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Não desistir das nossas crianças

por manuel gouveia, em 22.02.11

Num país onde as duas últimas ministras da educação demonstraram um ódio visceral ao conceito de criança com necessidades educativas especiais e procuram activamente acabar com a intervenção precoce, convém ver este vídeo até ao fim.

 

A coragem e o amor de uns pais, apoiados por terapeutas, realizaram um aparente milagre. O milagre de nunca terem desistido da sua filha retardada mental.

 

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A condenação de Virgolino

por manuel gouveia, em 04.03.09

Branco e negro. Normal ou deficiente. Virgolino é uma criança feliz, mas acima de tudo é uma criança.

 
Vive numa casa de uma só divisão com os pais e uma irmã de meses. O pai arrancou a porta que dá para o quintal para poder vigiar os animais, principalmente durante a noite. Faz muito frio na casa de Virgolino.
Virgolino é inteligente mas tem um défice ao nível dos mecanismos de aprendizagem e um vocabulário reduzido devido à falta de estímulo, fruto de uma mãe débil mental e de um pai alcoolizado. Mas Virgolino adora a mãe e a irmã.
Segunda-feira, Virgolino está no Jardim de Infância da Santa Casa, recebe a educadora do projecto de intervenção precoce (PIP) com um pão em cada mão e uma caneca de leite encostada ao peito. Brinda-lhe com um sorriso rasgado: - Guida, o Vi já tomou banho!
A educadora do PIP, não vai trabalhar com o Virgolino, que não precisa de apoio especializado, apenas lhe lança um olho, para verificar como ele está e como foi o seu fim de semana, se lhe deram de comer ou banho (o que nunca acontece e assim se transformou, no infantário, numa rotina de todas as manhãs de segunda-feira). Vi precisa de alguém que acompanhe a mãe às consultas no centro de saúde, que a ajude a preencher os papéis do RSI, que proponha os pais para as acções de formação, que promova junto deles as competências parentais, e garanta que a sua irmã de meses não é negligenciada. Alguém que o vigie no seu percurso escolar e garanta a sua transição para o primeiro ciclo.
 
Vi recebe dos pais todo o amor que não conseguiria numa instituição de acolhimento. Vi é estruturante para a sua família.
 
Mas o ministério da educação quer as coisas preto no branco e Virgolino não é deficiente! Para o ano o Virgolino vai perder o apoio da equipa de intervenção precoce, e assim também a sua irmã e os seus pais.
Para o ano ninguém vigiará a higiene de Virgolino, garantirá que ele receberá os cuidados médicos apropriados, ou explicará à sua mãe que deve manter a casa limpa e dar banho à irmã. Para o ano Virgolino estará condenado à miséria dos seus pais.
 
Virgolino lança um último olhar à educadora do PIP e de dedo esticado, aponta o céu e anuncia: - Guida, o Vi vai ser astonauta!
 

(o desterro de Virgolino)

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