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A propósito da Grândola...

por Cristina Torrão, em 25.02.13

Enquanto ela dormia, os outros marchavam ao encontro do seu objetivo.

Ouviam-se os seus passos.

Uma marcha ecoava na escuridão.

Uma voz ergueu-se:

           

            Grândola, vila morena

            Terra da fraternidade

            O povo é quem mais ordena

            Dentro de ti ó cidade

 

Os soldados libertadores iniciavam a sua marcha e os seus passos serviam de fundo à voz melódica de Zeca Afonso, nessa noite fria, de quarta para quinta-feira:

 

            Em cada esquina um amigo

            Em cada rosto igualdade

            Grândola vila morena

            Terra da fraternidade

 

Uma revolução dificilmente poderia arrancar de forma mais poética.

Talvez isso nos venha da nossa alma moura, a mesma que nos ensinou o que significa a palavra «saudade». Como todas as melodias de cariz alentejano, a Grândola possui aquele inconfundível toque árabe…

 

            À sombra duma azinheira

            Que já não sabia a idade

            Jurei ter por companheira

            Grândola tua vontade

 

Nessa «noite solene», como Salgueiro Maia lhe chamou, transpareceu a nossa alma moura. Como não podia deixar de ser… E mais ninguém enviaria, pelo Natal, de lágrimas nos olhos e de microfone na mão, mensagens pela TV.

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