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Um jornalista (?) questionou ontem Paulo Bento, em Estocolmo, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo de hoje, sobre o estado de saúde de Pinto da Costa. Não sei quem é o jornalista - já só apanhei a resposta do seleccionador nacional - mas seja lá quem for, de jornalista terá certamente muito pouco. Nada que nos surpreenda no panorama da imprensa desportiva do país, onde vemos de tudo menos qualquer coisa a que se possa chamar jornalismo.
Por muito que o estado de saúde de Pinto da Costa o possa preocupar, a preocupação do tal jornalista naquele momento não era essa. Era simplesmente - ali, na véspera do mais decisivo dos jogos da selecção nacional, onde o tema não poderia ser outro que a selecção - introduzir um objecto cortante com grande capacidade de fazer sangue…
Se a sua preocupação fosse com o estado de saúde de Pinto da Costa não era aquele o local adequado para disso indagar. Era o hospital. Ou a estrutura de comunicação da SAD portista. Mas, acima de tudo, não poderia ter Paulo Bento como destinatário da pergunta!
É infelizmente com gente desta que se faz jornalismo desportivo em Portugal. Gente que não sabe nem o que é ética nem o que é vergonha, mas que sabe que tem a protecção que lhe garante a impunidade!
Não honram, antes conspurcam, a memória dos grandes jornalistas do passado. É por isso que, tendo aprendido a ler - e a escrever - com esses grandes monstros do passado, há muito que deixei de ler jornais desportivos.
Não faz parte do código deontológico de um jornalista, ser alguém isento no desempenho da sua profissão e apenas prestar as informações que sejam interessantes ou importantes para os cidadãos?
Será que se pode classificar então isto como uma peça jornalística?!
E também ainda se afirmar a dita senhora como jornalista?!
Tenho as minhas dúvidas...
A RTPi deu ontem em primeira mão, pouco depois da meia-noite, a notícia da morte de "Fraga Ribeiro", fundador do PP espanhol. A notícia apareceu em rodapé e desapareceu pouco depois, vítima de algum par de olhos mais atento e detentor da cultura geral que eu julgava imprescindível a todos os jornalistas.
Enquanto esperava pela colocação do nome correcto, diverti-me a imaginar aqueles minutos esforçados em que certamente foi preciso soletrar letra a letra o nome Iribarne.
Se o senhor tivesse, tipo, participado num reality show, prontos, seria bué conhecido, agora assim...
A Notícias Magazine (publicada com o DN e o JN) está a celebrar a edição 1000. Como tal, resolveu elaborar uma lista das 1000 coisas que mais orgulho trazem aos portugueses.
José Saramago, Nobel da Literatura, está em segundo lugar (o outro Nobel, Egas Moniz, vem em 4º).
E sabem o que ocupa o primeiríssimo lugar? O papel higiénico. Preto. Da Renova.
Coincidência ou não, a lista também é publicada sobre um fundo absolutamente negro. Ora vamos lá a saber... Quanto é que a Renova pagou por isto?
Aliás, a quantidade de marcas quase desconhecidas é impressionante. O 25 de Abril, "Data que marca a passagem da ditadura para a democracia em Portugal. É um caso quase inédito no mundo, pois tratou-se de um golpe militar sem derramamento de sangue" ocupa o 52ª lugar, duas posições depois de uma coisa que se chama Tela Bags e dez posições atrás das famosíssimas "Máquinas Agrícolas Oesteagric". Não conhecem? Eu também não, mas dão mais orgulho do que viver em democracia.
Em 67º lugar está a Língua Portuguesa. A esta altura convém alguém ir ao túmulo do Fernando Pessoa, porque o pobre coitado deve estar às voltas. E o Camões então... só aparece em 121º. O fado está em 91º e a gastronomia tradicional só começa a parecer depois dos 80 (andam os senhores da RTP a gastar uma fortuna para escolher as 7 maravilhas...)
Só um mistério me intriga. Em 268º surge a Torre de Belém, com a descrição "Feito pela Carla Amaro". E o Francisco de Arruda a carregar com os louros estes anos todos...
A sério, vão lá ver. É o que se chama um trabalho digno de limpar as mãos à parede. Daí a importância do papel higiénico. Preto.