices, mas não era preciso tanto.
Na Amadora, numa reunião partidária e de apresentação de uma candidatura autárquica da coligação no governo, Passos Coelho apresentou-se e falou como primeiro-ministro. Num discurso patético disse não ter medo de eleições nem dos portugueses, ele que não aparece em sítio nenhum senão protegido por um exército de seguranças. Falou de transformação nacional – e essa percebemo-la todos os dias – e de transformação local. Que as eleições são distintas, mas também interligadas, porque não há compartimentos estanques na política.
Disparates, coisas sem nexo. Patetices, mas nenhuma com a dimensão da que faria – que não fez - capa de jornal: "Hoje Portugal e os portugueses são vistos como gente trabalhadora, cumpridora e honrada".
Choca que nos diga que não éramos cumpridores nem honrados, mas uma cambada de calões e preguiçosos. Choca a arrogância de tal transformação, da parte de quem destruiu o pouco que ainda havia para destruir. Choca que, depois de condenados à pobreza e à miséria, tenhamos passado a ser gente séria e cumpridora. Choca que, depois de destruído o trabalho de centenas de milhares de portugueses, lhes passe a chamar gente trabalhadora.
Mas choca muito mais a intolerável ideia de regeneração pela pobreza. A honra na pobreza, pobrezinhos mas honrados. A ideia que estes dois anos mais não são que a penitência a que fomos condenados por todos os pecados cometidos. O castigo implacável, mas merecido, de quem nunca quis trabalhar, sempre foi rebelde e incumpridor, desonesto e desonrado, de quem sempre viveu acima das possibilidades. A ideia que o governo impôs aos portugueses estes dois anos de privação para remissão de todos estes pecados. Que Passos, o bom pastor, em apenas dois anos nos redimiu. Libertou-nos. Regenerou em apenas dois anos um povo e uma nação com quase nove séculos de História!
Mais do que patético, isto é loucura!
O Daniel, criou uma expressão que, eu em particular, aprecio muito, a isaltinação da Justiça. O leitor Ricardo Moreno insurgiu-se contra a mesma, vá-se lá saber porquê, ou melhor, não querendo chamar um nome feio, digo apenas, por pura patetice.
O Manuel, ousou falar no calamitoso estado da Justiça nacional, e na pouca vergonha que é, os arguidos fazerem pouco das decisões do tribunal à saída do mesmo. Recordou as tristes figuras de Fátima Felgueiras e de Isaltino Morais após a leitura das respectivas sentenças. O leitor Jorge Manuel de Gaillard Nogueira, insurgiu-se contra o teor do post, por entender que o mesmo é difamatório. Segundo ele, "a senhora em causa foi condenada" por ter usado 117 euros!!!".
Vá, "a senhora em causa foi "condenada" por ter usado 117 euros!!!", ó pá, desculpa ou desculpe lá, dependendo da idade do senhor, mas siga uma carreira ligada à escrita criativa que eu há muito que não me ria tanto. Eu hoje acompanho-o na patetice e vou acreditar efectivamente que vivo no mesmo país que o senhor, o país menos corrupto da Europa. O país onde não existem, sacos azuis, fugas para o Brasil, financiamento ilegal de campanhas eleitorais... Já agora onde fica efectivamente esse país? Deve ser o mesmo da Alice e do coelho branco, não?