por julieta-ferreira, em 06.09.11
Depois de tanto ouvir falar dos estranhos e das repisadas advertências para estar de sobreaviso e se afastar deles, a criança indagou: “Onde moram os estranhos?”
A resposta seria vaga ou nula, como quase sempre que o adulto fala com a criança. Tanta sabedoria e experiência derrubadas de uma assentada, qual pirâmide de blocos que oscila ao mais pequeno
sopro. O adulto não quer perder tempo a pensar.
E a criança, na sua ingenuidade incomodativa, continuou: “Quem são os estranhos?” Sem ter aprendido ainda as regras das conversas dos adultos, insiste em saber se o pai do menino que vive no segundo andar é um estranho. É que a criança nunca o tinha visto e não sabia onde ele morava.
O adulto fez um trejeito de enfado e apressou-se a desviar a atenção da criança para os brinquedos abandonados no meio da sala. O adulto não tem tempo para explicações.
Mais tarde, no jardim, o adulto diz à criança para não falar com aqueles que não conhece. A criança olha em volta tristonho porque não conhece ninguém. Decide aí que jamais irá ser um estranho.
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3 comentários
Na realidade somos estranhos a tentar conhecer os outros.
Enquanto crianças, não falar com estranhos serve para sua própria protecção.
Enquanto adultos parece que essa ideia recalcada vem ao de cima e nos impede de nos "darmos" aos outros. Continuamos, por medo, a refugiarmo-nos nessa protecção.
Mas afinal, temos medo de quê?
Boa pergunta, André! Esse medo foi-nos incutido em criança, pois não é fácil lidar com este tipo de coisas. Publiquei um post sobre isso, com sugestões que li num jornal da Igreja Católica Alemã:
http://andancasmedievais.blogspot.com/2011/04/pedofilia.html