Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Aumento de Impostos

por Renato Seara, em 13.05.10

Com os portugueses momentaneamente distraídos devido à visita Papal, PS e PSD acordaram (mais) uma subida de impostos, por forma a baixarem o défice para os 7%, já em 2010. Mais uma vez os dois principais partidos, optam não por actuar do lado da despesa, mas sim, do lado das receitas. Nada de novo, portanto.

 

Para lá do positivo, mas muito demagógico e insignificativo, corte nos salários de gestores públicos e políticos, eu não concordo com grande parte das medidas que serão impostas pelo executivo, já que as mesmas sufocarão ainda mais as tesourarias das PME's, bem como vão estrangular ainda mais a classe média, algo que terá reflexos a nível de consumo. Não me parece que o combate ao desemprego (que eu penso que deveria ser uma das prioridades de qualquer executivo que governe um país com uma taxa de dois dígitos) se faça sobrecarregando, aqueles que mais contribuem para a sua diminuição, as PME's. Por seu lado, as grandes empresas e a Banca, escapam quase incólumes a mais esta subida de impostos, algo que para mim é inaceitável. Até quando o sector bancário português, com lucros significativos no primeiro trimestre deste ano, vai continuar a gozar dos privilégios fiscais de que ainda hoje goza?

 

Não compreendo também, o porquê do Governo, que se propõe a aplicar todas estas medidas de austeridade, insistir na construção de um TGV, que, como referi num post atrás, não faz qualquer sentido ser construído nos actuais moldes. A poupança seria certamente significativa, bem mais do que os 300 milhões de euros (mais coisa menos coisa) que o Estado irá lucrar com o aumento do IVA. Aliás como refiro no início do presente post, não se vislumbram grandes medidas ao nível da redução de despesa do "monstro" Estado. Nada de "incomodar" as centenas de parasitas que gravitam em torno do monstro, não tivesse grande parte deles o cartão de militante dos dois partidos.

 

Acima de tudo, este pacote revela, mais uma vez, a falta de coragem e de "rasgo" da classe politica, que, invariavelmente, fazem pagar pelos seus erros, os do costume, aqueles que ocupam hierarquicamente os estratos mais baixos da pirâmide social.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Menos dois passos...

por Renato Seara, em 08.05.10

José Sócrates decidiu, finalmente, interromper, a "gloriosa" caminhada do país rumo ao abismo financeiro e económico. Pressionado (não tenho grandes dúvidas quanto a isso) por um dos poucos bons ministros do actual executivo, Teixeira dos Santos (que recentemente questionou publicamente o timing de todos os grandes investimentos) e por alguns líderes europeus, Sócrates deixou pelo menos cair, (adiando), a megalómana ideia de contruir um novo aeroporto internacional.

 

No entanto encontro algumas incongruências neste anúncio do Primeiro Ministro. Acho estranho este adiamento da construção da terceira travessia, quando ao mesmo tempo se dá ordem para avançar a todo o vapor com a construção da linha de TGV, entre Lisboa e Madrid. Assim, nos actuais moldes a linha será entre o Poceirão e Madrid. Só que do Poceirão a Lisboa ainda distam vários quilómetros(!!). Sendo a linha de TGV, unicamente e erradamente, dedicada ao transporte de passageiros, não me parece que faça grande sentido avançar com o TGV, ao mesmo tempo que se adia a construção da ponte. Não me parece que sejam muitos os que vão optar por ir de Lisboa a Madrid de TGV, sabendo de antemão que têm que "apanhar" o TGV no Poceirão, ao passo da comodidade que lhes é garantida pelo facto de apanharem o avião dentro da própria cidade.

 

O adiamento das três grandes obras era por assim dizer o passo mais natural, no entanto na ânsia de tal como, Guterres e Durão fizeram com os estádios e Cavaco com o CCB, também Sócrates quer ter o seu elefante branco de estimação. No fundo também ele quer ter (erradamente) como legado, não uma boa governação, mas sim, uma grande obra pública, mesmo sabendo de antemão, que a mesma nos actuais moldes, não faz sentido nenhum.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fugiu-lhe a mão para a verdade...

por Renato Seara, em 06.05.10

É um facto irónico, mas, demonstrativo:

 

1) Da falta de critério na escolha dos nomes que se colocam nas listas de deputados. Ricardo Rodrigues, tem um historial que fala por si. Gente com este historial, não deveria ser tida em conta na altura da elaboração das listas para deputados. No entanto, quer PS, quer PSD, não obstante os problemas judiciais de alguns dos seus militantes não hesitam na hora de os retribuir com um bom cargo no Parlamento, garantindo a estes, em troca sabe-se lá do quê (mas coisa boa seguramente não é) a preciosa imunidade parlamentar.

