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Volto já!

por Eduardo Louro, em 14.11.13

Contrariada, a rabujar e achando-se mesmo injustiçada – afinal 0,2% não é nada –, a recessão vai-se embora. Mas promete voltar, quem conviveu com esta extraordinária gente que somos todos nós durante tanto tempo - nunca nenhuma outra tinha desfrutado tanto do país - não consegue viver muito tempo longe de nós. É o que faz sermos hospitaleiros...

Não é um adeus. Na maçaneta da porta deixou um Volto Já

É uma mera pausa para o Inverno. Lá para o início da Primavera voltará a dar notícias. Parece-me mesmo que é capaz de dar notícias já no final do ano, só que os dois trimestres consecutivos, que fazem parte do seu ADN, impedem-na de aparecer de corpo inteiro e rosto destapado antes da Primavera.

Como eu gostaria de estar enganado, e poder dizer a esta velha rabugenta que estamos fartos dela, que vá para bem longe e não nos volte a aparecer por perto…

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A orquestra continua a tocar...

por Eduardo Louro, em 31.10.13

O Tesouro americano diz que é a Alemanha a culpada de tudo o que se está a passar no sul da Europa. Que, para acumular excedentes, não hesitou em impor as políticas austeritárias que destruíram as economias portuguesa, espanhola e italiana.

Álvaro Santos Pereira, recuperando o pio diz, agora já do lado de fora, que a austeridade pode levar ao surgimento de ditaduras na Europa e que a dívida portuguesa só poderá ser paga se renegociada para prazos de pagamento de 40 ou 50 anos.

Mas na Assembleia da República, no dia 1 da discussão do Orçamento, a ministra das finanças diz que está tudo bem. Que tudo estava certo, que tudo correu bem, e que só há que apertar mais um bocadinho. Que já só falta um último esforço, que estamos lá, na praia. Até já ela fala em baixar impostos, para não deixar Paulo Portas a falar sozinho… Porque 2015 está já aí!

Por isso aí está uma gigantesca onda de optimismo que sai da maioria e do governo como se fossem o canhão da Nazaré. Que estamos a sair da recessão e que o desemprego está baixar, dizem eles, sem cuidar de perceber que alguma vez a economia teria de parar de cair, que há sempre um fundo, por mais fundo que seja. E escondendo que o desemprego continua a subir e não a descer. Que descem apenas os números – e muito pouco - porque Portugal atingiu os mais altos níveis de emigração dos últimos 40 anos. Chamam-lhe até milagre, mas as pessoas não estão a sair do desemprego, estão a abandonar o país que as abandonou!

E esta não tem nada a ver com aquela emigração analfabeta e desqualificada das décadas de 60 e 70 do século passado, que não perdia os laços com o país, e de que a economia e as finanças do país tanto beneficiaram. Esta é uma emigração que deixa o país muito mais pobre e ineficiente. Agora sai gente em cuja educação o país investiu muito. Gente – e veja-se o absurdo – que o país impede de retribuir o que lhe deu, e que prefere entregar de bandeja aos outros.

Dos que cá ficam, uns morrem; outros não podem ter muitos filhos e outros não podem sequer ter filhos… Portugal perdeu o ano passado mais de 55 mil habitantes, vai continuar assim, a perder-se…

Mas ninguém se importa. Há ainda muita gente a achar melodiosa e a deliciar-se com a música que a orquestra continua a tocar… 

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