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Em 1997, quando o país vivia literalmente num mar de rosas, um primeiro ministro (António Guterres) e o seu Governo, alegando o principio da coesão nacional, decidiram construir uma série de auto-estradas sem custos para o utilizador, as designadas SCUT's.
Os empresários e habitantes dessas mesmas regiões, "eufóricos", perante a possibilidade de utilizarem uma auto-estrada, sem que a mesma lhes trouxesse quaisquer custos directos, ignoraram a inclusão de troços das antigas estradas nacionais (EN), no traçado definitivo das novas auto estradas (AE). Exemplo disso mesmo, é a actual A28, ou melhor, o IC1, que liga o Porto a Viana do Castelo, cuja construção implicou a "destruição" de importantes troços da EN13, substituídos entretanto por estradas municipais (EM), que obviamente não têm, as características técnicas adequadas para que se possam considerar alternativas viáveis.
Em 2010, sob o pretexto de medidas do combate ao défice, um outro Governo socialista, procura 13 anos depois "descalçar a bota", "calçada" por Guterres. No entanto o processo tem revelado uma gritante falta de competência dos actuais governantes (não que Guterres fosse mais competente), que tardam em compreender, que a introdução das portagens em algumas destas vias, está impossibilitada, pelo facto de alguns troços destas vias, incluírem troços da antiga via, que deveria agora servir como alternativa.
Os nortenhos, não estão, contrariamente ao que alguns apregoam na comunicação social, contra o principio do utilizador-pagador (na A3, A4, A7 sempre se pagou). Os nortenhos, estão sim, contra o facto de um Governo procurar 13 anos depois, resolver uma trapalhada, pela via da discriminação entre regiões. Os nortenhos não podem nunca aceitar portagens nas actuais SCUT's, sem que antes lhes seja de facto oferecida uma alternativa viável. Os nortenhos não podem, nem devem, aceitar a implementação de tão absurdo modo de pagamento, onde todos sem excepção, são obrigados a possuir um dispositivo identificador (e a pagar 25 € por ele), cedendo assim, os seus dados pessoais (numa clara invasão da privacidade) e tendo a obrigatoriedade de ter conta bancária (lá vão os bancos, mais uma vez e sem que ninguém se incomode muito com isso, "sacar-nos mais uns cobres").
Todo este ruído seria evitável se fossemos Governados, por gente séria. Todo este ruído seria evitado se a oposição ao Governo fosse também ela séria. Mas, quando o líder do maior partido da oposição, muda de opinião a cada dia que passa (tem dias, como o de ontem, em que ele muda duas vezes de opinião), então não podemos de facto esperar, grande coisa da actual classe política, já que uma parte chafurda na imundice moral, a outra chafurda na imundice ideológica.
Mas vá, logo joga a selecção ;).