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O tique do Vasquinho

por manuel gouveia, em 03.02.12

Aludindo à notícia do PÚBLICO que dá conta que o novo presidente do CCB instruiu os serviços internos para não adoptarem o Acordo Ortográfico (AO), António José Seguro perguntou a Passos Coelho se o Governo conhecia esta decisão, que contraria uma orientação em vigor em toda a administração pública.

 

Ainda bem que Vasco Graça Moura não é um fundamentalista católico dos sete costados ou teríamos a fotografia do Papa em todas as salas. Ou a foto do Relvas como protecção de écran em todos os computadores.

 

Estar ao serviço da coisa pública não é ser dono da mesma, não nos permite impor as nossas idiossincrasias... julgo eu.

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7 comentários

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De Diogo a 03.02.2012 às 18:16

Tenho tido muitas discussões com amigos e colegas meus sobre o Acordo Ortográfico. E concordo com ele (o Acordo) por quatro motivos:

Com as novas regras o som das palavras está mais próximo da escrita.

A escrita simplificou-se.

Já existiram reordenamentos ortográficos anteriores. Pode-nos ter afastado do latim, mas aproximou-nos da fonética.

É uma vantagem os portugueses e os brasileiros escreverem da mesma forma. A massa linguística é maior e todos ganham: os leitores e espectadores portugueses e brasileiros.
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De Cristina Torrão a 03.02.2012 às 18:26

Concordo contigo, Manuel. Embora, pessoalmente, ainda não tenha adoptado o AO, ele é uma realidade e sei que, daqui a alguns anos, mais ninguém escreverá pela maneira "antiga". Quer gostemos, quer não. E acho que esta foi uma atitude muito arrogante de Vasco Graça Moura. Que ele desrespeite o acordo a nível pessoal, é uma coisa. Mas obrigar todos os funcionários a tomar a sua opção, mandando apagar dos computadores a actualização do Acordo, é outra, completamente diferente.
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De André Nuno a 03.02.2012 às 21:00

Encontrei na opinião do Luis Menezes Leitão (http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4031137.html) exactamente o que penso sobre esta matéria e que partilho convosco:

"Neste país onde tanta gente abdica das suas convicções, apenas por razões de interesse ou porque o respeitinho é muito bonito, louva-se esta atitude de Vasco Graça Moura. Quando se nomeia alguém com o seu prestígio para um cargo público espera-se que continue a defender aquilo em que acredita e não que se limite a acatar directivas exteriores, por mais disparatadas que elas sejam. O acordo ortográfico é o disparate do século e o facto de estar a ser imposto aos portugueses desta forma demonstra bem a falta de espinha que nos caracteriza como povo. Fico perplexo quando leio no Diário da República palavras como "adoção" que me lembra mais "adoçante" do que "adoptante". Querer abolir consoantes mudas, em certos casos quando nem os brasileiros as suprimiram, implica tornar a ortografia do português europeu mais brasileira do que o próprio Brasil. E já se percebeu que em África ninguém vai seguir esta medida, caindo Portugal no puro ridículo de ficar como uma ortografia que ninguém compreende e mais nenhum país lusófono adopta."

Não diria mais nem melhor.
Um abraço.
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De Daniel João Santos a 03.02.2012 às 21:33

"Rosa das rosas e fror das frores,
dona das donas, senhor das senhores.

Rosa de beldad' e de parecer
e fror d'alegria e de prazer,
dona em mui piadosa seer,
senhor em tolher coitas e doores. "

Isto sim é que eram tempos onde se escrevia português como deve ser.
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De André Nuno a 04.02.2012 às 11:34

Que queres dizer, Daniel?
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De manuel gouveia a 03.02.2012 às 23:59

Meus caros, o que aqui condeno é a atitude quixotesca e de autoritarismo parolo de quem julga que é toda uma instituição que se deve vergar ao seu capricho e não percebe que é ele quem devia de estar ao serviço da instituição.
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De André Nuno a 04.02.2012 às 11:32

Manuel,
percebi o seu ponto de vista. Por esse motivo tentei dizer que quando se escolhe uma personalidade tão vincada e com interesses declarados na matéria como VGM não se pode ficar surpreendido por este não ser domável, ou sequer se recusar a negar o que sempre defendeu.
Manuel esta frontalidade e, para mim, rectidão de VGM merece ser louvada e nada tem de supreendente.

Um abraço.

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