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Hoje fala-se do Acordo Ortográfico, que já entrou em vigor. Obrigatoriamente, diz-se. Sem se perceber porquê… Na realidade não há nele nada que se perceba. Basta que se chame Acordo quando é só desacordo. Não há acordo nenhum… a não ser que não há acordo.
Fala-se de um vídeo que por aí circula há dois dias, com um miúdo de 16 anos a ser agredido e humilhado… Na Figueira da Foz. Por não sei quantas miúdas... Não sei porque não vi, e não vi porque não quis ver… Não tenho nada contra quem viu, mas eu não quero ver. E acho mal que tenha sido replicado da forma que foi... Não que o assunto não seja sério… Demasiado sério para se não dever brincar. Como tanta gente brincou, muitos deles dos que se têm por gente de bem. Uns para puxarem de um certo marialvismo que lhes tolda as ideais, outros para exibir falsos pudores que lhes norteiam os princípios. Todos para achincalhar.
E fala-se da ex-mulher de Sócrates, que se atirou à Provedora Geral da República numa peixeirada – que me desculpem as peixeiras – que poderá não passar impune. Diz-se que até pode dar prisão, e ficamos a pensar que talvez aquilo tenha apenas sido solidariedade exacerbada.
Ou simplesmente mais uma coisa estranha em cima de tanta coisa estranha!
Tem dias. Sim, de vez em quando dá-me para escrever com o novo acordo ortográfico e outras vezes escrevo "à antiga". Na realidade não me chateia nada o uso ou não do dito acordo. Aliás, o meu filho aprendeu português segundo o Acordo Ortográfico e eu consigo comunicar com ele.
O 2711 é um blogue plural, há quem escreva segundo o Acordo, há quem o ignore e há quem se insurja contra ele. Por isso, penso que será um bom espaço para divulgar o livro do jornalista Pedro Correia, conhecido blogger do Delito de Opinião (entre outros) e que teve a amabilidade de me incluir na equipa do És a Nossa Fé.
Vogais e consoantes politicamente incorrectas do acordo ortográfico insere-se na coleção «Politicamente Incorrectos», da editora Guerra & Paz.
O livro já está à venda, mas a apresentação oficial vai ter lugar a 21 de Maio, na livraria Bertrand do Picoas Plaza (Lisboa), a partir das 18.30.
Dou os meus parabéns ao Pedro e desejo-lhe sucesso!
não será por decreto que o irão destruir.
Se o Português levou 8 séculos a construir, os nossos antepassados falavam uma língua incompleta, uma língua em construção, em obras. D. Dinis, Gil Vicente, Camões, Camilo, Eça... Estavam eles conscientes disso? Pode chamar-se obra-prima àquela que foi escrita numa língua em construção? Sabiam Gil Vicente e Camões que ainda tinham de passar séculos, até que o Português estivesse plenamente construído?
Esta frase, muito usada pelos oponentes do Acordo Ortográfico, é, na minha opinião, infeliz, porque encerra, em si, uma contradição. Por um lado, admite que a língua portuguesa é o resultado de uma evolução; por outro, dita o seu bloqueio. Mais: pressupõe que o Português atingiu, enfim, a sua perfeição! Com que direito? É o Português que falamos e escrevemos hoje melhor do que o que falava e escrevia Camões? É o Português que falamos e escrevemos hoje aquele que os nossos sucessores falarão e escreverão daqui a 500 anos?
Nenhum decreto destrói o Português, apenas lhe introduz alterações em aspetos considerados obsoletos. A questão não me repugna, por isso a aceito. Não por ser de natureza submissa - como caracterizam os oponentes do Acordo aqueles que o aceitam -, mas pura e simplesmente porque a questão não me repugna. A língua tem uma origem convencional. Convencionou-se chamar "mesa" à "mesa" e "cadeira" à "cadeira". Em alemão, convencionou-se chamar "Tisch" à "mesa" e "Stuhl" à "cadeira". Depois de anos de evolução, claro. Mas considerar que essa evolução chegou ao fim é tão absurdo como considerar que "actor" e "ator" se pronunciam de maneira diferente.
