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Tive,infelizmente, a oportunidade de verificar o sistema de funcionamento do hospital de São Sebastião. Depois de uma triagem, até que bem feita, fui enviado para a zona da Ortopedia e Pequena Cirurgia. Montes de gente: pulseiras amarelas, pulseiras verdes, crianças, idosos, válidos, inválidos, uns a sangrar, outros a descansar, outros a gritar, outros a dormir, gente a queixar-se, gente a conversar, muitos a desesperar, mas todos em cima uns dos outros. Do outro lado da porta, uns a atender, outros a trabalhar, alguns a entender a situação dos doentes e dois a passear. Ao meu lado queixava- se um individuo de pulseira verde que estava ali desde as três da tarde. Olhei para o relógio e eram 9 da noite.
- Desculpe, podia-me colocar outra compressa que esta já está cheia de sangue?
- Claro, venha cá - enquanto substitui a compressa, continuou a compreensiva enfermeira - sabe, já devia ter sido atendido, mas não temos aqui nenhum médico disponível.
Não foi muito: esperei 3 horas para ser atendido. Depois, já lá dentro, segui-se um rápido exame:
Primeiro médico: - Pode estar partido.
Dez minutos depois:
Segundo Médico: - Enfermeira coloque Betadine e uma gaze gorda.
- Mas este senhor não tirou raio X? Não é melhor suturar? Parece partido.
- Não, isso é um pouco profundo, mas basta uma gaze.
No final: 18 euros de taxa moderadora.
Depois desta, sai dali com o dedo feito num oito, vou tirar um raio x fora do Hospital e dar razão ao senhor PSD da Assembleia Municipal, que afirma o Hospital de São Sebastião como um paraíso.