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Quando Vicente Jorge Silva, em 1994 apelidou a juventude portuguesa, que lutava contra o aumento das propinas, de "geração rasca", certamente jamais pensaria que 16 anos depois o país estivesse a contas com uma geração de jovens que eu catalogaria de "geração perdida".
A minha geração certamente não foi uma grande colheita, contudo, olhando para o que se segue, eu diria que o pior está mesmo para vir. Vem aí uma "geração perdida", jovens que a única coisa que sabem fazer é gastar dinheiro! Uma juventude completamente alheia a valores morais. Uma juventude que se limita a shot's, novelas e compras.
Quando ouço o meu pai falar nos tempos de juventude dele, eu confesso sentir um bocado de inveja. Este sentimento é estranho tendo em conta as dificuldades porque ele passou quando comparadas com as facilidades que me foram concedidas. Mas, tenho de facto inveja de não ter vivido num tempo onde a juventude não se limitava ao consumismo mais primitivo. Tempos onde a juventude tinha outras preocupações para lá das sapatilhas (ténis) de marca, do penteado do Cristiano Ronaldo, das saídas à noite para a discoteca da moda, etc. Eram tempos onde os jovens se juntavam para discutir uma coisa que poucos agora discutem, algo que vem descrito nos dicionários como, ideias. Eram tempos onde a ida à discoteca, ouvir o som de martelos pneumáticos, era substituída pelo bailarico no largo da aldeia ao som dos Bee Gees, Beatles, etc. Eram tempos onde esse novo fenómeno, com nome de desporto, bullying, não existia, porque contrariamente ao que se sucede agora, os jovens de outrora ignoravam as superficialidades, que hoje em dia se tornaram imagem de marca dos adolescentes. Eram tempos onde a juventude ao invés de trancada em casa navegando pelo Hi5 e pelo Facebook, optava por brincadeiras ao ar livre, muito mais saudáveis e bem menos perigosas.
Acima de tudo eram tempos, onde as pessoas realmente não viviam obcecadas com aparências, coisa que agora está insuportavelmente enraizada na minha geração e ainda mais nas que se seguem.
Todo este "paleio", vem a propósito, não só pelas recentes noticias em torno do bullying, mas também porque ainda ontem assisti a um directo no Jornal da Tarde da SIC, que mostrava, jovens acampadas à porta do Pavilhão Atlântico, a guardarem o lugar para assistirem na linha da frente a um concerto que terá lugar no próximo dia...8. Confesso que fiquei escandalizado quando à pergunta do repórter "(...) tiveste autorização dos teus pais?" seguiu-se uma resposta "claro, a minha mãe apoiou-me logo, o meu pai esse não gostou, mas, não interessa, estou aqui"!
Gravem e recordem posteriormente estas minhas palavras: Portugal está a formar gerações de futuros imbecis, ou seja, gerações perdidas. Veremos os custos que isto terá no próprio futuro do país. Não auguro nada de bom.