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Como sabem...

por Eduardo Louro, em 28.10.15

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Alvo de críticas de todo o lado, interna e externamente - especialmente aí, arrasado pela imprensa internacional, que chega até a recuperar a imagem da Península Ibérica das ditaduras de Salazer e Franco -, isolado e renegado até pelos mais fiéis seguidores, Cavaco vem dizer que não se arrepende "de uma única linha do que disse". 

Não deixa ninguém surpreendido. Toda a gente sabe que não se arrepende de coisa nenhuma, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, como é próprio dos homens providenciais que sempre quis fazer crer que era.

Mas quando diz que "Como sabem nunca tive nem tenho qualquer interesse pessoal, desde o primeiro dia do meu mandato, até ao último dia do meu mandato guiar-me-ei sempre, sempre, sempre pelo superior interesse nacional", fica imperdoável.

Não que a narrativa tenha alguma novidade, é velha de mais e é a cara do sujeito. Estamos todos carecas de saber que, sempre escondido atrás do interesse nacional, não dá um único passo sem saber se é bom ou mau para o seu umbigo. Estamos todos fartinhos de saber que o político no activo que mais tempo de vida política leva, que há trinta e tal anos não faz outra coisa que não carreira política, não é político. Mas está acima deles, e abomina-os. Sabemos todos muito bem que ainda está para nascer alguém mais sério, mesmo que do seu lastro tenham saído muitos dos intérpretes dos maiores crimes de colarinho branco que o país conheceu. Todos - repito, todos - impunes!

Apenas porque quer fazer de nós testemunhas forçadas da sua narrativa. Já não se limita a repeti-la até á exaustão, vai mais longe. Já passou a fase da mentira que por tão repetida passa a verdade. Depois de tão repetida, a sua narrativa já não é apenas verdadeira, é indesmentível, sobejamente confirmada, e amplamente testemunhada.  "Como sabem". Como sabemos...

 

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