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A ficção e a realidade

por Ana Lima, em 23.10.12

Todos nós já assistimos a filmes, ou séries, em que as peripécias são tão inverosímeis que acabamos por não aderir ao argumento por nos sentirmos um pouco como se os seus autores estivessem mais interessados em gozar os espectadores do que em construírem uma história interessante, mesmo que meramente lúdica. 

Mas a verdade é que, no nosso dia a dia, vamo-nos deparando com determinadas situações que, mal nos saltam à vista, nos parecem demasiado estapafúrdias para que alguém as possa considerar seriamente. E no entanto...

Pois é, no entanto, contribuindo para que a nossa visão da justiça esteja cada vez mais arredada dos valores que devia defender, assistimos a mais dois episódios do folhetim Isaltino que nos deixam estarrecidos ou, no mínimo, atónitos: depois de, na semana passada, o Ministério Público ter considerado que as decisões dos tribunais já deviam ter sido executadas, eis que justificando, certamente, aquilo que lhe paga o seu constituinte (que não será pouco) o advogado lá conseguiu catar uma falha no processo que poderá fazer com que o presidente da Câmara de Oeiras continue afastado da prisão. 

E pronto! Apesar de não sabermos como vai terminar esta linda história sabemos, pelo menos, que as peripécias dos episódios desta temporada dificilmente serão superadas. Mesmo que contratem os argumentistas de "Prison Break"... Ah, pois, esses é que não fariam mesmo sentido nenhum...

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4 comentários

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De Pedro Barbosa Pinto a 23.10.2012 às 11:06

Há filmes/séries bons e filmes/séries maus, ponto final. Quando deixamos de aderir ao James... ao James Bond!, só como exemplo por ser o supra-sumo cinematográfico das peripécias inverosímeis, é sinal que a criança que nos deveria habitar até à morte nos abandonou. Isso é muito triste porque nos tornamos nuns cinzentões, a um passinho só de desistirmos das nossas lutas.
Quanto ao estarrecedor folhetim Isaltino, como a outros não menos estarrecedores (Duarte Lima, Vale de Azevedo, Dias Loureiro, António Vara, BPN, BPP, UN Independente, Submarinos, Portucale, Casa Pia, etç,etç,etç), o desfecho depende do que o público decidir, ou não, fazer. Como nas novelas, as audiências é que mandam. Infelizmente somos espectadores que parece que gostamos muito do engonhanço e portanto não me admira nada que, como no êxito de bilheteira Freeport, o consagrado final português "NA GAVETA É UM DESCANSO" venha a ser aplicado a todas.
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De Cristina Torrão a 23.10.2012 às 12:36

Só um reparo, caro Pedro: há filmes que sabemos, de antemão, que são fantasias, como o caso de James Bond, por exemplo. Quando assistimos às suas aventuras, estamos conscientes de que serão inverosímeis. Penso que o problema está nos filmes que, em princípio, terão a ver com a vida real, mas que dão tantas voltas ao argumento, que acabam por se tornarem ridículos.
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De Ana Lima a 24.10.2012 às 01:09

Sim, era mais nesse sentido. :)
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De Ana Lima a 24.10.2012 às 01:08

Compreendo o que quer dizer, Pedro. Claro que, mesmo não sendo esses os meus filmes preferidos, eles são importantes e alguns de enorme qualidade. Referia-me, sobretudo, quando escrevi, àqueles filmes e àquelas séries que, à força de quererem arrecadar receitas (objectivo importante, também) ou terem temporadas umas atrás das outras acabam por cair no ridículo (no mesmo sentido do comentário da Cristina).
Em relação aos folhetins sei que há muito por onde escolher e que quase todos tendem a ter o mesmo desfecho. Mas esta questão de Isaltino que acompanho, enquanto munícipe de Oeiras e ex-funcionária da autarquia, desperta-me um interesse acrescido.

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