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Ainda há boas surpresas

por Cristina Torrão, em 17.05.15

Diz aqui o meu colega de blogue, Eduardo Louro: «tanta coisa estranha». É verdade! Estranha e desagradável. Por outro lado, também há coisas que nos surpreendem pela positiva. O que eu vou contar pode parecer insignificante, mas pôs-me feliz e facilitou-me a vida. E, afinal, são os pormenores que contam.

2015-05-12 Bragança - Na escola Abade de Baçal 0

Estive, no passado dia 12, na biblioteca do Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, em Bragança, para falar dos meus livros e da História de Portugal. Já aqui dei conta de quão bem os responsáveis me receberam e de como os alunos reavivaram a minha fé na juventude. Mas houve um episódio de bastidores que não resisto, agora, a mencionar.

Ao contactar, por telefone, com o professor bibliotecário António da Palma Ferreira, perguntei-lhe se havia lugar para estacionar o carro, perto da Escola Secundária. Disse-me que sim, que havia um grande espaço, onde, por vezes, se realiza uma feira, o mesmo local onde ele e os outros professores estacionam. Perguntei-lhe se havia lugares à sombra, ele disse-me que não. Nesse dia, estava previsto haver muito calor (como aconteceu), mas eu não podia deixar o carro ao sol pelo seguinte motivo: o meu marido e eu íamos passar quase todo o dia em Bragança, pois tínhamos outros assuntos a tratar, e tínhamos de levar a nossa cadela Lucy. Ela fica sozinha umas horas, em casa, mas não um dia inteiro, ainda por cima, num apartamento. Os meus pais têm um jardim, mas não estavam em Macedo de Cavaleiros, encontravam-se em V. N. de Gaia, já que a minha mãe tinha várias consultas de vigilância no IPO do Porto.

Hesitei muito, ao telefone, mas acabei por contar a minha preocupação. Em vez de me achar ridícula, o Dr. António da Palma Ferreira levou o meu problema muito a sério e disse que, normalmente, não são admitidos carros dentro do recinto da escola, mas que fariam uma exceção, pois, lá, arranjavam-se lugares à sombra.

Assim aconteceu! São coisas que se apreciam e não se esquecem. Durante a sessão, o meu marido até teve oportunidade de ir ver se estava tudo bem com a cadela e de dar um pequeno passeio com ela no recinto da escola.

Poder-me-ão dizer que há coisas bem mais importantes. Há! Mas deixar um animal num carro ao sol, durante várias horas, provocando-lhe grande sofrimento, ou mesmo uma morte horrível, é algo que a minha humanidade não concebe.

Por tudo isto, torno a agradecer a simpatia e a gentileza de todos os responsáveis envolvidos neste evento!

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Harmonia

por Cristina Torrão, em 08.01.14

 

Uma das boas surpresas, na nossa viagem a Föhr, uma ilha no Mar do Norte, perto da fronteira entre a Alemanha e a Dinamarca, aconteceu logo no ferry-boat. Constatámos que não éramos os únicos a querer poupar o nosso animal de estimação ao stress da orgia pirotécnica de fim de ano. O ferry estava cheio de pessoas com os seus cães.

 

O tempo estava agreste. Apesar das temperaturas positivas (entre os 5 e os 8 graus) soprava um vento fortíssimo e gélido, que metia qualquer nortada portuguesa num bolso. Além disso, iniciámos a travessia pelas 16h 30m, ou seja, já escurecera. Não eram condições convidativas a uma permanência ao ar livre. Nos carros, também não era confortável, com os motores desligados, logo arrefeciam. Por isso, os passageiros encaminharam-se para o bar-restaurante do ferry, que, além de ser abrigado do vento, estava aquecido, claro.

 

Levámos a nossa Lucy connosco, não a queríamos deixar sozinha no carro frio. E foi quando deparei com algo que, admito, me comoveu: toda a gente assim agiu! Fossem pessoas sozinhas, ou famílias completas, com crianças de todas as idades (desde bebés a adolescentes), todos levavam os seus cães pela trela.

