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Há muito, muito tempo, corria o ano de 1984, foi publicado o 8.º volume da colecção “Uma Aventura”, no caso “Uma Aventura na Escola”. Nessa aventura as gémeas Teresa e Luísa, Pedro, Chico e João, através da imaginação das suas autoras, tentam resolver mais um mistério. É desse livro que se retiram os excertos seguintes:
«— Quem? Mas quem?
— É inacreditável!
— Inconcebível! Sou professora há vinte anos e nunca vi nada parecido!
— Palavra de honra, que não posso imaginar qual foi a ideia!
— Uma coisa assim!
— Quem é que pode ter feito uma coisa destas? Mas quem?
Naquela manhã, parecia que um vento de loucura tinha varrido a escola. Os professores discutiam acaloradamente ao cimo da escada e em grupos, espalhados ao acaso. Os empregados andavam de um lado para o outro, a gesticular, a bramar, a barafustar. Pareciam furiosos e assustados também... Os alunos corriam todos na mesma direcção, chamando os colegas:
— Anda ver!
— Que barraca!
— Quem terá sido?
A balbúrdia era enorme! As gémeas pararam surpreendidas. Que seria aquilo? Já tinha tocado, mas ninguém parecia importar-se, o que lhes dava muito jeito, porque, nessa manhã, o despertador não tinha funcionado e elas vinham com medo de já ter falta. Mas, o que quer que estivesse a provocar aquelas reacções, devia ser bem grave!
— O que é que terá acontecido, ó Luísa?
— Sei lá! Coisa boa é que não foi...
Tentaram perguntar a um colega, mas ele limitou-se a dizer:
— Venham daí, venham...
As gémeas encolheram os ombros e seguiram-no, escada abaixo, curiosas.
— Parece que...
A Teresa parou, estupefacta. Não era para admirar que a escola estivesse naquele desvario!»(...)
«— Isto é espantoso! — murmurou a Luísa, mal acreditando no que via.
— Para quê? Mas para quê? — repetia uma professora ali ao lado.
Realmente, não se entendia a finalidade daquela obra absurda. A escola em peso concentrava-se ali, sem saber o que pensar. Toda a gente discutia o assunto, toda a gente dava palpites, trazendo para a conversa ideias perfeitamente loucas!»(...)
« — Que paródia, Luísa!
— Mas quem é que terá feito uma coisa destas?
— Parece que isso é o que está toda a gente a perguntar!»
Este post tem alguma coisa a ver com este assunto. Mas não acredito que a ministra quisesse transpor para a realidade esta ficção (como ela própria já disse). É que, «Não é intenção acabar imediatamente com os chumbos. Aquilo que eu disse é que nós vamos abrir uma análise profunda da questão e um debate público, naturalmente com os professores, os directores das escolas, com os pais e com a sociedade em geral». Se o objectivo é pôr os chumbos em causa quando esta análise estiver feita... Querem mais ficção que isto?