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Mais um caso de dupla personagem

por Eduardo Louro, em 02.05.15

 

A greve dos pilotos da TAP lá vai fazendo o seu percurso, os seus estragos - mesmo que pouco passe de um flop - e a sua história, cheia de estórias. Uma delas foi-nos contada pela RTP, e passa-se à volta de uma dupla personagem: o piloto Lino da Silva, que é o consultor financeiro do Sindicato Paulo Rodrigues, a lembrar outras estórias, também de viagens e aviões, em que o árbitro Carlos Calheiros encarnava o passageiro José Amorim.  

Lino da Silva é um piloto de longo curso que os colegas respeitam.  Paulo Rodrigues é o Lino da Silva que deixa de ser piloto para passar a ser economista e consultor de quem os pilotos desconfiam, e a quem o sindicato paga os serviços a 280 euros por hora. Valor que a direcção do sindicato acha normal, e que só na preparação desta greve já rendeu a um e custou à outra 170 mil euros.  

Paulo Rodrigues não é sindicalizado, mas os pilotos sentem-no dono do sindicato. A direcção garante que não, que ele só faz as contas que lhe manda fazer. Mas acha justo o preço de 280 euros por hora para simplesmente lhe fazeram as contas que lhe entende mandar fazer.

Diz ainda a direcção que a contratação dos serviços do consultor/piloto constava do programa eleitoral da candidatura.  Acha que isso lhe legitima a decisão, sem perceber que mais aprofunda ainda a suspeita.

Às vezes, e quase sem darmos por isso, lá vão aparecendo umas pontas das cordas do enforcamento colectivo a que este país foi condenado

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9 comentários

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De João António a 02.05.2015 às 13:20

Um dia a verdade sobre os golpes sindicais também virá ao de cima, esperamos que ainda na nossa geração .
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De Eduardo Louro a 03.05.2015 às 14:38

Esperemos que sim...
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De Costa a 05.05.2015 às 00:24

Não deixa de ser curiosa esta nacional indignação suscitada pela remuneração de um consultor de um sindicato (já as somas escabrosas que campeiam pelo mundo do futebol apenas causam benévola admiração ou invejosas fantasias). Curiosa, mas nada surpreendente, entenda-se. Mas trata-se aqui de um acordo envolvendo um especialista e uma entidade privada. Privada.

Já as decisões de gestão que levaram a TAP onde está, tomadas ao longo de anos e anos, e evidentemente implicando na sua tomada a tutela (por exemplo, um desastre como a compra da VEM não se concebe sem o beneplácito - ou mesmo instrução - superior; ou quem foram e como foram responsabilizados aqueles que no Verão de 2014 abriram rotas sem frota e sem tripulantes em número suficiente para as voar) são ocasionalmente apontadas, a medo, por um ou outro prosador, mas logo se seguindo, claro, a mandatória e politicamente correcta condenação dos pilotos.

Ou seja, os (gigantescos) prejuízos são uma fatalidade com a qual há que viver sem levantar uma questão, sangrando infindavelmente a Companhia; mas os pilotos são, parece, com igual convicção tomados como uns loucos insaciáveis que querem nada menos do que rebentar com a empresa.

E o preço que de livre vontade acordam com um técnico, esse sim, é que é um escândalo nacional.

Deve estar tudo muito bem assim.

Costa

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De Eduardo Louro a 05.05.2015 às 11:20

É capaz de ter razão em tudo o que diz. Mas... Se acha normal uma pessoa apresentar-se com dois nomes. Se acha normal ser piloto (se calhar de dia) e consultor financeiro do seu sindicato (se calhar à noite). Se acha normal aquele preço/hora. E se acha normal que uma lista de candidatura ao sindicato inclua no seu manifesto a contratação ad nominem deste consultor. Se acha tudo isto normal, desculpe que lhe diga mas, então para si, tudo é normal. Até "as decisões de gestão que levaram a TAP onde está". E, assim sendo, é o caro leitor que está a dizer que tudo não passa de uma fatalidade.
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De Costa a 05.05.2015 às 15:43

O que não acho normal é esta passividade - comprometida (do estado e seus agentes) e embrutecida (do povo, de quem os pilotos nunca terão apreço, a não ser nos dez minutos, talvez, seguintes a um voo de meteorologia complicada; quanto aos mais, os pilotos sempre serão tomados como um bando de meninos mimados, pagos principescamente para andar de avião, como se sabe uma actividade eminentemente ociosa, dormir em hotéis de luxo em paragens exóticas e manter uma vida pelo menos moralmente discutível com o restante pessoal de voo) - perante a gestão francamente discutível, para ser gentil, que parece ter imperado na TAP.

E aqui, no caso da TAP (que não no caso do sindicato dos pilotos da aviação civil), está em causa o estado, como accionista único de uma grande empresa.

Discutem-se, rasgando as vestes, umas centenas de milhares de euros, entre um economista e um sindicato, e convenientemente esquecem-se largas centenas de milhões de euros de passivo de uma empresa que integra o sector empresarial do estado, esses sim bem capazes de pôr em risco um bons milhares de empregos.

Nunca - nunca, há que o reconhecer - uma greve (ou o simples descontentamento público) de profissionais como os pilotos de linha aérea, merecerá as simpatias de um povo cuja mediania está, para nossa desgraça colectiva, na muito respeitável D. Balbina que vive miseravelmente na Brandoa - ou no Laranjeiro, ou onde for - com uma pensão de trezentos euros e um marido inválido. Nem as simpatias da D. Balbina nem as dos (des)governante que precisam do seu voto, necessitam de um povo embrutecido e só o são - (des)governantes - porque imperam sobre um povo estupidificado.

Pretender conquistar a simpatia das massas é uma utopia a que, creio, os pilotos não cederão, por absoluta inutilidade e impossibilidade de tal objectivo. Mas que pessoas com alguma instrução, habituadas, presumo, a interpretar e filtrar informação e, enfim, dotadas de um mínimo de "mundo", tenham o comportamento demagógico, populista e básico que estão a ter, de branqueamento da acção reiteradamente deletéria de gente com elevadas responsabilidades públicas e empresariais, isso sim, meu caro, isso é que - chamando a mim as suas palavras - é uma fatalidade.

Costa
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De Marquês Barão a 05.05.2015 às 10:13

O que diz o fisco sendo dois nomes distintos para a mesma pessoa?
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De Eduardo Louro a 05.05.2015 às 11:07

O fisco não se deixa ir em nomes. Basta-lhe o número!
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De Marquês Barão a 05.05.2015 às 11:25

Numero de circo?
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De Eduardo Louro a 05.05.2015 às 21:58

De contribuinte... De contribuinte...

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