Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Onde moram os estranhos?

por julieta-ferreira, em 06.09.11
Depois de tanto ouvir falar dos estranhos e das repisadas advertências para estar de sobreaviso e se afastar deles, a criança indagou: “Onde moram os estranhos?” A resposta seria vaga ou nula, como quase sempre que o adulto fala com a criança. Tanta sabedoria e experiência derrubadas de uma assentada, qual pirâmide de blocos que oscila ao mais pequeno sopro. O adulto não quer perder tempo a pensar. E a criança, na sua ingenuidade incomodativa, continuou: “Quem são os estranhos?” Sem ter aprendido ainda as regras das conversas dos adultos, insiste em saber se o pai do menino que vive no segundo andar é um estranho. É que a criança nunca o tinha visto e não sabia onde ele morava. O adulto fez um trejeito de enfado e apressou-se a desviar a atenção da criança para os brinquedos abandonados no meio da sala. O adulto não tem tempo para explicações. Mais tarde, no jardim, o adulto diz à criança para não falar com aqueles que não conhece. A criança olha em volta tristonho porque não conhece ninguém. Decide aí que jamais irá ser um estranho.

Autoria e outros dados (tags, etc)


3 comentários

Imagem de perfil

De Daniel João Santos a 06.09.2011 às 14:04

Na realidade somos estranhos a tentar conhecer os outros.
Sem imagem de perfil

De André Couto a 06.09.2011 às 18:23

Enquanto crianças, não falar com estranhos serve para sua própria protecção.
Enquanto adultos parece que essa ideia recalcada vem ao de cima e nos impede de nos "darmos" aos outros. Continuamos, por medo, a refugiarmo-nos nessa protecção.
Mas afinal, temos medo de quê?
Sem imagem de perfil

De Cristina Torrão a 06.09.2011 às 18:33

Boa pergunta, André! Esse medo foi-nos incutido em criança, pois não é fácil lidar com este tipo de coisas. Publiquei um post sobre isso, com sugestões que li num jornal da Igreja Católica Alemã:

http://andancasmedievais.blogspot.com/2011/04/pedofilia.html

Comentar post