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Propostas gourmet ou o regresso do Estado Novo

por António Ganhão, em 21.12.11

Hoje estive numa livraria de uma dessas cadeias omnipresentes em todos os grandes espaços comerciais.

 

Verifiquei que uma certa editora se especializou em propostas gourmet. Os livros são oferecidos dentro de uma embalagem atractiva com um bónus especial, uma pen com o áudio-livro, uma garrafa de vinho (volta Salazar) ou então uma proposta para toda a família: para o pai, mãe e filho.

 

Teremos mesmo regressado aos tempos do Estado Novo, mas sem novidade? Juntar numa mesma caixa uma proposta para o pai, outra para a mãe e outra para o filho? Naturalmente em graus de cada vez menor exigência cultural. E na embalagem com a garrafa de vinho? Será o livro para ela e o vinho para ele?

 

Alguém me abre uma janela? Este país precisa de ar!

 

Curiosamente, este negócio dos livros, é um negócio de desperdício. Do tipo andar a remexer nos caixotes do lixo, é preciso virar muita porcaria, sujar muito as mãos para encontrar algo que se salve. A maior parte daqueles títulos não vão ser vendidos e acabarão por ser queimados como lixo numa incineradora. Quanto lixo temos de expor para gerar um best-seller? E afinal, o que será o lixo?

 

Ou lixo é apenas aquilo que acaba na incineradora?

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7 comentários

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De Cristina Torrão a 21.12.2011 às 19:19

É um negócio de desperdício, sim, António! Um negócio em que o que menos importa é o conteúdo. Que mais faz um livro ser bom ou mau? A partir do momento em que alguém o compra, o fim foi cumprido.
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De António Ganhão a 21.12.2011 às 22:52

Proponho que ao fim da segunda edição incinerada se incinere também o autor.
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De Daniel João Santos a 21.12.2011 às 21:07

meu caro, o que vende é o nome e não a qualidade do livro.
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De António Ganhão a 21.12.2011 às 22:53

Julgo que uma garrafa de um bom vinho também ajude.
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De du a 22.12.2011 às 10:00

antónio, permite-me levantar aí uma questão prejudicial.

o que é um best-seller? aqueles livros cor de rosa com uma máquina publicitária brutal atrás?

o próprio conceito de qualidade literária está distorcido e os editores (que os há bons) provavelmente ficam num impasse, entre o que gostavam de publicar porque são realmente bons, e aqueles que são maus mas que vendem (porque não se vive de ar)
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De António Ganhão a 22.12.2011 às 10:58

Vender muito não é sinónimo de qualidade, especialmente quando lhe juntamos uma garrafa de vinho...
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De du a 22.12.2011 às 14:01

exactamente.
quantos livros bons temos de queimar para sustentar a merda de best-sellers que temos?

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