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"Ao propor o ideal da heroicidade a todos os cidadãos, pelo simples facto de a narrar como história do povo lusíada, a épica quinhentista veio em socorro dos historiadores da nação e marcou indelevelmente cronistas e memorialistas portugueses até aos nossos dias.
(...)
A dificuldade de distinguir a História da Epopeia continua até hoje. Foi preciso uma profunda alteração política para que a História propriamente dita fosse possível nas universidades, mas parece ser ainda difícil fazê-la penetrar nos discursos políticos, na imprensa e na vida pública. O mito insinua-se constantemente nas comemorações de factos gloriosos do passado e seduz poderosamente as comissões encarregadas de as promoverem. Reveste-se, então, das cores sedutoras de «busca da identidade nacional»".
Naquele Tempo, José Mattoso (Temas e Debates, 2ª edição, Janeiro de 2011 - p.456; destaque meu)
É curioso que tenha surgido um suposto evangelho, onde se poderá concluir que Jesus Cristo tenha sido casado, já aqui referenciado pelo anonimodenome. Não vou pôr a sua credibilidade em causa, deixo isso para os peritos, mas gostava de aproveitar para lembrar que o celibato eclesiástico não existia nos primeiros séculos do Cristianismo. Para melhor ilustrar a situação da Península Ibérica, no início da Idade Média, cito passagens do livro do Prof. José Mattoso, Naquele Tempo, nomeadamente, das páginas 58 e 59, inseridas no Capítulo: “Barregão – barregã: notas de semântica”:
Por outro lado, parece também certo que a prática da igreja visigótica admitia a vida conjugal dos clérigos. É o que se deduz dos cânones 42 e 44 do concílio IV de Toledo, do ano 633 (…)
O casamento dos clérigos é, portanto, legítimo se a mulher não for viúva, repudiada ou prostituta, e se for celebrado com o acordo do bispo (…)
É possível, no entanto, que o casamento ou concubinato do clero fosse uma matéria altamente controversa, como parecem dar a entender outras prescrições conciliares e as situações que elas tentam reprimir, aparentemente sem grandes resultados. Não é provável que a situação de desorganização e conflito que se seguiu à invasão árabe e se manteve até ao século XI fosse muito propícia à generalização do celibato eclesiástico. De facto, ainda no concílio de Compostela de 1056 aparece uma prescrição acerca dos presbyteris et diaconibus coniugatis.
Mesmo depois da Reforma Gregoriana, no século XI, que instituiu, definitivamente, o celibato eclesiástico, os hábitos custaram a mudar. Ainda no tempo de D. Dinis (séculos XIII/XIV) se tentava pôr na ordem os padres que, na impossibilidade de casarem, continuavam a manter barregãs, como um direito que lhes assistisse. E, ao contrário do que se pensa, o povo medieval era muito condescendente nesses casos.
Numa emissão especial, dia 24 e 25 de Abril, o 2711 colocará uma cronologia dos acontecimentos desses dois dias. Assim, ao longo da emissão especial, serão publicadas referencias a acontecimentos marcantes desses dois dias e ás horas a que aconteceram, fazem agora 36 anos.