 

Centenas de pessoas sentaram-se no confortável bar-restaurante, iniciaram-se conversas com vizinhos de mesa que não conhecíamos. E os cães ao lado. Cães bonitos, bem tratados, sem qualquer tipo de cheiro, de pelo a luzir e olhos meigos, brilhantes, felizes. Alguns aproveitavam para igualmente travar conhecimento com os seus semelhantes, outros deitavam-se no chão, muito pachorrentos. Se se revelavam inquietos, com algum balançar do ferry, logo uma mão humana, fosse de adulto ou de criança, se apressava a afagá-los. Porque a mão daqueles em quem o cão confia funciona como um calmante.

 

Cães pacíficos, sociabilizados. Não lhes fazia qualquer tipo de impressão encontrarem-se num espaço fechado, junto com uma multidão de desconhecidos e outros cães. Sabiam perfeitamente como se deviam comportar. Alguns donos até largaram a trela, depois de os cães se terem deitado, ao lado ou por baixo das suas cadeiras. Senti-me muito bem, naquela harmonia entre humanos e caninos. É difícil exprimir em palavras a paz que se sente, num situação dessas. Muita gente se escandaliza, quando se fala em considerar cães e gatos como membros da família. Mas só assim se consegue a integração perfeita, capaz de gerar momentos como aquele.

 

A nossa Lucy também não nos deixou mal e logo estabeleceu amizade com a cadela da senhora com quem conversámos ;-)

 

Não tenho fotografias da travessia, mas bastantes dessas férias e hei de publicar aqui algumas.

 

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Os alemães e os foguetes

por Cristina Torrão, em 06.01.14

 

Os alemães são vistos como um povo ordeiro e disciplinado, mas não há regra sem exceção. O exemplo mais flagrante é o de Mallorca, local de férias para milhões de alemães. A própria comunidade alemã, nesta ilha espanhola, é enorme e organizam-se festas e orgias, em que se embebedam até à inconsciência. Outra exceção é a noite de Ano Novo, em que o alemão mais pacato se transforma num verdadeiro piromaníaco!

 

Enfim, sejamos coerentes: um bom fogo de artifício pertence a um reveillon que se preze. Mas o que se passa na Alemanha, nessa noite, supera todas as expectativas. Gastam-se cerca de cento e cinquenta milhões de euros (repito: cento e cinquenta milhões!) em foguetes, rojões e quejandos. Note-se que o lançamento de fogo de artifício não se encontra nas mãos das autarquias ou de empresas que organizam reveillons. Qualquer cidadão é autorizado a adquirir material pirotécnico, em qualquer supermercado.

 

Estabelece-se um dia para o início da venda, este ano foi no sábado, 28 de dezembro. Não será necessário dizer que a maior parte das pessoas se sentem incapazes de esperar pela meia-noite do dia 31. Durante três ou quatro dias, as explosões, os petardos e o assobio dos foguetes passam a fazer parte do quotidiano e sair à rua pode tornar-se num sobressalto. Os estrondos vão aumentando de intensidade, até culminarem numa verdadeira orgia, na noite de passagem de ano. E, a 1 de janeiro, as ruas das cidades e das localidades alemãs têm o aspeto da imagem seguinte:

 

 

Enfim, cada um tem o direito de se divertir como quiser. Mas toda esta euforia tem o seu preço. E não estou apenas a falar dos milhões de euros que chegariam para deixar os reformados e pensionistas portugueses em paz. Verificam-se sempre acidentes e incêndios, por vezes, até mortes. Por isso, muita gente é contra este hábito e há proibições, como não se poder usar o fogo de artifício em certos locais. Mas não são respeitadas. Além de não haver pessoal suficiente na Polícia para vigiar todas as infrações, há muita tolerância (a tal conversa das tradições).

