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As aulas estão ai. Novos cadernos, novos e caros livros, novos e precários professores, novas e mega-escolas... estradas velhas, 40 kms para ir à escola, que felicidade.
Diz a Isabel Alçada, Ministra da Educação, que o ideia de não reprovar alunos só avança após discussão publica. Permitam-me desde já avançar com uma ideia para a discussão:
- Não tem por onde se pegue tal ideia.
Há muito, muito tempo, corria o ano de 1984, foi publicado o 8.º volume da colecção “Uma Aventura”, no caso “Uma Aventura na Escola”. Nessa aventura as gémeas Teresa e Luísa, Pedro, Chico e João, através da imaginação das suas autoras, tentam resolver mais um mistério. É desse livro que se retiram os excertos seguintes:
«— Quem? Mas quem?
— É inacreditável!
— Inconcebível! Sou professora há vinte anos e nunca vi nada parecido!
— Palavra de honra, que não posso imaginar qual foi a ideia!
— Uma coisa assim!
— Quem é que pode ter feito uma coisa destas? Mas quem?
Naquela manhã, parecia que um vento de loucura tinha varrido a escola. Os professores discutiam acaloradamente ao cimo da escada e em grupos, espalhados ao acaso. Os empregados andavam de um lado para o outro, a gesticular, a bramar, a barafustar. Pareciam furiosos e assustados também... Os alunos corriam todos na mesma direcção, chamando os colegas:
— Anda ver!
— Que barraca!
— Quem terá sido?
A balbúrdia era enorme! As gémeas pararam surpreendidas. Que seria aquilo? Já tinha tocado, mas ninguém parecia importar-se, o que lhes dava muito jeito, porque, nessa manhã, o despertador não tinha funcionado e elas vinham com medo de já ter falta. Mas, o que quer que estivesse a provocar aquelas reacções, devia ser bem grave!
— O que é que terá acontecido, ó Luísa?
— Sei lá! Coisa boa é que não foi...
Tentaram perguntar a um colega, mas ele limitou-se a dizer:
— Venham daí, venham...
As gémeas encolheram os ombros e seguiram-no, escada abaixo, curiosas.
— Parece que...
A Teresa parou, estupefacta. Não era para admirar que a escola estivesse naquele desvario!»(...)
«— Isto é espantoso! — murmurou a Luísa, mal acreditando no que via.
— Para quê? Mas para quê? — repetia uma professora ali ao lado.
Realmente, não se entendia a finalidade daquela obra absurda. A escola em peso concentrava-se ali, sem saber o que pensar. Toda a gente discutia o assunto, toda a gente dava palpites, trazendo para a conversa ideias perfeitamente loucas!»(...)
« — Que paródia, Luísa!
— Mas quem é que terá feito uma coisa destas?
— Parece que isso é o que está toda a gente a perguntar!»
Este post tem alguma coisa a ver com este assunto. Mas não acredito que a ministra quisesse transpor para a realidade esta ficção (como ela própria já disse). É que, «Não é intenção acabar imediatamente com os chumbos. Aquilo que eu disse é que nós vamos abrir uma análise profunda da questão e um debate público, naturalmente com os professores, os directores das escolas, com os pais e com a sociedade em geral». Se o objectivo é pôr os chumbos em causa quando esta análise estiver feita... Querem mais ficção que isto?
Acabar com as reprovações dos alunos é mais do que facilitismo. Acabar com "chumbos" é deixar de preparar as crianças/jovens para as dificuldades da vida em sociedade. A mensagem não pode ser de vencer sempre, de lutar o mínimo e conseguir o máximo.
Esta é a politica da criação dos "boys", dos licenciados em massa. Este PS segue os passos de sempre, anos e anos de destruição do sistema de ensino, que agora alguns querem privatizar. No fundo esta é a politica dos "Rui Pedro Soares".
Dizer que reprovar não serve para ajudar os alunos, Isabel Alçada no Expresso, não é facilitismo, parece-me apenas a frase de um chefe de produção que tem de apresentar resultados perante os patrões.
Sem duvida que terão melhores condições, nem que para isso tenham de sair de casa ás sete da manhã e regressem ás sete da tarde, nem que para isso sejam colocadas em turmas de 30 alunos, nem que para isso se feche o interior e se mande a população inteira para o Litoral.
um bom processo negocial tem de ir sempre parar a tribunal.
Depois... bem, depois o Juiz que decida aquilo que deveria ser uma luta comum pela educação e por Portugal.
"O país está à frente dos interesses dos professores", Isabel Alçada, Ministra da educação.
Sim, até que está. Da mesma forma que está à frente dos interesses de todos os outros sectores, mas entre "à frente" e "em cima", vai uma grande diferença.
No anterior governo tivemos direito a ministros problemáticos. Na realidade o que tivemos foram pessoas menos capazes de lidar com a "delicadeza" necessária as diferentes situações.
De um ponto de vista empresarial foram excelentes profissionais. Sim, ninguém duvide que as "suas" politicas foram apenas as que Sócrates decidiu e mandou executar. Que ninguém duvide que eles nos casos mais complicados deram o corpo ás balas para defender o chefe.
Se Mário Lino inspirou umas boas gargalhadas, Maria de Lurdes Rodrigues inspirou ódios.
Nunca imaginei que em Portugal um ministro, mais concretamente futuro ministro, transmitisse a alguém ternura.
Exactamente, a nova ministra da educação, Isabel Alçada, inspira aos professoras mais novos uma mistura entre ternura e uma companheira de aventura.
Vamos ver se Isabel Alçada tem a capacidade de manter o estatuto, caminhar com os companheiros de aventura ou se destrói o imaginário juvenil de muita gente.