 

2) Falta de critério do Partido Socialista que ironicamente, encarregou Ricardo Rodrigues da pasta do combate à corrupção. Aqui erra a direcção nacional do partido, que tem que ser bem mais criteriosa na atribuição das pastas. Com que moral, poderá agora falar Ricardo Rodrigues sobre os assuntos sobre os quais está encarregado de falar?

Ricardo Rodrigues, provou também, que de inteligente nada tem, já que o roubo dos dois gravadores aconteceu no decorrer de uma entrevista gravada em vídeo. Provou, a sua pouca inteligência quando aceitou dar a entrevista à revista do grupo Cofina, que tem uma linha editorial muito próxima da seguida peloCorreio da Manhã, ou seja, sustenta-se na "espectacularidade" e no "show off". Bastava ler algumas entrevistas feitas pela Sábado, para perceber o que o esperava. Não leu, aceitou-a dar sem se preparar convenientemente e acabou por cair não só no ridículo, como eventualmente ainda será acusado pelo furto dos dois gravadores e provavelmente, será afastado da pasta da corrupção (algo que agora mais do que nunca, é absolutamente desejável e imprescindível que aconteça).


Autoria e outros dados (tags, etc)

Presidenciais, Manuel Alegre...

por Renato Seara, em 05.05.10

Manuel Alegre apresentou ontem formalmente a sua candidatura à Presidência da República. Mais do que uma simples apresentação, creio que ontem ficou explicita a ideia que Manuel Alegre contará com o apoio do seu partido, PS.

Manuel Alegre fez um discurso, onde procurou não divergir das linhas de pensamento do actual executivo socialista. Em relação ao seu discurso de à seis anos atrás, ou mesmo em relação ao seu discurso de apresentação informal da candidatura, existiu um claro recuo do candidato, que ontem optou, não por exigir o apoio do partido, mas sim, em garantir esse mesmo apoio.

Não considero este discurso, uma desilusão, sobretudo porque nunca tive grandes ilusões em relação ao deputado poeta. Aprecio Manuel Alegre da mesma maneira que admiro todos aqueles que se bateram contra o antigo regime. No entanto, penso que Alegre, foi um dos que se acomodou em demasia no pós 25 de Abril, sobretudo até meia da década dos 00's.

Não contará certamente com o meu voto, porque não votarei em alguém que defenda a criação de um país ainda mais assimétrico, que é o que vai acontecer com a construção dos elefantes brancos nos arredores da capital. Não votarei em alguém que mostrou total falta de solidariedade para com o único executivo que procurou lutar contra os fortes interesses corporativos de algumas classes privilegiadas deste país (falo nomeadamente de quando o então deputado uniu "a sua voz" à do parasita Mário Nogueira). Não votarei em alguém que desde o 25 de Abril, nada fez mais do que ser politico. Para isso já temos o actual Presidente, o qual também não levará o meu voto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Calaceiros...

por Renato Seara, em 01.05.10

Para Pedro Passos Coelho, Portugal cometeu o erro de ser demasiado calaceiro após a adesão à moeda única. Eu acrescentaria que nós somos mesmo um país de calaceiros resignados, já que nem mesmo quando estamos a ser alvo de saque, nós pensamos em agir. Em qualquer outro país certamente que a intenção de o Governo em levar avante a construção dos elefantes brancos na zona de Lisboa, com a única finalidade de cumprir com aquilo que ficou acordado com quem financiou a campanha eleitoral do PS, seria alvo de grandes manifestações de desagrado. Por cá, os calaceiros nem sequer esboçam a reacção, mesmo sabendo de antemão que vão ser f****** e bem f******.

 

Por cá, infelizmente, só mesmo quando os interesses corporativos e os "direitos adquiridos", de algumas classes privilegiadas deste país, são colocados em causa, é que esses calaceiros se lembram de ir para a rua, exigir aquilo a que não deviam ter direito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Padrinho...

por Renato Seara, em 27.04.10

Não é sobre a fantástica obra cinematográfica assinada por Francis Ford Coppola, de que vou falar, pese embora começar, infelizmente, a achar, que a nomeação dos boi(y)s, normalmente assessores de figuras de proa dos dois maiores partidos portugueses, para importantes cargos em empresas que detém monopólios, obedecer a uma espécie de "lógica mafiosa".