 

Embora o meu marido e eu nos recusemos a gastar um cêntimo que seja neste tipo de material, o barulho não nos incomoda. O mesmo já não se pode dizer da nossa cadela. Cães e gatos, em geral, entram em verdadeiro stress, que vai do ligeiro medo ao pânico total. Também outros animais, inclusive nos zoos, têm problemas. Li, por exemplo, sobre espécies de pássaros tropicais, no zoo de Hamburgo, que são metidos em salas à prova de som, pois entram num pânico tal, que chegam a morrer de ataque cardíaco. Para outros, acendem-se todas as luzes e holofotes do zoo, a fim de que não se assustem com os clarões dos foguetes.

 

No início, a Lucy ficava mais ou menos calma, mas tem vindo a piorar com a idade. E nós assustamo-nos, quando a vemos a tremer e a arfar horas e horas seguidas, sem comer, nem sequer fazer as necessidades (passa um dia inteiro assim). Como completou dez anos no Outono (o que, para um cão, já começa a ser uma idade respeitável), resolvemos, este ano, poupá-la ao stress. Foi essa a razão que nos levou à ilha Föhr, já que se dizia que nas ilhas do Mar do Norte há apenas uma sessão de fogo de artifício, oficial, na maior localidade, à meia-noite.

 

Constatámos que não é bem assim. Mas foi, de qualquer maneira, muito mais sossegado do que no continente. Conto mais pormenores num próximo post.

 

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Feliz Natal!

por Cristina Torrão, em 23.12.13

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Histórias de Animais (33)

por Cristina Torrão, em 11.10.13

Cães experienciam emoções como os humanos.

 

Nós, que convivemos com eles, já o sabíamos. Mas, agora, começa a ser oficial. Provado cientificamente. E deixa de haver desculpas...

 

"Muitas das coisas que ativam o núcleo caudado humano e que estão associadas a emoções positivas também ativam esta região cerebral nos cães. De acordo com os neurocientistas, este fenómeno tem o nome de homologia funcional e pode ser uma indicação da existência de emoções caninas", realça Berns.

 

 

"Os cães e, provavelmente, muitos outros animais (em especial os nossos 'familiares' primatas') parecem ter emoções tal como nós, o que significa que temos de reconsiderar o tratamento que lhes é dado", conclui Berns.

 

Imagem dos Amigos da Ganika

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Histórias de Animais (32)

por Cristina Torrão, em 12.09.13

Lido por aí: «A vida de um humano, por mais desprezível que este seja, é sempre mais valiosa do que a de qualquer animal».*

 

1. Caso humano

 

Uma menina do Iémen, com oito anos de idade, morreu devido a lesões sexuais graves, sofridas durante a “noite de núpcias”, depois de ter casado com um homem de 40 anos. O crime deu-se num quarto de hotel e causou ruptura nos órgãos genitais e do útero da criança. Segundo ativistas dos Direitos Humanos, o padrasto da menina tê-la-á vendido por cerca de 2000 euros.

Mesmo tendo em conta que no Iémen há famílias tão pobres que vendem as filhas que não podem alimentar e o contexto cultural de um homem que se sente no direito de comprar uma noiva, tentemos imaginar o que se passou nesse quarto de hotel. Com certeza houve gritos desesperados de uma criança, aos quais ninguém atendeu. Com certeza houve sofrimento e dores que nenhum de nós é capaz de avaliar. Com certeza houve sangue a jorros.

A fera que se lançou para cima da criança não desistiu (se o tivesse feito, talvez lhe tivesse salvo a vida). Quem sabe, a besta até terá ficado aliviada, quando a criança, ao morrer, deixou de gritar.

Quanto tempo terá durado o sofrimento desta menina? As notícias consultadas (uma, em português, outra, em alemão) não se referem a isso.

