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O melhor

por Eduardo Louro, em 01.10.13

A recente vitória de Rui Costa no campeonato do mundo de ciclismo de estrada de que aqui se deu na altura conta – a propósito, aqui fica a pitoresca narração em directo na televisão espanhola  – prestou-se a que se instalasse de imediato uma nova discussão, a que uma certa parte do país dá muita importância: seria ou não já Rui Costa o melhor ciclista português de todos os tempos?

Bem nos lembramos que, ainda há poucas semanas, bastou que Cristiano Ronaldo marcasse três golos em Belfast, e atingir e bater uma velha marca de Eusébio - lograda em bem menor número de jogos, mas não é isso que interessa – para ser aberta idêntica discussão à volta dos dois futebolistas, que foi até levada muito a sério por muita gente. Desde logo pelos adeptos, e em particular pelos chamados notáveis, de Benfica e Sporting, mas também por Luís Figo, certamente sentido – e avisado da velha máxima portuguesa de que “quem não se sente não é filho de boa gente” – por o terem deixado de fora, que decidiu a contenda sentenciando que king só há um: Eusébio e mais nenhum!

Eusébio do ciclismo é, como se sabe, Joaquim Agostinho. O benchmarking de Rui Costa faz-se pois com Joaquim Agostinho que, sendo uma figura tão nacional como Eusébio é, para os adeptos leoninos, o Eusébio do Sporting, o que não deixará de ser irónico à luz da discussão com Cristiano Ronaldo.

São discussões que não fazem sentido, porque não faz sentido comparar o que não tem comparação tal a distância, no tempo e em todas as envolvências que determina, que separa cada realidade.

É uma discussão que - mesmo quando bem conduzida, como os interessados aqui poderão ver - não deixa de ser estúpida. Mas que é muito frequente entre os portugueses, que precisam sempre de encontrar o melhor, o maior… Perdem-se nesses exercícios, sempre condenados à parvoíce, ao disparate, ao non-sense

Quem não se lembra no que deu aquela do maior português?

Não nos preocupamos muito em honrar os verdadeiramente grandes. Nem em admirar sem condições os que dentre nós mais se distinguem. Parece que somos de coração pequeno, com apenas um lugar. Ali não cabe mais que um…

Isto poderá ter alguma coisa a ver com a nossa ancestral inveja, que nos condiciona no reconhecimento valor e mérito aos outros de nós. Se temos tanta dificuldade nisso poupamo-nos e reconhecemos apenas um – o maior!

Mas poderá também ter a ver com o individualismo e o espírito competitivo que se acentuou na sociedade portuguesa, particularmente nos últimos vinte anos. Tem sempre de se encontrar o melhor!

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4 comentários

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De Daniel João Santos a 01.10.2013 às 21:27

porquê sempre só um? Porque não dizermos que temos 20 Eusébios, 20 Ronaldos? Quantos mais melhor. Porque reduzir tudo a um e o resto paisagem?
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De Eduardo Louro a 02.10.2013 às 12:04

Pois. Porquê? Eu avancei com a hipótese da tal inveja e com a do individualismo e do espírito de competição individual.... Mas existirão outras.
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De João Costa a 02.10.2013 às 11:47

De facto a discussão é estúpida, pois estamos a comparar o que não é comparável, senão vejamos, nos anos do Joaquim Agostinho ou Eddy Merckx os ataques surgiam a cerca de 50/70 km da meta, nos anos de Laurent Jalabert ou Miguel Indurain passou-se a atacar a 20/30 km da meta, nos anos de Lance Armstrong ou Marco Pantani era de 10/15 e nos anos de Rui Costa como vimos no Mundial os ataques são nos últimos 2 km, ou vemos no Tour, Giro, Vuelta, o ciclismo passou a ser mais cientifico, temos o exemplo de Tony Martin o vencedor do C.R.I. "Contra Relógio Individual" que até uma placas nos braços usou para para obter mais aerodinâmica. Com isto termino, vamos apreciar os Rui Costas, os Ronaldos pelos feitos que obtém e lembrar os feitos dos Eusébios e Joaquim Agostinhos e deixemos as comparações de parte!
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De Eduardo Louro a 02.10.2013 às 11:57

Exactamente. Nem mais!

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