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Hoje, na Fila da Sopa, soube-se com alegria que o padre cozinheiro dos ingredientes sovinas partiria para o Luxemburgo a paroquiar por lá um recanto português próspero qualquer ao qual se candidatara voluntariamente havia meio ano. Só não se sabia quando, pois seria necessário suprir com urgência a função de cozinheiro-sopeiro para que aquela obra de misericórdia pudesse prosseguir. Estava difícil recrutar improvisados especialistas em sopas. Uma cabo-verdiana das da fila, outrora certamente trintona suculenta e agora obesa cinquentona, mãe de quatro, e nem era sem-abrigo, hesitava em autopropor-se como voluntária. Cozinhar e depois limpar tudo grátis? Oscilava. Deixaram-na falar. Ninguém lhe disse nada. A sopa era grátis. Cada qual é que sabe. Pulgas e percevejos têm feito mossa nas carnes brancas, pardas e negras que por ali se enfileiram. Percebe-se pelos borbulhos, inchaços, manchinhas rosadas de mordeduras. Esta é uma Sopa de Sopeados, filhos da Velha Promitente Política Rançosa que humilha e quer prosseguir como se nada fosse. Filhos enjeitados de todas as promessas reles. Só a eles tudo acontece-percevejos.