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Umas quantas palavrinhas

por Daniel João Santos, em 19.11.09

O Renato, após eu lhe ter solicitado umas palavrinhas sobre o que disse Obama na cara do presidente Chinês, pediu-me umas palavrinhas pelo adiamento do fecho de Guantanamo.

 

Eu percebo, caro Renato, que existe em Portugal um sentimento ultrapassado anti-americano. Para algumas alas do nosso país, já em franca diminuição, faz parte do código genético ser-se contra tudo o que for ou vier dos Estados Unidos.

 

Mesmo que o actual presidente venha de uma área com afinidades desses críticos, não se olha a meios para o ataque. Hoje, aquele que era o mau da fita, o diabo em pessoa, o senhor George Bush, é um herói comparado com Obama, acredito que com direito a poster na parede e tudo.

 

Tudo para chegar à herança que Obama recebeu. O actual presidente Obama está lá desde Janeiro e é sem duvida um refrescar de ideias sobre o papel americano no mundo. Evidentemente que nem sempre avançou pelo caminho certo, teve até agora alguns deslizes, mas depressa retomou o rumo.

 

Em relação a Guantanamo, uma construção abjecta de Bush, é uma situação demasiado pesada para ser resolvida num dia. Para quem não sabe, os detidos estão fora de muitas das leis americanas, leis essas dificultam ao máximo que alguém acusado de terrorismo entre em território americano. Os que deverão ser soltos, não podem regressar aos países de origem, muitos deles serão perseguidos assim que entrarem no seu país natal.

 

Quem os recebe? Portugal e outros, mas que as leis também não os aceitam?

 

Regresso ao início, a herança é pesada e passar uma borracha sobre tudo o que Bush fez e desfez, dando a impressão que nada mudou, só para criticar Obama, não me parece ser a melhor forma de agir.

  

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15 comentários

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De Ferreira-Pinto a 19.11.2009 às 09:35

Criticar Obama por esta ou aquela omissão ou acção não significa que se seja pró George "Dubya" Bush, uma pequena nota de rodapé na História dos EUA que até os Republicanos avançam afanosamente à procura de novas soluções.
Ainda há dias vi uma das herdeiras do homem, Sarah Palin de seu nome, e se esta criticou Obama, nem por isso apoiou o passado. Foi mais do tipo, moita carrasco a ver se o tempo faz esquecer Rumsfeld, Cheney, Rice e afins.

Contudo, e conforme sabes, se é certo que Obama, comparado com o passado, era e é um virar de página, também sempre te disse que via nele uma boa campanha de "marketing" político (muito bem feita, diga-se) que conseguiu, por exemplo, fazer dum senador que conseguiu a proeza de não apresentar um único projecto lei mas ter dois livros sobre a sua vida com a sua assinatura um exemplo de rigor e competência.

E depois tens de admitir que para derrotar McCain (um republicano muito à Esquerda para os padrões dos "elefantes") e Hillary (uma democrata mais à direita), Obama teve de subir a parada e criar um grau de expectativas que ele próprio sabia ser realizável no curto prazo.

Paralelamente têm-lhe faltado os gestos mais audazes que satisfaçam não só a opinião pública, como condicionem efectivamente a acção de estados e governantes.

Quanto à visão duma crítica quase sistemática aos EUA por parte de certos sectores, ela é bem verdade mas essa normalmente resulta de uma visão maniqueísta das coisas.
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De Daniel João Santos a 19.11.2009 às 20:46

não se pode construir as pirâmides num dia, ainda por cima se os blocos que tem de carregar pesam toneladas. Esses blocos são os do anti-americano, das leis de Bush, da imagem deixada por uma governação autoritária e baseada nas armas. Dificilmente se consegue em 10 meses limpar todas as estupidez que foi feita nestes anos do outro senhor. Ninguém é perfeito, Obama é apenas um homem, acredito que com o "calo" as coisas menos bem que fez sejam corrigidas.
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De Paulo Quintela a 19.11.2009 às 10:13

Há aquela frase batida que diz: um homem é ele próprio e a sua circunstância. Volto à diabolização e ao endeusamento, em relação a Obama como em relação a todos os lideres fortes, a tendência é essa. É mais cómodo, dá menos trabalho e como a perfeição é apanágio dos mortos, nunca faltarão razões de critica. Quando Guantanamo encerrar surgirão outros temas de discórdia em relação ao homem mas porque será que esses nunca falam das prisões chinesas ou dos desmandos de Putin, porque não vertem uma palavra sobre Myanmar ou o Darfur, porque se calam em relação à Coreia.

É mais facil apanhar um faccioso do que um coxo.
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De Daniel João Santos a 19.11.2009 às 21:04

"Quando Guantanamo encerrar surgirão outros temas de discórdia em relação ao homem..."

Sem duvida que sim.
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De manuel gouveia a 19.11.2009 às 10:43

A tua simpatia por Obama faria chorar os detidos de Guantánamo... estou certo que estes depois de te lerem até perdoariam a Bush.