 

Por mais que defendam as extraordinárias aptidões psicotécnicas  do "ladrão de ouro",  a verdade é que ninguém, minimamente normal, tem dúvidas que Rui Pedro Soares, só chegou a onde chegou porque infelizmente em Portugal, melhor do que apresentar um bom currículo, é ter um bom padrinho.

 

Já agora, por falar em padrinhos, vou partilhar uma curiosidade. O Miguel Barbosa, um piloto de Todo Terreno Nacional, desde muito novo teve sempre acesso a óptimos patrocínios (sobretudo por parte da TMN) que lhe garantiram sempre um bom volante, pese embora sempre se ter notado que ao Miguel faltava-lhe algo que os bons pilotos costumam ter, o chamado "Kit de Unhas".  Agora adivinhem lá quem é o pai do Miguel?

 

Que coincidência extraordinária!

Autoria e outros dados (tags, etc)

PT/TVI...

por Renato Seara, em 26.04.10

Manuela Ferreira Leite não disse, hoje na comissão de inquérito ao caso PT/TVI, nada que nós já não soubéssemos, aliás, algo que o próprio José Sócrates, já deu a entender, isto é, informalmente ele tinha conhecimento do negócio, mas, formalmente desconhecia-o, daí que, das duas uma: ou José Sócrates e o Primeiro Ministro não são a mesma pessoa, ou José Sócrates ocultou factos no parlamento, contando uma versão ligeiramente diferente da oficiosa. Eu confesso que acredito mais na segunda alternativa.

 

Contudo, não me parece, como já defendi em posts anteriores, que o facto do PM ter tido antecipadamente conhecimento do negócio e tenha ocultado esse seu conhecimento aos deputados, seja exactamente a mesma coisa que um atentado ao Estado de Direito, já que nenhum facto aponta para que tenha sido por influência directa do PM, que os administradores da TVI, decidiram (como ainda hoje Bernardo Bairrão referiu) suspender aquela espécie de Telejornal (como já referi antes, o administrador que tirou Manuela Moura Guedes da frente do ecrã até merecia ser condecorado, mas isso vá, já são outras histórias).

 

O empolar da situação, serve apenas para entreter aqueles supostos deputados e o pessoal da blogoesfera, porque não acredito, qualquer que seja o resultado desta comissão, que os partidos da oposição avancem com uma moção de censura ao Governo Socialista.

 

A única coisa sobre a qual não tenho a mínima dúvida no meio disto tudo, é que não tivesse o Estado o ridículo poder que lhe é conferido pelas ridículas Golden Share, e talvez não estivéssemos perante mais um triste episódio envolvendo políticos nacionais. Haja vontade para acabar com essa porcaria que só serve para empregar alguns boi(y)s do regime.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Submarinos #2...

por Renato Seara, em 02.04.10

Admiro a coerência do Partido Socialista. Quando a oposição propôs a comissão de inquérito ao caso TVI, o PS, pela voz do seu secretário geral, que por acaso até é, o nosso PM, disse algo como: "A comissão de inquérito é um ato de profunda hipocrisia politica que apenas pretende instrumentalizar a Assembleia da República".

 

No caso dos submarinos o PS, opta, no entanto, por uma postura diferente.

 

Eu confesso que acho estas comissões, das coisas mais aberrantes que podem existir. É que elas não servem para rigorosamente nada. Será que alguém espera confissões por parte dos visados? Mas, será que alguém espera que os visados esclareçam o que quer que seja? É pá deixem isso para o Ministério Público. Até porque, olhando para os resultados das recentes comissões de inquérito, eu diria que, já chega de palhaçada, no circo em que se tornou a Assembleia da República. Alguém ponha ordem na casa, urgentemente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Submarinos...

por Renato Seara, em 01.04.10

Desde 2003 que já pairavam nuvens negras sobre o negócio dos submarinos. Já há muito que se falava num possível favorecimento de uma empresa alemã, em detrimento de outras possíveis interessadas em nos vender o mesmo equipamento.

Sendo coerente com o que sempre defendi no caso Freeport, não me parece que Paulo Portas, Durão Barroso ou qualquer outro responsável politico da altura, devam desde já ser condenados em praça pública por algo que ainda está a ser investigado. Por algo cujos contornos ainda desconhecemos.

