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Tal como nos sai na rifa, o PEC português entretanto segregado pelo grave Governo presidido pelo ainda mais grave e honesto Primadonna, corresponde à máxima imbecilização do cidadão. Ele imputa ao pobre contribuinte — faz recair de múltiplas formas sobre ele —, todas as responsabilidades pela manutenção intacta de um Estado Corrompido, Decadente, Danoso, Irremediavelmente Empobrecedor das inermes pessoas. O PEC é o culminar do Pacto-Que-Conta: esse entre os estômagos da partidocracia e dos que escarram nos portugueses. Amanham-se bem os apaniguados do PS e de um certo PSD convenientemente mexicanizado para melhor se associar à decorrente vampirização dos recursos. Nada mais caro nem mais trágico para todos. Símbolo absoluto do Regime, pelo seu lado, alegre e vaporoso, é o magnífico imbecil reluzente que nunca se manca. Ele segue com o seu programa pessoal de poder. O seu grupúsculo de ávidos medra intacto. É com a felicidade estampada no rosto que vemos tal sexymbecil enterrar Portugal, paz à sua alma. Sim, porque Nada, País Nenhum, merece outro destino senão ficar em segundo plano diante da excelsa prioridade, do brilho excelso que dimana de esse rosto laroca, amabilíssimo, supremo fornecedor de emoções vibratórias às matronas das feiras. Ele representa a suprema goleada do Regime ao destino insustentável português. Vaidade Pessoal do Primadonna 7 — Portugal 0.
Mesmo contrariando aqui a ala Monárquica do 2711, que defende restauração da monarquia em Portugal, estou cada vez mais convencido que o problema não é do regime, mas sim das pessoas que o controlam... quer dizer, que não o controlam, ou seja os portugueses.
Além disso, como todos sabemos, isso de participar, opinar, dar ideias, mostrar soluções, dá muito trabalho.
Ainda por cima com este frio...
Há muito, muito tempo, Mário Soares inventou o direito à indignação, coitado. Era um direito selectivo e ainda é. Não abrange as porcarias do seu partido, da maçonaria, dos estelionatários do Regime. Só as outras. Hoje urge o direito à resistência. Resistir a quem? A Pinto Monteiro. A Vitor Constâncio. A Sócrates. Ao PS e ao PSD. Resistir como? Escrevendo. Exigindo. Babando e chorando, de modo incansável. Não podemos confiar Portugal a quem o serve mal e sobretudo porcamente. Não podemos confiar Portugal a quem o tem castrado e amarrado e silenciado, anaconda em abraço mortífero progressivo. Quem se resignar com isto não é Português nem ama Portugal. Bem vistas as coisas, o Regime está em estado terminal. Só um referendo ao Regime, inquirindo da restauração da Monarquia, clarificará os sentimentos e as inquietações dos portugueses perante o lodo escorrente. A tal iniciativa, a covardia dos interesses instalados objecta o que pode e obsta o quanto pode: «Há demasiada gente que, para salvar e ampliar a sua fortuna, para fugir a um embaraço, a um apuro, ou até por simples baixeza, adoração instintiva da força, venderia Portugal e o género humano, se é que os não venderam já.»
Estamos pois perante uma crise de regime. O governo pouco ou nada ouve os governados, legislando à força da maioria como se não vivêssemos em democracia mas sim à sombra de um despotismo iluminado. O parlamento raramente gera leis e quando as gera, surgem repletas de buracos e incorrecções, é no geral constituído por gente carreirista que assume os lugares não por prestigio técnico ou politico, muito menos por serviços prestados ao estado democrático mas sim como recompensa partidária. O poder judicial está no estado que todos conhecemos, corporativo, pesado, refém do seu próprio tempo, imobilista e dividido em castas. A Presidência da Republica (recordo a quem não saiba que o Presidente se chama Cavaco Silva) surge cada vez mais como força de bloqueio (a ironia em politica é um escape saudável) estando ao que parece, pelo que afirma e muito pelo que cala, ao serviço dos desígnios de um partido politico, aquele de que o Presidente é oriundo (poderia corrigir e concretizar. Ao serviço não do PSD mas da facção cavaquista que actualmente o domina). O 4º poder está refém das vendas que realiza, das primeiras página que dão o eurozito mas que esmiuçadas no interior, ou se revelam montanhas a parir ratos ou então noticias baseadas em fontes anónimas que mais parecem invenções encomendadas para aumentar tiragens ou para satisfazer os desígnios dos proprietários (desígnios ora políticos ora empresariais).
O eleitor está só, conta consigo mesmo e é impulsionado a votar com o coração (muitas vezes mau conselheiro), com os olhos (demasiados assessores de imagem a velar as imagens ou a trabalha-las no photoshop) ou a exprimir protesto através de um papel introduzido num caixote a que muito apropriadamente se chama urna. O elo mais fraco está provavelmente desempregado, vive de expedientes, recorre a cunhas, vê novelas, bebe bejecas e joga à sueca, chama corruptos e ladrões a todos os políticos e não tem sequer o conhecimento cultural mínimo que lhe permita aperceber-se da camisa de forças em que está metido.
Definitivamente, os tempos vão maus.
Promoções sem conta, com muito peso financeiro e inteira desmesura em face da miséria predominante de milhões de excluídos, só na República Bananária do costume.