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Sem Abrigo...

por Nuno Raimundo, em 21.03.11
Sou mais um "sem-abrigo" na noite.
Um "sem-abrigo" que busca consolo e refúgio da mesquinhez humana andando sem poiso certo.
Um dia aqui, outro dia acolá...
As vicissitudes da vida e alguns actos irreflectidos e imponderados à mistura,
puseram-me nesta situação.
E agora tenho de viver as consequências desses actos irresponsáveis,
da pior maneira possível, na mendicidade.
 
O ser humano quando quer,
 consegue ser maquiavélico e frio ao ponto de virar a cara ao seu "irmão" quando ele mais necessita de ajuda ou abrigo.
As pessoas passam e desviam-se,
como se o ar que respiro lhes fizesse algum mal.
Tento sobreviver diariamente com o que consigo obter através de biscates ou da caridade amiga,
 mas mesmo assim isso é muito pouco.
Mas antes isso que nada, não é?!
Tento arranjar trabalho, mas quem quererá no seu emprego um sem-abrigo?
Ninguém!
 
Para comer e vestir,
o que me vão dando vai servindo,
mas o que me custa mais não ter,
é o que o dinheiro não consegue comprar.
A felicidade.
E essa não se consegue sozinho e desamparado como estou.
Já procurei auxilio e o que obtive foram portas fechadas.
 
Vou vendo o tempo passar vagarosamente à minha frente e para me distrair um pouco,
vou enchendo a mente com lembranças e memórias de outros tempos.
Tempos idos, mas bons;
onde uma mesa farta,
boas roupas e uma cama decente para dormir me acompanhavam.
Mas o tempo não anda para trás e todos nós temos de viver com as consequências dos nossos actos,
seja para o bom como para o mau.
 
Não sei o que será o meu amanhã ou para onde irei...
Deambulo sem caminho definido e vou para onde as minhas pernas me levarem até o cansaço me vencer.
Deito-me onde calha ou onde me deixam pernoitar e abrigar do frio.
Mas não é o rio da noite que me incomoda mais,
é antes o "frio interno" que vai gelando as minhas emoções e sentimentos.
O que de certa forma atenua e anestesia a angústia que sinto em de viver nesta miséria ambulante em que (sobre)vivo.
 
E assim são os meus dias. Dias de miséria e sofrimento que tardam em findar...

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3 comentários

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De manuel gouveia a 21.03.2011 às 13:39

Mendigo errante da felicidade...
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De João António a 21.03.2011 às 19:15

Um retrato nocturno de algumas "almas vivas".
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De Daniel João Santos a 21.03.2011 às 19:29

muito bem, gostei.

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