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Um efeito colateral, também lendo os outros...

por Eduardo Louro, em 06.01.14

 

 

 

Mário Soares tem sido acusado por alguma imprensa de incontensão verbal, expressão do domínio do politicamente correcto. Fora desse domínio a expressão foi substituída por senilidade, arrogância, sectarismo, e até loucura.

A direita tem sido evidentemente mais cáustica, não lhe perdoando uma, e atirando-lhe directamente ao carácter. Percebeu-se que a esquerda se dividia entre os que reconheciam que o homem tinha ficado xé-xé, a não dizer coisa com coisa, e os que, esquecendo-lhe o passado, lhe aplaudiam o regresso à esquerda, imaginando-o a tirar da gaveta umas coisas que há muitos anos lá tinha metido.    

O que para a direita era uma questão de carácter e de princípios, era para a esquerda perdoável. Perdoável pela idade ou perdoável pelo pragmatismo dos fins justificarem os meios!

Um dos efeitos colaterais da morte de Eusébio, o mais colateral de todos, não tenho dúvidas, foi acabar com esta divisão entre os portugueses. Com as suas absurdas declarações a propósito da morte de Eusébio, Mário Soares acabou com esta divisão e uniu os portugueses. Infelizmente – especialmente para ele - à volta da ideia que dele fazia a direita!

“Num mar de declarações sentidas pela perda de um dos mais marcantes e famosos portugueses do séc. XX, sobressaiu o desastre proferido por Mário Soares, que destacou Eusébio como um "homem de pouca cultura", "que só percebia de futebol" e sobre o qual "não sabia estar doente", embora "soubesse que ele bebia whiskey todos os dias, de manhã e à tarde".

"Traduzindo, para Mário Soares, Eusébio era um bruto ignorante que sabia jogar bem à bola. Era um simples e modesto como compete aos inferiores de classe, e até comia (não almoçava, nem jantava, dadas as maneiras típicas daquela classe) nuns lugares onde ele Mário Soares almoçava e jantava. Agora não passava de um bêbado. E Mário Soares achava que gente daquela estirpe tinha um resistência fisica de um toiro e como tal, whisky de manhã à noite todos os dias não haveria de lhe fazer assim mal"

E torna tudo pior que Soares insulte no meio de outras palavras menos ofensivas e supostamente simpáticas, insultando em tom de quem elogia

Hoje, mesmo que haja quem simplesmente ache, embora defenda mal - muito mal - que “Mário Soares disse o óbvio”, poucos serão os portugueses que lhe desculpam o insulto com a senilidade. Hoje, grande parte dos portugueses acha que o que disse simplesmente “mostra bem o que é o homem”. “Alguém que não consegue conceber…que exista alguém maior que ele”. De “uma snobeira execrável”!

 

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5 comentários

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De João António a 06.01.2014 às 20:50

O meu preconceito a semente figura ficou mais uma vez explicado. Abestenho-me de comentar por respeito ao falecido .
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De Eduardo Louro a 06.01.2014 às 21:05

O homem esforça-se por lhe dar razão...
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De Daniel João Santos a 06.01.2014 às 21:56

bem colocado.
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De Eduardo Louro a 06.01.2014 às 22:09

Mesmo ao cantinho, como os remates do KING. O verdadeiro Rei e não o reizinho que outro gostaria ser...
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De anonimodenome a 07.01.2014 às 00:51

há muitos anos os 'entertainers': os artistas, malabiristas, trovadores, etc.. era isso mesmo e os reis eram os reis (+-brutos,+- cultos uns e outros). Hoje vejo as coisas baralhadas e as pessoas metem nos píncaros da lua, nos 'tops', 'reis', umas pessoas com dotes físicos (melhores ou piores), e/ou canoros,como se algo na sociedade melhorasse com a sua arte. Com Fado, Fátima e Futebol estamos entretidos. Há quem lhes chame 'ópio' do povo. Este governo ainda irá a Fátima pôr umas velinhas e encomendar um fado a preceito para encomendar a alma do rei. O jeito que lhe dá esta distração geral.
Pois para mim nada de novo. Um sr que soube dar umas alegrias ao povo morreu, dava uns chutos na bola bem dados. Bebia, parece que sim. Agora que temos o sistema de valores trocado, temos. Afinal nós pensamos com os pés? Os seres humanos distinguem-se pelo pensamento ou pela habilidade gestual? Os artistas são melhores ou piores enquanto artistas, +-bons como qualquer pessoa, mas p.f. não invertam a ordem de valores. Eu, tal como o Soares, valorizo pouco o futebol. O Soares no entanto é um ingrato porque como político sabe bem qual o papel do futebol e da religião na alienação geral. Há muito poucos benfiquistas que o deixem de ser, idem para os sportinguistas, e dragões, idem para os que se alimentaram na religião desde pequenos. Fica-lhes entranhado, é um vício que lhes impede de pensar claro. Tenho para mim que o futebol serve para lavar muito dinheiro sujo, encobrir negociatas e fomentar o desvio de dinheiros públicos. E nós aplaudimos. Estamos à espera que o Eusébio e Ronaldo nos devolvam o orgulho perdido. Não vamos a lado nenhum assim.
O Espinosa foi chamado o príncipe dos filósofos, de origem lusa, e é para mim um dos expoentes máximos do pensamento humano, aquilo que nos distingue dos animais, e que infelizmente quase não se conhece. Temos escritores fabulosos que desaproveitamos, temos .., temos.., Como eu dizia : não ligo ao futebol, e que admiração que eu tenho por aqueles que elevam o pensamento e a arte a níveis fora do comum. Eu não me admiro por a casa dos segredos ser top de audiências. Faz tudo parte do pacote de embrutecimento a que somos conduzidos. Pois que morram os reis. São todos falsos. À família do falecido Sr. Eusébio os pêsames habituais.

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