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O ano passado foi assim, tudo ao contrário. Este ano, já sem feriado, não foi melhor... e até a bandeira resistiu!
Não sendo eu, por enquanto monárquico, sou levado a acompanhar todos aqueles que criticam a Republica que temos e se dizem monárquicos. Considerando que actualmente ninguém viveu em Monarquia, tirando o Manuel, que é o matusalém do 2711, dificilmente poderemos ter a certeza que vivemos no regime certo. Somos, desde crianças, ensinados por uma visão histórica parcial com livros do regime. Somos formatados para acreditar que somos cidadãos e antes éramos vassalos.
Depois de anos de republica bipartidária, mas sem pólos opostos, onde governa o bloco central, dificilmente me podia identificar num sistema destes. Dificilmente me posso identificar num Presidente partidário e alaranjado. Não que eu tenha algo contra a laranja, que está ao nível da rosa, mas não gosto da poda das anonas.
Se calhar até sou eu que implico com o sorriso das vacas açorianas.
Mas que raio significa "austeridade digna"?
E o senhor Presidente falou. Hoje, dia 5 de Outubro, data da independência de Portugal, Cavaco Silva esteve bem como porta-voz do governo. Enquanto o senhor PR discursava o povo podia bater palmas.
Amanhã comemoramos, quer dizer, alguns portugueses vão comemorar a implantação de Republica. Se pensarmos bem, não admira como estamos hoje. Sim, tudo começou com um assassinato.
O discurso do Presidente da Republica, Cavaco Silva, mostrou alguém já em plena campanha eleitoral para tentar ser reeleito ao lugar.
Muitos de nós acreditavam na ética republicana, nos seus valores institucionais e cívicos. Acreditávamos que existiam valores laicos e seculares que por serem de Estado eram "sagrados" e ninguém lhes podia tocar.
O nosso ordenado era um desses valores inscritos nessa imutabilidade republicana.
Pensávamos que era um legado de natureza laica e secular, mas afinal era apenas uma questão religiosa: tínhamos fé que assim fosse e estávamos enganados. A fé não nos salvou.
O sagrado foi profanado no seu altar.
Devemos aplaudir o que é bem feito e hoje, dia 5 de Outubro, é um bom dia. Vai ser inaugurado o Centro para o Desconhecido da Fundação Champalimaud.
Até se pode dizer mal do fundador, até se pode dizer mal da administradora da Fundação, até se pode dar umas cambalhotas, transformar este centro numa questão politica, mas a importância e o mérito estão lá, isso dificilmente pode ser tirado.
Hoje, véspera do 5 de Outubro, depois da Republica deturpada que temos, depois de não sabermos o que é uma monarquia constitucional, depois de tantos anos a perder o orgulho de sermos portugueses, depois de perdermos os valores que nos colocaram um dia como os descobridores do mundo, depois de tanto trabalhar e não se ver nenhum resultado, a pergunta que se impõe fazer:
- Afinal o que comemora Portugal amanhã?