Obama é essencialmente o poder do marketing! Mas elogiá-lo de forma inconsequente é uma forma de o limitar na sua acção. Para quê enfrentar os lobbies se já sou o messias?
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De Daniel João Santos a 19.11.2009 às 22:05

e criticá-lo por tudo e por nada, é uma forma de incentivo, suponho.
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De manuel gouveia a 19.11.2009 às 22:10

Não sermos parolos é... agora eu só o critico em relação ao Paquistão e de vez em quando, aos fiéis seguidores, recordo Guantánamo e o embargo a Cuba... mas só para certos repazinhos colocarem os pés no chão...
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De António de Almeida a 19.11.2009 às 10:51

Discordo da tua análise porque teimas em ver tudo a preto e branco, bons e maus. Em primeiro lugar deixa em paz o W. Bush , o homem está no Texas a pastar gado e fazer churrascos. Mas vou rebater algumas ideias que avanças, em primeiro lugar Guantanamo , como deves saber é uma base naval americana em território cubano, apenas foi escolhida por estar fora da jurisdição do US Supreme Court. Em rigor o problema não reside na localização, mas nas práticas de alegadas torturas durante os interrogatórios, e para isso já existe jurisdição nos Tribunais americanos, independentemente do lugar onde ela possa ocorrer, basta recordar-te que já existem condenações por tais práticas em Abu Ghraib . Também não julgues que aqueles prisioneiros são gente recomendável, que não são, é certo que existirão por lá inocentes, mas esses são os que irão ser libertados, foram presos com base em informações erradas e alguma incompetência, isto para te dizer que Guantanamo é uma questão semântica, um símbolo, podes até dizer que os símbolos contam, mas uma vez encerrada a prisão de Guantanamo , que não a base militar, os presos serão transferidos para uma das impenetráveis prisões de alta segurança nos EUA, importa é que não existam práticas de tortura. Por último, mas qual herança pesada de W. Bush? Os americanos não pensam como os europeus, a América é muito mais que NY, Boston ou Chicago. Isto sem precisar de posters de W.Bush, se usasse posters, seriam de Ronald Reagan, para tua informação em 2000 nas primárias do GOP apoiei McCain e só mais tarde W.Bush quando ganhou a Al Gore. Em 2004 permaneci neutral, Kerry não me desagradava, W.Bush não me entusiasmava. Obama gerou demasiadas expectativas, ganhou apoios da esquerda à extrema-direita, prometeu muito a todos, só pode falhar, é impossível cumprir as promessas. Para mais nem tem poder legislativo, o poder do governo federal é limitado, os congressistas são mais que simples yes man, muito diferentes do rebanho que se senta na nossa A.R., cada um com a sua legitimidade, mas por sua conta na defesa do lugar que ocupa.
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De Daniel João Santos a 19.11.2009 às 21:11

Não deixo em paz Bush pela simples razão do rasto que ele deixou no mundo.

Quando falo da herança, falo das guerras que deixou, de Gauntanamo, de Quioto ás urtigas, da força das armas, sempre a mando dos grandes construtores de armas americanos.

"
Em rigor o problema não reside na localização, mas nas práticas de alegadas torturas durante os interrogatórios", autorizadas por Bush.

O problema não é ao anti-americano, o problema é a suposta esquerda de Obama que deixa os críticos portugueses desagradados.

Quando se olhava para os EUA como a pátria do capitalismos, do mercado livre e agora se vê que alguém pretende acabar com domínios de mercado, quando alguém quer um povo mais igual, evidentemente que se fica chateado.


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De manuel gouveia a 19.11.2009 às 22:12

Obama tem feito um bom trabalho a manter e ampliar essas guerras, recordo-te que Bush não bombardeou o Paquistão... no que diz respeito a guerras Bush já está a perder!
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De Renato Seara a 19.11.2009 às 13:42

Caro Daniel, Obama antes de prometer o encerramento de Guantánamo deveria ter-se certificado que tal encerramento era tão simples de realizar como ele achava que era. A verdade é que ele demonstra que não estava assim tão bem documentado como deveria em relação á questão e isso para mim é um dos maiores erros por ele cometido.

Não sou anti-americano, mas confesso que também não sou um dos maiores apreciadores da sua cultura ou forma de estar na vida. Acho sinceramente que Obama não deixará tantas saudades quanto Bill Clinton deixou. Mas, espero estar enganado, porque todos lucraríamos se o mandato dele correspondesse às expectativas criadas por ele. Cmpts
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De Daniel João Santos a 19.11.2009 às 21:15

O anti-americano não te foi dirigido, apenas generalizei baseado na maioria da direita que critica Obama, não por ser americano, mas por estar encostado mais à esquerda.

Não sou um fã da cultura americana, mas sei ver as coisas positivas. O que eu me referi no texto foi o facto de ser necessário olhar-se para Obama e para os EUA por cima da barreira da potencia mundial.

Aquele abraço.
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De manuel gouveia a 19.11.2009 às 22:13

Pois eu prometo ser bonzinho... mas não me digam que é complicado!
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De João António a 19.11.2009 às 18:55

Para quem por vezes parece duvidar do confronto de ideias dos blogs, têm aqui um bom exemplo da capacidade de dialogo do 2711 !
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De Daniel João Santos a 19.11.2009 às 21:16

Sem duvida que sim.

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