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Com tanta falta de ar, temos que mudar de ares rapidamente ! Ainda corremos o risco das botijas de oxigénio esgotarem ! Ele é a falta de ar na Madeira, no continente agora chegou também aos Açores. Temos urgentemente de trazer médicos de outras paragens sob pena de ficarmos todos asfixiados !
Até admito, Carlos, que a hipérbole lhe fique mal, à MFL, e a descaracterize, mas em abono da verdade e pessoalmente considero que há um fundamento político e programático no agravamento da criminalidade: a fragilização económica e laboral do esteio social que representa a classe média, a queda massiva na miséria e na fome de imensas famílias até agora com um nível de vida satisfatório, tudo isso dá conta, por estimativa e aproximação, de um silencioso problema de violência emergente, revidatória, porventura anárquica no plano mais humilde: assaltos massivos e sistemáticos a gasolineiras, supermercados e ouriverarias com assassínios, sequestros, torturas, isto quer dizer o quê e vem de onde?! Por que motivo nos soa a estranho, a alheio, a impróprio da nossa cultura?! Como me habituei a ver negligência e displicência social da parte do socratismo, inacção e desmobilização de contributos e ideias para atacar o problema dos excluídos, penso o pior. Como me habituei a ver um governo com um discurso de fantasia em lugar da realidade, penso o pior. E como o pior da economia é a face da violência urbana, da agressividade competitiva vexatória da dignidade indescartável das pessoas, da gula dos interesses e negócios particulares, da dualidade de critérios entre quem tem e quem não tem, penso o pior. O pior é que Manuela Ferreira Leite tenha razão: as políticas têm rosto, as fantasias também e um PM que absorve todos os ministérios e toda a governação condensando-os em si mesmo é claramente o rosto do que corre mal. Ou acha o Carlos que só pode ser o rosto do que corra bem, talvez umas negociatas angolanas e umas embaixadas venezuelanas?! Em suma, depois do debate sobre o 'défice do carácter', que Lello inaugurou, conviria recordar o último texto de António Barreto sobre Honestidade e valores, onde o retrato do tempo português está feito e bem feito: em face do timbre politicamente trucidatório e absolutista do PM e perante a cultura de conveniência e mordaça sob a chantagem dos negócios que se fazem ou não se fazem, se calhar a crítica que urge não é a das alternativas, mas do tom geral das políticas, não é a das alternativas, mas do mau carácter das políticas, dos seus agentes, das suas prioridades, das suas mentiras.