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Se não nos quisermos chatear, sempre diremos «os gays desejam casar-se, por que motivo haveremos de impedi-los?!» Isto é muito português. Tanto evitar a chatice de pensar, de olhar para a realidade num esforço de reflexão, quanto o gesto proibitivo que igualmente exclui o pensamento. Os gays portugueses, que até aqui eram felizes e livres na vivência da sua homossexualidade, sobretudo quando viajavam, anónimos, para o exterior, vêem agora abrir-se o terrível espectro possibilista do casamento e, portanto, da exposição à infelicidade, à rotina, à rotura, à insuportabilidade oprimente dos deveres e compromissos traídos do casamento. Nada mais cruel. Sócrates também casou com o povo português na mesma perspectiva, tendo sido ele o verdadeiro precursor de um casamento gay. Gay para ele. Violentador para nós, mas casamento. Ensaiou com o Povo esse mesmo casamento gay homólogo ao espanhol, que se urde por aí com aquela urgência assassina apenas porque aliena as verdadeiras prioridades de um Estado-em-Colapso, no momento em que conseguiu impingir-se-nos com o sucesso conhecido. No fundo, o problema é a Festa. O grande direito que os gays buscam é o direito à festa de casamento, na sua efemeridade por vezes paradoxal, tendo em conta a crise e o malogro posteriores. Foram quatro anos a fazer-nos festas e festinhas, a evitar os problemas, a agudizá-los no segredo. Hoje sabemos que o casamento gay entre o Povo português e José Sócrates não dá certo. É só fachada. Por fora, sorrisos. Dentro de portas, pancada velha. Ele recusa-se a exteriorizar a porcaria das contas domésticas, os gastos em copos, roupa, orgias directas com amigos muito ajustadinhos. Nós, Povo, fechamo-nos no quarto a ver novelas ou futebol, em prantos e com fome. É preciso tê-los para investir no casamento, essa é que é essa. Gays de Portugal, vocês obviamente não sabem no que se estão a meter!