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Ontem escrevi aqui sobre aquilo a que chamei efeitos colaterais da morte de Eusébio, a propósito das desastradas declarações de Mário Soares. Que parecem ter dado o mote para a sucessão de disparates – que só não são tiros no pé porque nesta nossa miserável classe política já ninguém tem pé - que se viram e ouviram durante o dia de ontem.
A começar de novo por Mário Soares, que logo no dia seguinte – depois de casa roubada trancas na porta – se apressou a emendar o soneto na sua coluna no DN, dedicando em exclusivo a sua crónica a Eusébio, que rapidamente passou “a um patriota excepcional que fez tanto por Portugal e por Moçambique”.
À questão do Panteão Nacional ninguém resistiu. Logo que surgiu a ideia de que o destino dos restos mortais de Eusébio não podia ser outro que não aquele, foi um ver se te avias… Todos os líderes partidários desataram a correr para ver quem era primeiro a agarrar a ideia e a levá-la à Assembleia da República. Devem ter chegado todos ao mesmo tempo…
Assunção Esteves, a Presidente da Assembleia da República, achou que era ali, na hora, em pleno velório, que deveria pronunciar-se sobre o tema que tanto entusiasmara os seus deputados, pondo alguma água na fervura. Só que, não se sabe se simplesmente em maré de azar, ou se por manifestas dificuldades próprias da sua já longa condição de reformada, não teve mão na água e aquilo saiu pior que as ondas gigantes que então assolavam a costa portuguesa. Foi o despropósito total, não podia ter sido pior. Falou do que não devia e do que não sabia, e as centenas de milhares de euros, não eram afinal mais que escassas cinco dezenas, como o seu próprio gabinete teve de vir esclarecer. As parcerias que preconizou, e o apelo ao mecenato, só econtram paralelo no seu discurso do inconseguimento!
Nem Sócrates fugiu a mais um tesourinho deprimente, contando que o seu momento Eusébio acontecera a caminho da escola (onde fizeram uma festa), enquanto decorria o mítico Portugal - Coreia do Norte, no Mundial de 66, em Inglaterra. Que aconteceu às 15 horas de sábado, 23 de Julho de 1966, em plenas férias grandes escolares…
Adapatando de Manuel Machado: Um vintém é um vintém e um mentiroso é um mentiroso. Os cretinos é que são muitos!
Temos um problema de inconseguimento. Que começa por termos inconseguido que a segunda figura do Estado fosse menos vazia e patética que a primeira.
Claro que temos mais problemas para além do inconseguimento. Temos “o nível social frustacional derivado da crise”. Temos a"nossa missão humana no mundo".
E temos esse problema supremo do “soft power sagrado” da Europa.
Não sei se aquele senhor da AMI faria pior. Não sei, não!
“Está a haver um controlo adequado das entradas” – garantiu Assunção Esteves, no debate parlamentar de hoje sobre o exame de acesso dos professores, interpelada por alguns deputados perante as galerias vazias, quando o acesso era negado ao público por estarem cheias...
Também Assunção Esteves é gente extraordinária, ou não dissese logo de seguida que o acesso à casa da democracia é um direito inalienável!
* Da série com o mesmo nome, no Qunta Emenda
Não aplaudo os protestos nas galerias da Assembleia da República. Mas também não os dramatizo, até porque não me parece que alguma vez se tenha verdadeiramente passado das marcas, nem nunca as ordens de evacuação terão deixado de ser acatadas sem problemas de maior.
Dito isto, acho que estes incidentes têm o seu quê de folclórico e pouco mais… Têm a importância que têm, e não a que lhe querem dar!
Não têm claramente a importância que a Presidente da Assembleia da República lhe emprestou hoje com um comportamento – esse sim – desajustado e destituído de bom senso. Na forma – histérica e destrambelhada – e no conteúdo. Aquela dos carrascos é um insulto!
Um insulto grande ao povo e um insulto - que não é menor - a Simone de Beauvoir, que não seria nunca capaz de semelhante coisa. Um insulto de alguém que ocupa o lugar de segunda figura do Estado, a quem, em vez de histerismo, se exige sentido de Estado. Coisa que alguém que, ainda menina e moça, se instalou nos mais apetecíveis lugares da política, sem não mais os largar, que se reformou aos 42 anos e que, impedida de acumular a pensão com o vencimento, descarta o vencimento pelo exercício da função, para ficar com a pensão de uma reforma para que não contribuiu, nunca poderá ter!
Claro que estas coisas ferem a legitimidade. E se não legitimam o protesto indiscriminado, onde quer que seja, deixam-no por lá perto…
Quem não se dá ao respeito nunca se fará respeitar!
A única coisa que não ajudará à democracia será a instituição de uma ditadura. De resto, penso que não fará sentido dizer o que ajuda, ou não, à democracia, sendo esta um dado consumado. Mas uma coisa é certa: dizer que o direito ao protesto não ajuda à democracia não é próprio de uma presidente da Assembleia da República de um regime democrático.
Assunção Esteves continua a bater na mesa. Muito bem.
A futura Presidente da República, Assunção Esteves, gosta de bater na mesa e por o pessoal na ordem. Terá o meu voto.
mas todos desinteressados, evidentemente.
Se a ideia é prolongar estas iniciativas para 2012 o melhor é levá-las a cabo não em cafés mas em jardins, em estações de metro, ou talvez debaixo das próprias arcadas, no Terreiro do Paço. No interior dos estabelecimentos, com o IVA a 23%, o mais provável é a tertúlia ficar reduzida aos deputados ou aos menos anónimos cidadãos que não se importem de comer um pastel de bacalhau a preços proibitivos.
O resultado final da partida:
- Assunção Esteves: 186 - Fernando Nobre: 0
Em que buraco se irá enfiar Fernando Nobre?