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Sahar Gul, uma afegã que casou com apenas 14 anos, há cerca de sete meses, passou horrores, torturada pelo marido e pela família dele por, alegadamente, se ter recusado a prostituir-se!
O horror! O inconcebível!
Nascida na Hungria mas com uma vida dedicada ao cinema e à televisão nos EUA, Zsa Zsa Gabor, de 93 anos, encontra-se previsivelmente perto do final da sua vida. Para além do mundo do espectáculo a sua vida privada foi acompanhada pelo público a quem ela brindava com imensos motivos de conversa. Casou 8 vezes. O último casamento dura há 24 anos, um número nada pequeno. Dela conhecem-se algumas afirmações, meio brincadeiras, meio conselhos que merecem, pelo menos, um sorriso, ou um aceno de cabeça cúmplice:
“Sou uma óptima dona de casa: quando me divorcio fico com a casa”
“Divorciar-se só porque já não se ama o marido é tão idiota como ter casado só porque o amava.”
“Um homem apaixonado está incompleto até casar. Quando casa, acaba.”
“Não sei nada sobre sexo porque estive sempre casada.”
“Quantos maridos tive? Quer dizer, tirando os meus?”
(encontradas aqui)
Enquanto isto a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos (a minha idade), acusada de adultério (e depois de homicídio, dizem que com base numa confissão obtida sob tortura), continua a correr um grande risco de ser executada por lapidação no seu país.
Ashtiani foi considerada culpada em 2006 de ter “relações ilícitas” com dois homens e desde então está presa. Aqui as regras civis e religiosas consideram o sexo consensual entre adultos, fora do casamento, como um crime punido com a morte.
Recentemente também, no Afeganistão militantes talibãs apedrejaram até à morte, numa execução pública, um jovem casal por adultério. Ele, de 28 anos deixou a mulher para fugir com outra de 20 anos que, por seu lado, estava noiva de outro homem.
Outras mulheres, nestes ou noutros países, encontram-se na mesma situação.
Exemplos de como, em termos históricos, a relativização dos acontecimentos é fundamental. Cruzarmo-nos no mesmo tempo histórico é bem pouco se não tivermos em conta a coordenada espaço. É por isso que, num mundo tão pequeno como o nosso, mas tão grande na variedade de reacções às mesmas realidades, os gestos que fazemos também contam. A pressão internacional é, até agora, uma das poucas armas que existem. É por isso importante usá-la. As petições, as manifestações estão largamente divulgadas. Não faz sentido ignorá-las.
(Ver, por exemplo, aqui.)
Ou seja, está a treinar para a visita que vai fazer em Novembro a Portugal.
A fim de “proteger as ruas britânicas” do terrorismo, Gordon Brown vai enviar mais 500 soldados para o Afeganistão. Terão descoberto finalmente as tais armas de destruição em massa?

O PR teve a oportunidade de avançar com mais alguma evidencias.
Enquanto se dedicava à confecção de um tapete de Arraiolos, Cavaco Silva divagou sobre a Europa, a cooperação com os EUA e o Afeganistão.
Para além destas divagações, que se estão a tornar habito, diga-se que infelizmente, Cavaco evidencia um certo e preocupante desfasamento com a realidade.
Para quem não sabe, faz muito tempo que o Afeganistão é um enorme e rotundo falhanço.