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«DESCOBRI QUE ESTOU ACABADO»

por joshua, em 13.03.09

Desabafo real impressionante de um desempregado deprimido e revoltado. Sente-se preso político, vítima de escrever de mais e pensar de mais contra a Situação. Sabe que para que a prisão política real não choque a jumentícia população, ela não existe oficialmente mas adopta subtilezas extraordinárias contra certos cidadãos indesejáveis em virtude da sua extrema liberdade de pensar. Em alternativa, a Situação encontrou para ele, que é um de esses tais, um castigo adequado, por ser discreto e matar lentamente — será um desempregado crónico. Se constar no sistema como empregado graças a assomos de humildade e submissão aos termos humilhantes e vexatórios dos contratos, os galfarros do poder situacionista logo enviam emissários para o remeterem novamente para o Desemprego, por exemplo ao fim de um mês de serviço precário para que a frustração e a raiva e a vontade de se desgraçar e suicidar sejam ainda maiores e devastadoras. O Sistema, isto é, a Situação, é dono de tudo e de todos, compra e pratica o lenocínio intelectual de imensas putas-bloggers, e outros emissores de opinião vocal de burros-vozes que não chegam ao Céu, num clorofórmio geral, mas poucos disso se apercebem porque não são inteligentes o suficiente para também eles se reverterem em paranóicos justificadíssimos, como este desempregado crónico, prisioneiro político da indigência que lhe têm a oferecer. Quem não está na merda também não quer saber como é estar claramente na pele de este lúcido, destruído e desorientado desempregado crónico: «Descobri hoje que estou acabado. Sou oitenta mil de repente postos no olho da rua, assim, de um dia para o outro. Sou o grande N vezes despedido. Sou de repente não ter dinheiro para fraldas nem para leite nem para nada e ainda por cima me darem ordens: «Faz isto, vai ali, faz aquilo». Mas por que é que continuo um misericordioso ingénuo?! Alguém a quem nunca passou pela cabeça metralhar os ministradores de essas barreiras e obstáculos à minha sobrevivência e dignificação?! Mas por que teimo em ajudar quem precisa, mesmo com o pouco que alguma vez tive, enquanto tudo e todos me devoram à primeira oportunidade e se riem de que lhes estenda a mão ocasionalmente e aceite o seu dinheiro de merda, a sua roupa sobrante e a sua comiseração masturbatória e seca para comigo?! A esses do Governo que me vigiam, perseguem e me fodem na dignidade ninguém os despede, ninguém lhes bate o pé?! Mesmo o Presidente da República só tem solidariedade, mas não soluções, ó mensagem mansa! As reformas acumuladas por tantos prostitutos da política e dos negócios, bem fraccionadas, matar-me-iam a fome e a raiva bem como à fome, falta e raiva de algumas centenas de outros como eu. Esta miséria é que não! Estes trocos e esta falta colossal, isso é que não! A Crise hoje acabou comigo. Também acabou comigo essa cara de cu que é tanta gente incapaz de compreender o que sinto. Gente que vai morrer e nem o sabe. Foi um prazer pensar que não, que poderia sobreviver e escapar de esta merda chamada Crise e a esses cabrões tecnocratas do governo que não fazem o que podem, só fazem o que não sabem. Limitam-se muitos dos seus defensores assanhados a persequirem quem demonstra ao país os podres e as desumanidades que a governação tem ou a putrefacção ambulante que quase todos eles são no plano moral, na dimensão interpessoal e social. Foi um prazer, de que me hei-de vingar, dar-vos a rir de mim, seus filhos da puta que me lerem isto com olhos diletantes e indiferentes. Sim, já sei, não têm comentários a fazer. Nunca têm comentários a fazer sempre que vos lembro que sois esses crassos filhos da puta, sempre que vos demonstro a vontade que têm em estar sempre zangados com o mensageiro, enquanto cagam na mensagem e se prostram aos pés do Tirano, do Abusador criador e emissor da mensagem assassina. Eu conheço a vossa dor de corno e a abominação miserável interior. Conheço ainda melhor a vossa gaguez espiritual e fraqueza de ânimo. Seja como for, é um facto. Descobri hoje que estou acabado. Que se foda tudo, que se foda o mundo. Que se foda a elegância do Francisco José Viegas e a obediência elegantizante do João Tordo. Descobri que abomino esta merda onde não se pode ser feliz e só se pode ser ou perseguido ou explorado! Que grandes filhos da puta os do Código do Trabalho e toda a corja da legislatura anunciante dos discursos janotas e do Absoluto Oco!». Enfim, quem tiver olhos que leia. Parece que já só faltava uma boa arma com imensas munições para dar sossego a tanta raiva, ódio e cansaço, não vos parece?!

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17 comentários

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De Diogo a 13.03.2009 às 15:18

Parece, e como parece...
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De PALAVROSSAVRVS REX a 13.03.2009 às 15:42

Ao menos não há aqui o 'iludem' das aparências que parecem.

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