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No dia 11 de Dezembro o 2711 fará uma comunicação ao país.
A CADEIRA
Morreram milhares lá no centro. Vieram os tanques e passaram por cima dos corpos. Os que conseguiram fugir refugiaram-se na universidade e, mais tarde, um a um, foram identificados e a maioria presa. A memória futura é presente e o estudante transformou-se em ideólogo democrata. Em sapiente das teorias mais lúcidas sobre a liberdade e direitos humanos. Reuniu clandestinamente, ensinou jovens, aconselhou companheiros. Foi preso. Quando voltou a casa, a mesma estava remexida de alto a baixo, a sua mulher tinha os olhos inchados. Lágrimas de desespero, raiva, revolta e dor. O seu homem reanimou-a e as reuniões sucederam-se, as manifestações foram reprimidas, as tipografias encerradas e durante os jogos olímpicos o democrata regressou à prisão. Já não saiu. O mundo indignou-se. Sol de pouca dura. Chão que deu uvas. O outro mundo precisa das calças, camisas, automóveis e todos os géneros de produtos que enchem hipermercados. O prisioneiro voltou à baila. Anunciaram um Nobel para ele. Para ele, nunca. O seu Nobel são as grades. Entregou-se o prémio à cadeira vazia. Viva, à cadeia, perdão minhas senhoras e senhores, à cadeira!
Daqui a pouco, 14.30, mais um texto para o segundo aniversário do 2711. Hoje, um amigo do 2711, um exemplo e o dinamismo em pessoa, João Eduardo Severino do Pau para toda a Obra.
No Sábado, dia 11, o 2711 fez dois anos de actividades. Hoje, visto que continuamos a receber textos em reposta aos convites da festa de aniversário, avança mais um autor. Pelas 14.30, das Crónicas do Rochedo, Carlos Barbosa de Oliveira.
Faz hoje dois anos que o 2711 começou as suas actividades. De inicio era um projecto a solo, demasiado solitário, que aos poucos se foi tornando num excelente colectivo. De todo o balanço que se poderia fazer nesta altura, desde elogios a criticas, passando pela genialidade dos autores do 2711, pelos extraordinários comentadores, que têm a paciência de nos deixarem as suas opiniões, fico-me por um sentido obrigado a todos.
2711 – Um blogue filho da puta
Recebi agora mesmo notícia de assobiar (de estalo queirosiano). Um tal de “combate de blogs” resolveu nomear um dos blogues onde participo [sem link] para blogue revelação do ano. Aparentemente, nada de anormal, dirão. Qualquer coisa ou qualquer realidade (até o obediente Nuno Almeida – às vezes Tito) é livre de nomear o que bem entender para o que bem lhe aprouver. Cliquei no link que a venturosa mensagem me anunciava e acabei por ir dar aqui (coisa grande, de pequeno ecrã). Aparentemente trata-se de um programa do braço noticioso da TVI (olha a ironia), aqueduto onde não boto olhos, que resolveu nomear o blogue onde participo [sem link] para blogue revelação do ano. Denúncias à parte, decidi olhar os nomeados para blogue e blogger do ano. And, surprise-surprise, there’s no surprise. Nada de novo. O mainstream luso-blogueiro impera. Se te dedicas à agricultura ou a sub-fenómenos de terciarização socioeconómica, não tens lá lugar. Há, obviamente, honrosas excepções a este meu discorrer: o 31 da Sarrafada e o Aspirina B, por exemplo – neste último caso, porém, sobrou aos nomeadores tomates para nomearem "o" óbvio Morgada de V. (ideia do Almeida para vontadear um amigalhaço), mas não lhes coube uma uvinha para chamarem o Valupi pelo nome.
Assim acontece (bem sei que o parêntesis foi comprido) com o blogue onde estas linhas são reproduzidas. Se não, vejamos. Os autores deste 2711 são não-seres, existências miúdas. Para além do exíguo Daniel Santos, a quem devo este convite, temos Ana Lima, Blondewithaphd, joshua, João António, manuel gouveia, Nuno Raimundo, Renato Seara e Rui Figueiredo. Tudo pés-rapados, arraia-miúda, populacho. Façam o que fizerem, nunca os veremos nomeados para o que quer que seja em termos de blogaria. Eu próprio, um pé-rapado-de-berço, por aí andaria (ó tristeza minha, que seria um carpir pré-eutanásico), a rapar o vazio tacho da não existência, não tivesse tido a raposia de, diz quem diz que sabe e asssevera quem partilhou e quem não partilhou mesa comigo (o me aproxima da génese de um partido e faz de mim pouco recomendável companhia) de me dedicar à dupla-espionagem, fazendo olhinhos ao poder e ao contra-poder. Isto, sem contar com a minha radiosa e nariguda beleza acidental, com a qual o pobre do Daniel não pode ombrear.
Em suma, participei no Aspirina B, no famigerado 5dias (o diabo que o carregue mais quem me convenceu, ele semi-ajoelhado, a nele participar) e na jugular. Participei, my bad, no Simplex. A bem ou a mal, lá me aceitaram em todos (claro que exagero – e aqui pauso as ironias –, que o Simplex e a jugular foram também obra minha e o excelente Valupi de hoje, nada tem a ver com o aspirina B de então). E por isso, apenas por isso, a minha aturada sombra é aturada (continuo a fiar-me em quem me recomenda). Claro que também já andei por uma espécie de 2711 de antanho – o afixe, que era aliás o meu nick (entretanto saí do armário) –, e como sou enxertado em corno de cabra, lá cheguei, eu e quem me acompanhava, a número 1 no blogómetro de então (o meu brasão e escudo são a careca, vista de cima, do Pacheco Pereira).
Mas esse não é o ponto. Não escrevo apenas para o Daniel, que por me ir conhecendo, já me percebeu e às minhas zombarias, ironias e remoques. Escrevo também para os leitores deste blogue, que não me conhecem o (mau) feitio. Cadê o 2711? Onde está o Palavrossavrus Rex? Nomeados para o raios que os parta, essa é que é essa (sendo certo que mais vale isso do que o destino que me calhou – nomeado pela TVI). Reduzidos ao lugar de onde dizem que que não passam (sois uns conas se acreditarem). Como algumas vezes já asseverei: indicam-vos o lugar dos blogues filhos-da-puta. Meros bastardos, que não terão nunca lugar no olimpo luso-blogueiro. E, azar dos azares, têm os olhos feios.
Ora termino. Enquanto estive no jugular dei e levei muita porrada desta malta a quem me dirijo e a cujo convite respondo. Aqui lhes lanço a farpa: nunca me vendi, nunca me avançaram com um lanço, não escrevi uma palavra em que, na altura (sublinho, com mágoa, o lugar-tempo), não acreditasse. Uns e outros exagerámos, sendo certo que muitas vezes os censurei (pois se eles tomavam a nuvem por juno).
Sou assim!, e se bem atentarem no espelho, ver-me-ão reflectido. E parabéns pelo aniversário, porra!, que é preciso ter pachorra para aturar esta merda toda. A mim, um dos nomeados da TVI (olaré!) – e também por isso –, já me vai faltando a tesão.
São quase cinco da manhã e amanhã, dia feriado (nem imagino a razão), é dia de trabalho. Por aqui me fico.
Está quase. Amanhã fazemos dois anos de actividades e muito bem. Daqui a pouco, lá pelas 14.30, avança mais um convidado. Num texto com todos os pontos nos ís, virgulas e pontos finais, o Rogério da Costa Pereira dá o nome aos bois.