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Divagações Abrilinas (12)

por Cristina Torrão, em 20.06.13

No Portugal dos cravos, insultava-se de maneira diferente. «Fascista» e «reacionário» passaram a ser os piores insultos, substituindo os «cabrões» e os «filhos da puta».

O conceito de «burguês», como sinónimo de capitalista explorador, também se tornou numa palavra maldita. Tudo o que não fosse a favor do «processo revolucionário em curso», mas também tudo o que lembrasse a direita, o fascismo, o conservadorismo, a ordem antiga, era «burguês», numa deturpação da palavra de origem medieval usada para definir o habitante do «burgo», ou seja, da cidade protegida por muralhas. Que os «burgueses» tenham adquirido conforto na vida, teve a ver com a decadência da nobreza medieval e a expansão do comércio. Ainda hoje, na Alemanha, Bürger é o vocábulo usado para «cidadão». No Portugal do Verão Quente, representava um insulto.

 

 

Imagem: Centro de Documentação 25 de Abril

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2 comentários

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De Daniel João Santos a 20.06.2013 às 21:42

burguês... olha que por aqui continua como insulto.
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De Cristina Torrão a 21.06.2013 às 10:25

Sim, parece que esse "estigma" ficou.
Enfim, não é a primeira vez que uma palavra inofensiva ganha um sentido pejorativo. "Vilão", por exemplo, significava, simplesmente, "habitante da vila", na Idade Média.

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