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De volta às páginas dos jornais, aos ecrãs de televisão, aos monitores dos computadores. Carlos Silvino, Carlos Cruz e toda a enorme massa podre do caso Casa Pia voltaram para nos castigar os dias, porque 7 ou 8 anos de processo não bastaram.
De repente, Bibi acorda e resolve contar a verdade, num dia como outro qualquer. Foi tudo mentira, uma enorme mentira engendrada por meia dúzia de mentes maléficas, com o objectivo de aniquilar figuras proeminentes da nossa sociedade.
Quais figuras proeminentes? Quem conhecia o médico Ferreira Diniz ou o projecto de advogado Hugo Marçal antes desta enormíssima trapalhada? E Carlos Cruz, era assim tão importante e incómodo? Quem teria sido capaz de formular um plano tão mirabolante, envolvendo dezenas de pessoas, todas coagidas a mentir?
Quantos milhares já se gastaram com este lixo, nos tribunais, nas emissões de televisão, nas páginas de jornais? Quantas horas e dias já fomos obrigados a levar com esta gente? E agora, que pensávamos ter finalmente tréguas, agora que pensávamos ter visto a justiça funcionar, lenta e penosamente, mas a funcionar, volta tudo a cair-nos no colo. Outra vez.
Ontem foi dia de Eusébio, e muito bem!, mas foi dia também de uma dose apreciável de Carlos Silvino, para grande pasmo nacional quanto ao conteúdo das suas supostas revelações contraditórias, nada mais que um guião de desdizer caído do céu. Tudo isto resume-nos. Bastam-nos um ou dois absurdos, uma ou duas hipérboles, uma ou duas palhaçadas espalhafatosas, para ficarmos resumidos e bem resumidos ao mesmo tempo que tramados e gratos. Desde sempre vai por aqui um povo pícaro, repleto de actores pícaros, sem norte nem cerne rijo. Tenhamos calma, que ainda não terminámos de beber o cálice completo da nossa queda. À parte um possível terramoto iminente, não faltarão episódios semelhantes da nossa decadência.
O caminho normal de alguns processo, Casa Pia e BPN, será a sua isaltinação. Durante algum tempo ainda estranhámos, mas agora tudo regressa ao seu normal.
A esta hora já saiu ou não a famosa sentença escrita/informática do julgamento de Carlos Cruz... perdão, da Casa Pia?
Temos o dever de respeitar a opinião dos outros. Quando Marinho Pinto defende Carlos Cruz devemos respeitar. Agora, comparar o julgamento de Carlos Cruz ao que foi feito a um Nazareno há dois mil anos, mais coisa menos coisa, é no mínimo estapafúrdio, isto para não dizer ridículo.
Conheço uma empresa de construção civil que tem sempre uma justificação para os atrasos nos pagamentos. No caso o pagamento não se deve a falta de dinheiro, deve-se ao facto que se pagarem a meio da semana, quarta-feira ou quinta, no dia seguinte muita gente não aparece ao trabalho. Assim, como quem não quer a coisa, lá vão adiando as coisas até sexta-feira.
Tinha me esquecido, a administração da empresa diz que o atraso é sempre culpa do sistema informático.
Não vi e nem ouvi nada da entrevista de Carlos Cruz na RTP. Não me interessa este festival de justiça de holofote. Bastou ver a frase de anuncio da entrevista:
"O que move a justiça contra Carlos Cruz".
Depois disto apenas devemos exigir decência à RTP, que com coisas como esta e outras mais baixas, apenas dá argumentos a quem a quer privatizar.
É um abuso sobre a nossa capacidade de inteligência .
É inaceitável a pressão sobre a opinião publica portuguesa feita por um arguido (condenado) , com a complacência do serviço publico nacional !
Poderemos sobreviver ao fim da Justiça em Portugal?
Já tivemos Fátima Felgueiras, condenada, a sair do tribunal com um sorriso de vitória, Isaltino Morais, condenado, à porta do tribunal vangloriando-se de que nada se havia provado, agora temos um processo que ao fim de oito anos, não teve investigação, não provou nada e nem sequer existiu uma sentença!
A lavagem do Caso Casa Pia, que nos prepara para a anulação do processo decretada pelo Tribunal da Relação, ontem na RTP1, contou com mais um sessão... que outro condenado (ainda arguido) em Portugal tem tido tantos meios públicos em sua defesa?
De Marinho Pinto a Daniel de Oliveira, com excepção do Juiz Rangel, ficámos todos certos da enorme injustiça que está a ser prepetada contra estes arguidos.
Entretanto ignoremos outros aspectos que não estiveram presentes no debate.
Sempre tentei ser moderado de forma a não cair no insulto gratuito a ninguém. Achei que sempre, mas sempre se podia argumentar contra as ideias de alguém. Hoje, depois de chegar via Pegada a um escrito no Correio da manhã, este será porventura o titulo indicado para o nojo que o texto de João Pereira Coutinho me causou:
«(...) Verdade que, segundo os juízes, na Casa Pia os "filhos do Estado" eram traficados e violados por máfias e tarados sortidos. Desconheço se ainda são. Mas antes isso do que a imagem repelente de uma criança obesa a pedir mais um hambúrguer.» - João Pereira Coutinho, C.M.