Muitos opositores do Acordo alegam, ainda, que, na palavra "ator" não se vislumbra a sua raiz. E em quantas palavras portuguesas se vislumbra a sua raiz? Se tudo fosse assim tão claro, não havia dúvidas quanto à origem da palavra "fado", por exemplo. A maior parte das palavras está tão modificada, devido à evolução da língua, que não é possível descortinar a sua raiz.
Os opositores costumam também dizer que querem continuar a escrever como aprenderam. E o que dirão os seus filhos, daqui a vinte anos, os filhos que estão a aprender a escrever usando as regras do Acordo Ortográfico?
gostaria de participar na discussão promovida no Aventar sobre o novo acordo ortográfico.
Já aqui disse que, apesar de não apreciar o Acordo Ortográfico, não penso fazer sentido resistir-lhe. E, no fundo, a nova ortografia é uma questão de hábito. Desde que o Word foi atualizado, tenho pensado em adotá-la de vez, mas a mudança tem sido mais difícil do que o esperado.
Em primeiro lugar, não apreciei que o meu Word fosse alterado sem me perguntarem nada. Apanhou-me a meio da escrita de um livro, que queria acabar com a ortografia que estava a usar, e vi-me obrigada a usar a nova versão, pois irritam-me as palavras que escrevia à moda antiga sublinhadas a vermelho. Porém, o serviço não foi bem feito, pois, na metade do texto escrita antes da alteração, as palavras antigas não são assinaladas como erro, o que me dificulta a correção. O sublinhado vermelho só surge se eu apagar a palavra e a tornar a escrever!
Um outro problema é o dicionário de sinónimos do Word. Mesmo com a nova versão instalada, se eu procurar um sinónimo para “ativo”, por exemplo, o dicionário diz-me que não foram encontrados nenhuns para essa palavra. Se eu escrever “activo”, embora o erro seja assinalado, a procura dos sinónimos resulta!
Não sei o que é que os senhores da Microsoft Portugal andaram a beber ao pequeno-almoço, enquanto trataram desta questão…
P.S. O Sapo parece que deixou de assinalar erros (vale tudo), mas o Blogger ainda não alterou a ortografia. Conclusão: se no Word as palavras antigas são erro, nesta plataforma acontece o contrário. E ando eu a bambolear entre o pré e o pós-acordo, a fim de evitar os sublinhados a vermelho!
Os ministros da Educação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) manifestaram nesta sexta-feira em Luanda o seu empenho em adoptar o Acordo Ortográfico (AO) como ferramenta de promoção e defesa da língua portuguesa. (Publico)
O destaque das palavras na noticia é da minha autoria.
Este povo doente, emocionalmente desequilibrado, e que tão rapidamente adere a estrangeirismos, vem agora defender a pureza da "sua" língua... numa atitude idiota e irresponsável.
Enquanto as próximas gerações, nas escolas, aprendem a escrever segundo o novo acordo ortográfico os jurássicos de sempre agitam as suas idiossincrasias. Haja paciência.
O acordo vai vigorar através das escolas. O resto são excreções da paisagem.
Nem sempre acontece, mas às vezes vale a pena lutar contra "moinhos de vento". O Secretário de Estado da Cultura admitiu ontem a possibilidade de "aperfeiçoar" o Acordo Ortográfico até 2015.
Francisco José Viegas que assumiu o seu desconforto com algumas regras inscritas no AO, relembrou que "a ortografia é uma coisa artificial, provavelmente, e portanto, se é artificial, nós podemos mudá-la. Mas temos uma vantagem. É que até 2015, podemos corrigi-la. Temos essa possibilidade e eu acho que vamos usá-la”.Sublinhou ainda que “não há uma polícia da língua, há um acordo que não implica sanções graves para cada um de nós (...) não há coimas, não há multas para quem não suprime algumas das consoantes mudas ”.
Pela minha parte, obrigada. Já é um bom sinal.