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Líbia.

por Renato Seara, em 23.02.11

Confesso-me perplexo face aos mais recentes acontecimentos na Líbia. Não porque sinta qualquer simpatia para com o coronel Khadafi, apenas, porque sempre vi na Líbia, o país do Magrebe mais "fechado" ao exterior e que portanto estaria menos exposto, à propagação de ideais democráticos. 


Khadafi, é um bom exemplo do que tem sido a politica externa hipócrita, dos Estados ocidentais. Os mesmos, que se insurgem contra o regime repressivo iraniano, são os que até há um mês atrás, esforçavam-se por branquear actos de pura loucura, criminosos e sanguinários, perpetrados pelo ditador líbio contra o seu povo, ou até contra outros povos, como no caso de Lockerbie.


Os líbios, seguindo o exemplo, dos países vizinhos, desejam ver-se livres do crápula, que há quatro décadas dirige, a seu bem querer, os destinos da nação. Khadafi, tal como outros, criou um país, onde o nepotismo e a corrupção nas mais altas patentes do Estado são a regra. 


Será a brutal repressão ordenada pelo coronel, suficiente, para se opor aos ventos que clamam por mudança? Não creio, porque no final de contas e como a própria história mundial nos diz, o povo unido jamais será vencido! 

 

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Salazar...

por Renato Seara, em 27.07.10

António de Oliveira Salazar, faleceu há precisamente quarenta anos. Tenho pena. Pena que hoje não se comemorem setenta anos do seu falecimento. Acho que o país estaria hoje bem melhor. Ainda hoje o país sofre os efeitos nefastos provocados pela ideologia, baseada no Deus, Pátria e Família. O enorme atraso cultural e educacional que o país ainda tem, deve-se, em grande parte à pesada herança que o ditador nos deixou.

No entanto, nestas alturas de crise, não faltam os saudosistas do anterior regime. Este, procuram escamotear os graves atropelos (Tarrafal, Forte de Peniche, etc) cometidos pelo regime salazarista e não olham a meios para justificar o injustificável.

 

Esta gente, estupidamente, glorifica os grandes feitos do ditador no que concerne ás finanças públicas. Mas, pensando bem, de que vale ter as finanças públicas em ordem se a população passa fome e privações de vária índole? Para quê ter todo ouro deste mundo armazenado, se o povo não tinha muitas vezes um pedaço de pão? Que grande estadista é esse que governava um país onde crianças (como os meus quatro avós são exemplos) com oito e nove anos, eram obrigadas a trabalhar para ajudarem nas contas lá de casa. Que grande estadista foi esse, o que condenou dezenas de jovens portugueses a uma morte (para não falar nos milhares de feridos) certa em África?

A resposta é simples, não, Salazar não foi um grande Estadista. O Portugal das décadas de 40, 50 e 60, era sombrio, analfabeto e praticamente iletrado. Um país maioritariamente agrário, onde existia fome. Um país isolado do resto da Europa. Um país sem futuro, de onde os jovens fugiam, para não acabarem nas matas da Guiné, de Angola ou Moçambique, etc etc. 

 

Felizmente, raras são as vezes que me cruzo com estes saudosistas. Porque seria uma enorme perda de tempo explicar a essa gente que por exemplo, isto que acabei de fazer (um simples post num blog) seria o suficiente, para meia dúzia de imbecis me espancarem, arrancarem as unhas e apagarem meia dúzia de cigarros no meu corpo. E logo eu que odeio tabaco e sou contra a violência.

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