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A sua (do português) realização, identificada com a realização do País, deveria ter obtido cumprimento material completo no tempo forte do Império. Porém, este esvaiu-se, nulificando-se, deixando os portugueses ansiosos por se realizarem, como se realizavam os capitães da Índia regressados nababos, levantando casa em Santa Catarina, em Lisboa, como se realizavam os "brasileiros" de "torna-viagem", levantando solar no Minho ou quinta apalaçada nas Beiras e no Alentejo. O português em geral não usufruiu da imensa riqueza proveniente das especiarias, do açúcar, do ouro, do café, das oleaginosas, sempre monopolizadas por fidalgos e funcionários régios ou por parte de aventureiros.
Sentiu que algo que pertencia a Portugal inteiro como país e nação era usufruído apenas pelas elites ligadas ao Estado e sentiu-se incompleto e irrealizado. Assim, por um estado de necessidade, o sebastianismo consiste numa representação mental generalizada, constitutiva da mentalidade de todos os grupos sociais.
Nova Teoria do Sebastianismo, de Miguel Real, D. Quixote, 2013
O sentir do português comum, o que disseram os mais diversos pensadores e filósofos, sustentam o sebastianismo como uma crença mítica. Um discurso alucinatório, nem real, nem ficcional, que, nos dias de hoje, num Portugal humilhado e obrigado uma vez mais a ceder a sua soberania, assume o carácter de refúgio para quem não vê nas suas elites o motor que guinde o país ao nível dos seus parceiros europeus.
leia a minha recensão no Acrítico, leituras dispersas.