 

Confesso que há uns anos atrás, eu estava algo céptico em relação à necessidade que Portugal teria de adquirir, tão caro equipamento. Contudo, agora, discordo apenas da forma pouco clara como o negócio foi feito. Quer queiramos quer não, Portugal tem uma vasta área marítima e como tal deve ter a seu dispor os meios que lhe permitam salvaguardar os seus interesses.

Sócrates e o seu executivo, em caso de provadas as irregularidades, terão motivos para avançar para uma rescisão contratual, mas, espero que o PM não caia no erro, de ao invés de salvaguardar os interesses nacionais negociando com outras empresas o mesmo equipamento, opte por "desviar" o dinheiro para outras áreas (estou a pensar em obras públicas, elefantes brancos, bem mais do agrado dos eleitores e do próprio Sócrates).

Autoria e outros dados (tags, etc)

Directas no PSD...

por Renato Seara, em 26.03.10

Os militantes laranjas foram hoje, chamados às urnas, para escolherem aquele que possivelmente será o próximo primeiro ministro português. Para ser sincero, não prestei grande atenção à campanha eleitoral do partido, já que não simpatizo com a linha ideológica seguida pelas diversas lideranças no pós...Francisco Sá Carneiro!

Aquilo que acabo de dizer (eu que caminho para os meus 24 anos) poderá ter provocado umas valentes gargalhadas em alguns e até perplexidade em outros, dado que quando Francisco Sá Carneiro foi assassinado, eu ainda nem sequer tinha nascido.

Em parte, a minha admiração por Sá Carneiro, deve-se sobretudo porque ele foi o único PM e líder do PSD, que pretendeu de facto, instaurar em Portugal uma social-democracia, um modelo que como comprovam os Estados do Norte da Europa, é aquele que melhor condições de vida e melhor qualidade de vida pode proporcionar aos seus cidadãos.

O Partido Social Democrata português, está longe de poder ser considerado um partido de cariz social democrata. Neste momento, é sim, uma estranha mistura de populismo, conservadorismo e algum neo-liberalismo. Um partido que ao invés de nos oferecer pelo menos a esperança num futuro melhor, representa somente aquilo que de pior tem, neste momento, a nossa democracia... as constantes lutas pelo poder. Um poder que ao invés de servir os cidadãos serve sim, para que os políticos se sirvam dos cidadãos.

 

Não me revejo minimamente em qualquer um dos candidatos, mas, tinha para mim no inicio desta campanha que talvez Pedro Passos Coelho, fosse o homem certo, para ocupar a cadeira nos próximos anos. Jovem, a prometer mudanças de fundo, com ideias aparentemente exequíveis, etc etc. Contudo, passada a campanha e do pouco que vi dos debates entre os candidatos, neste momento estou profundamente convicto, que dos três, Aguiar-Branco é aquele que mais condições reúne para suceder a Ferreira Leite.

Passos Coelho revela, eu diria, um perigoso desconhecimento da realidade portuguesa. É claramente um produto de marketing, nada mais.

Paulo Rangel por sua vez, alia demasiada retórica, a demasiadas incoerências. Foi claramente "desmascarado" por Aguiar-Branco no último debate entre candidatos. Debate onde revelou não possuir as condições necessárias para poder vir a ser um bom PM. Falta-lhe "verticalidade".

José Pedro Aguiar-Branco, não é que seja um politico talentoso (é um dos rostos da asfixia democrática), mas pelo menos, revela um grande sentido de responsabilidade. Revelou que dos três é o único com perfil para o cargo e sobretudo o único que conhece de facto a difícil realidade portuguesa. Daí me parecer que dos três talvez seja o que reúna as condições necessárias para liderar o PSD numa altura tão difícil para o país como esta que estamos a atravessar.

 

Pese todo este texto (que vai demasiado longo), continuo firme na minha convicção que a melhor coisa que poderia acontecer ao país com esta eleição, era que a mesma criasse as condições para que existisse uma cisão no partido. Era óptimo se, o pouco que resta do outrora Partido Social Democrata, não se perdesse por entre populismos e liberalismos que estou em crer jamais serão o caminho para uma efectiva recuperação do país. Pelo menos assim pensava Francisco Sá Carneiro.

Autoria e outros dados (tags, etc)