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Infelizmente sou levado a criticar a Antena 1. Ouvir, pelas 18.30, as intervenções de um repórter da estação de rádio publico em direto do cemitério do Lumiar, durante o funeral de Eusébio, foi simplesmente surreal. Em vez de explicar ou narrar o que estava a acontecer, durante a cerimonia, o repórter entreteve-se a descrever a falta de organização do funeral. Pergunta: onde estava essa falta de organização?
Segundo o individuo, repórter Antena 1, o terreno estava cheio de lama e ele demasiado apertado. Pelo que se entende, para o repórter - que não era repórter de campo, mas em principio repórter de alcatifa -, quem organiza deveria ter limpo a lama, cimentado o terreno e construído uma tribuna para a imprensa, digo eu. Não satisfeito, a personagem, queixava-se em direto e só mais tarde reparou que se estava a realizar um minuto de silencio. Fico com a duvida se aquela reportagem era a sério ou de algum estagiário, não remunerado, habituado só a tirar cafés nos estúdios.
Os tiques deste governo, controlo de tudo e mais alguma coisa estão ai. Sim, colocam os amigos, conhecidos e homens de mão em lugares chave, tudo num autoritarismo que não se via há muitas décadas. Se os cronistas da Antena1 se sentiram pressionados ou mesmo censurados é perfeitamente capaz de ter sido assim. Poderá ter sido o governo? Poderá ter sido algum director a querer agradar ao dono? Não sei. Se calhar, quase com toda a certeza, tudo ficará na palavra de uns contra a palavra de outros. Uma coisa tenho a certeza, não confundo, como alguns estão a fazer, o serviço publico de informação e quem gere esse serviço. Não me digam, principalmente todos aqueles que atacam o serviço publico, que se isto acontecesse na TSF, por exemplo, era uma acto de gestão de uma empresa privada? No meu tempo, que ainda é este tempo, censura é censura seja onde for.
Ouvi na Antena 1 que Passos Coelho reuniu com vários blogues presentes no congresso. Segundo a jornalista, que me pareceu um pouco rancorosa com a blogosfera, isto porque o líder social-democrata ainda não tinha reunido com o jornalistas, todos os que se encontraram com Passos Coelho são seus apoiantes e fizeram propaganda dele nas redes sociais.
Que alguns o tenham feito, talvez a maioria sim, mas todos é exagero. Nem foram precisas imagens, pelo tom de voz da jornalista, algo angustiada, as dores de cotovelo eram imensas.
No noticiário da Antena 1, pelas 18.30, o locutor informa que não se sabe quando será a reabertura da CREL. Segundo a mesma informação, sempre no serviço publico de informação, a quantidade de terras a remover é imensa e nesta semana foram retirados 80 metros cúbicos de terra.
Ainda gostava de saber se os locutores têm consciência das coisas que lêem.
Como cada camião transporta 20 metros cúbicos, ficamos a saber que durante cinco dias apenas se fez 4 cargas de terra.
Serviço publico de informação em forma e sempre numa rádio perto de si.
Na Antena 1, serviço publico de rádio, em frente à porta da Academia de Alcochete do Sporting, um repórter afirmava que o presidente do clube leonino estava nas instalações já há 8 horas consecutivas.
- Não estou a ver a novidade da informação.
- Além disso, considerando que José Eduardo Bettencourt é presidente profissional do Sporting, também não estou a ver a noticia.
Hum... pois... tinha me esquecido do serviço publico de informação.
«RÁDIO MOSCOVO NÃO FALA VERDADE O caso de Eduarda Maio surpreende pela crueza. O conteúdo manipulatório do anúncio da subdirectora de Informação da RDP tem uma falta de sofisticação que é irritante. Com total despudor, os principais centros de indústrias de cultura do Estado coligaram-se para dar ressonância à reacção governamental ao protesto. Sócrates considerou as manifestações de rua politicamente manipuladas. Dias depois do pronunciamento do primeiro-ministro, RTP e RDP, em total sinergia, acrescentam um efeito adicional para potenciar a mensagem do chefe do Governo: manifestações de rua são incómodas e atrasam a vida a quem quer trabalhar. São manifestações "contra" quem "quer chegar a horas", acaba a dizer uma das mais altas responsáveis da informação do Estado em Portugal. Esta afirmação de Eduarda Maio não é feita num comentário a notícias do dia, num editorial ou num espaço de opinião, o que seria trabalho jornalístico legítimo. A propaganda anti-sindical surge toscamente disfarçada num spot promocional da Antena 1, transmitido pela RTP. Face a isto, é muito difícil ao Governo socialista dizer que não interfere na informação prestada pelo Estado. As dúvidas sobre a postura jornalística de Eduarda Maio depois do seu divertido panegírico "Sócrates, o Menino de Oiro" dissipam-se com esta participação na urdidura de marketing político em que se confronta a legitimidade do protesto com o slogan da ditadura que a melhor política é o trabalho. Este último incidente denuncia que a deriva totalitária do regime atingiu em quatro anos um descaramento intolerável para a democracia parlamentar, mesmo desnaturada por uma maioria, que a nossa cultura/incultura política provavelmente não comporta. Assim, usando a legitimidade eleitoral como uma espécie de carta branca para a bizarria, órgãos de Estado desdobram-se em propaganda e repressão que trouxeram a desordem ao sector público e a insegurança ao sector privado. Nesta maneira de estar no poder de José Sócrates, os pseudópodes da criatura maioritária vão cobrindo tudo com um manto de opacidade e intimidação que deforma e perverte. As reformas conduzidas pelos mesmos chefes do antigamente, sobre quem a bênção socialista terá feito descer o espírito da modernidade, exigem seguidismos amorfos e ameaçam com processos disciplinares e degredo os dissidentes. Este é o Estado como Sócrates o vê em período eleitoral: com aumentos para funcionários quando o resto do país vai para o desemprego e com mordaças disciplinadoras e o quadro de excedentes para os rebeldes. Mas agora que as dúvidas são muitas e a rua já grita, não basta silenciar os números do descontentamento porque eles estão à vista. É a altura do contra-slogan. Tal como a Emissora Oficial no passado, RDP/RTP prestam-se uma vez mais à tarefa de defender regimes à custa de propaganda pensada e executada com o mesmo zelo com que o SNI coordenava, na Emissora Nacional, o programa do salazarismo "Rádio Moscovo não fala verdade". O título deste programa da era de Sócrates é: A CGTP não deixa trabalhar. Como sempre, apresenta-o a Direcção de Informação da RDP.»