 

2. Caso animal

(Fotografias e texto recebidos por email)

 

 

Alida Knobloc uma menina de 3 anos de idade, de Loganville, Georgia (EUA), sofre de uma doença pulmonar rara chamada hiperplasia neuro endócrina que faz com que seja difícil respirar por conta própria. Alida precisa, em todos os momentos, de um tanque de oxigénio ao seu lado, mas é tão pesado que não pode levá-lo. Para fazer isso, Alida recebeu a ajuda de um “salva-vidas de quatro patas”, como os seus pais descrevem.

Mr. Gibbs (deram-lhe o nome de uma pessoa, ó sacrilégio) é um cão salva-vidas, um jovem goldendoodle, que a ajuda a viver dia a dia, porque transporta nas suas costas tanques de oxigénio que Alida precisa. O cão foi treinado para acompanhar a menina a todos os lugares a que ela vai, mesmo andar de bicicleta ou de patins.

 

 

* Generalizações, apregoadas como verdades universais, têm o seu quê de traiçoeiras...

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Histórias de Animais (31)

por Cristina Torrão, em 07.09.13

 

Se os animais têm sentimentos? Claro. A única forma de comunicar com eles é usando o coração.

 

Imagem via Vespinha

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Histórias de Animais (29)

por Cristina Torrão, em 23.08.13

 

A qualidade da fotografia deixa muito a desejar. É natural, pois não foi tirada por um profissional, mas por Michael Middleton, o sogro do príncipe William. O jovem casal quis assim, nada de artificialismos e retoques, tudo muito natural, como costuma acontecer numa reunião de família. E não tiveram problemas com a proximidade do bebé com os seus cães. Parece que Lupo, o coker spaniel, pertence ao jovem casal e Tilly, o golden retriever, todo pachorrento lá atrás, é o cão da família Middleton.

 

É conhecida a paixão de Isabel II pelos seus welsh corgis, que começou na infância. Os cães passeiam-se pelos palácios que habita, inclusive, Buckingham. E estão presentes nalgumas audiências e receções. Eu vi, na televisão alemã, uma equipa de futebol inglesa, na altura, com um guarda-redes alemão (Lehmann) a ser recebida pela rainha. Lá vinham os corgis (penso que oito) no encalço da soberana, espalhando-se pela sala e examinando, com a maior descontração, o calçado dos jogadores. Estes olhavam-nos entre o divertido e o incomodado.

 

Escusado será dizer que Isabel II agiu com a maior naturalidade, como se fosse habitual ver cães em situações daquelas. Os corgis e restantes cães são considerados membros da família e o príncipe William foi criado nesse ambiente. É natural que siga a tradição com o próprio filho. Há quem fique chocado, perante tal, quem proteste. Não sabem nem sonham que só assim se criam verdadeiros cães familiares, só desse modo as coisas funcionam com harmonia e se evitam tragédias.

 

Não se trata de pôr os animais ao nível das pessoas. Trata-se de zelar pela vida e pelo conforto das pessoas. Porque é mesmo assim: acarinhando os animais, fazem-se pessoas mais felizes!

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Histórias de Animais (28)

por Cristina Torrão, em 15.07.13

No Quénia, um cão ajuda dois irmãos que foram abandonados pela mãe. Óscar acompanha as crianças, de 6 e 7 anos, à escola e espera por eles para o regresso a casa.

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Histórias de Animais (27)

por Cristina Torrão, em 13.07.13

Dezenas de pessoas foram pisadas por touros da corrida de São Firmino, em Pamplona, Espanha, este sábado. Estavam a ser perseguidas pelos animais quando ficaram presas na entrada da praça de touros.
De acordo com as autoridades, 23 pessoas ficaram feridas entre elas um jovem espanhol de 19 anos que está em estado grave, de acordo com o serviço de urgência do Hospital de Navarra.

 

E a culpa, claro, é dos touros, essas feras estúpidas, sem sentimentos. Abatam-nos, já!

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