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Todos já ouvimos falar de mulheres que participam em ações terroristas do fundamentalismo islâmico, algumas, em ataques-suicidas. A realizadora israelita Natalie Assouline quis saber o que leva mães de família, ou grávidas, a matarem-se a si e aos outros, sem piedade. Para isso, acompanhou e filmou, durante dois anos, detidas palestinianas numa prisão israelita de alta segurança. No seu filme Shahida - Brides of Allah, estreado em 2008, ela apresenta-nos essas mulheres e as suas declarações, sem comentar, ou explicar. O espetador deve tirar, por si, as suas conclusões.
Confesso que, por vezes, me senti indignada, ao ouvir aquelas mulheres declararem fria e laconicamente que só descansarão quando morrerem todos os israelitas; ou que os seus filhos (a maior parte deles, crianças) sentem orgulho pela mãe presa, que mandou uma data de israelitas pelo ar. Pelos vistos, chega para os compensar por uma infância e uma juventude vividas sem mãe!
O caso da mulher grávida à altura da sua detenção (e do ataque de sua autoria), que deu à luz na prisão e foi autorizada a ficar com o filho durante os primeiros dois anos deste, provocou-me sentimentos muito contraditórios. Por um lado, ela e as outras reclusas não se cansavam de dizer à criança (um rapaz) que ele haveria de ser um lutador de Alá, um grande guerreiro da jihad. Por outro, foi difícil assisitir ao dia em que o miúdo foi obrigado a deixar a mãe, juntando-se, aliás, ao pai e aos irmãos mais velhos. A imagem da mulher a chorar sozinha, na sua cela, fica-nos gravada na memória.
Mas a pergunta fica: o que leva estas mulheres a destruirem a sua vida e as das suas famílias?
Acho que encontrei a explicação (ou, pelo menos, parte dela) numa moça, aliás, solteira e sem filhos. Começou por dizer que não fizera nada de mal, limitara-se a passear pela zona de fronteira entre a Palestina e Israel com uma faca no bolso. A sua intenção nunca fora matar, mas acharam-na suspeita, revistaram-na e encarceraram-na. Durante a conversa com Natalie Assouline, ela dá a entender que fez aquilo de propósito, desejando ser presa!
Entretanto, cumpriu a sua pena e foi libertada. Mas, passado um mês, tornou à prisão! E, desta vez, foi mais aberta com a realizadora do documentário. Afirmou que resolvera voltar, porque em casa lhe batiam, tanto a mãe, como um irmão. Além disso, proibiram-na de falar. Era autorizada a cumprir as tarefas do quotidiano, mas sem abrir a boca. «Aqui», disse ela, referindo-se à prisão, «sinto-me melhor, sou mais respeitada!» Mais acrescentou que as outras detidas, mesmo que não o admitam, estavam ali pela mesma razão: por terem problemas em casa!
Serão, portanto, mulheres cheias de ódio e vazias de amor e esperança, resultado de subjugação extrema e maus-tratos? Em Alá, julgam encontrar o amor, a proteção e o reconhecimento de que nunca na vida gozaram. São admiradas por lutarem pela sua religião, mesmo que deixem quatro, cinco, ou seis filhos em casa, filhos que são autorizadas a ver apenas de vez em quando, por escassos minutos de visita. O ódio que foram acumulando pelas humilhações e as injustiças que sofreram desde que nasceram é projetado em todos os não-muçulmanos, especialmente, nos israelitas (neste caso).
É esta a explicação para os atos das Noivas de Alá?