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Divagações Abrilinas (7)

por Cristina Torrão, em 16.05.13

Não obstante E Depois do Adeus ser considerada uma balada inofensiva, os seus versos encerram muito do espírito do 25 de Abril. Provocaram celeuma em lares familiares, ao referirem uma intimidade entre homem e mulher só aceite dentro do casamento religioso, o único aceite em sociedade e que era indissolúvel, perdurava até à morte de um dos cônjuges.

Mas o parzinho da canção, depois de ter partilhado cama e mesa (principalmente, cama) separava-se, ia cada um para seu lado! Mentes bloqueadas por doses maciças de convenções e preconceitos entravam em curto-circuito.

Depreende-se que a mulher teria abalado, ou seja, a iniciativa de acabar com a relação teria sido dela, enquanto ele reconhece:

 

            Tu te deste em amor

            Eu nada te dei.

 

Estará aqui implícita a ideia de que a mulher já não se contentava em poder dizer que tinha um marido? Que se atrevia a exigir algo em troca? Empenho, interesse, paixão, quiçá, satisfação sexual… Ideias bem revolucionárias, no Portugal ainda salazarista!

 

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