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Uma das lições de ter havido Defensor Moura, uma espécie de insondável peão a fazer de conta que era candidato, foi a importância de raspar o verniz político-biográfico de Cavaco. Surpreende-me destas virgens é que nada haja dizer do esmalte democrático que recobre Sócrates, o qual-esmalte não apenas está raspado com a inútil rebarbadeira da verdade inútil como jaz esbotenado sem consequências de maior como sejam uma demissão liminar, um sentido do pudor, um refreio das pulsões conspiratórias mais reles e subterrâneas. Não há dissidência naquela casa nem se espere que alguém se enxergue devidamente. O Partido Socialista agoniza e cada vez será pior, mas, para os seus, não deixa de ser mais que religião, mais que lealdade canina, mais que acriticismo monolítico. A verdade é que a distância biográfico-política que separa Cavaco de Sócrates, apesar de tudo, e não trazemos aqui o graduador de sonsos, é a mesma que separa Toni Carreira ou Emanuel de Zé Cabra, pelo menos parece que a maioria pensa assim contra o que se lhe vendeu na campanha negrejante.
Defensor Moura afirmou na RTP, debate com Fernando Nobre, que se candidata para recolher os votos dos indecisos e de todos aqueles que estão desiludidos com Cavaco Silva e Manuel Alegre. De seguida, o candidato a Presidente da Republica afirmou que na segunda volta, se houver, dará indicações para que os seus eleitores votem em Alegre.
Depois de ver o debate entre Manuel Alegre e Defensor Moura, mais uma vez moderado por Judite de Sousa, não posso afirmar que se tratou de um empate. Para ter havido um empate significava que tinha existido uma disputa, uma troca de argumentos e o que se assistiu foi um a completar o outro. Só faltou um começar uma frase e o outro acabar. E claro, o tema do debate foi Cavaco Silva.
Diz Defensor Moura, novo candidato a Presidente da Republica, que para ele nem Manuel Alegre e nem Fernando Nobre são seu adversários. Segundo o deputado do PS, vice-presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e membro das comissões de Saúde e de Defesa Nacional, o adversário é Cavaco Silva.
Não estou a ver a inovação, a alternativa ou o porquê de votar neste novo candidato. Sim, ele próprio diz que é um complemento a Manuel Alegre, dai não me está a apetecer votar numa muleta.