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...

por Zélia Parreira, em 01.02.11

Dói-me a cabeça. Tenho a casa toda esburacada graças à competência da espécie rara de canalizador que fez a obra de recuperação na minha casa, antes de eu a comprar. As roturas parecem grãos de milho no micro-ondas. Pop, pop, pop.

 

Lavei a louça em alguidares dentro da banheira, porque os senhores que andam aqui a trabalhar fazem todos os dias uma série de truques, antes de saírem, para vedar a água onde há rotura mas permitir que ela passe livre para a casa de banho. Os pratos é que devem ter estranhado, em vez de serem enxaguados com aquele fio preguiçoso que sai da torneira da cozinha, foram submetidos a um duche enérgico de água quase a ferver.

 

Também conseguem deixar-me a canalização da máquina da roupa desimpedida. Primeiro perguntaram se me fazia falta, mas como eu estava de frente para eles, antes que a minha boca se abrisse para dizer "sim, por favor", o pânico de ver o cesto da roupa suja a vomitar por todos os lados tomou conta de mim, e os meus olhos esbugalhados fizeram o resto. "Esteja descansada, nós deixamos-lhe a máquina pronta a funcionar". Abençoados.

 

Está mais que certo que vou ter de substituir o chão. Há buracos em todo o lado. Eu sei que tinha esse projecto em mente, mas eu não me importava de esperar mais uns tempos, a sério! Estou habituada a esperar, não sei porque é que o Destino me faz estas coisas. Decide por mim, atravessa-se no meu caminho e prega-me rasteiras a torto e a direito. Sobretudo quando eu tenho a infeliz idéia de dizer em voz alta que a minha vida já vai entrando nos eixos outra vez. É o pior que posso fazer, já reparei.

 

É por isso que estou a escrever esta ladaínha toda. Para me lamentar. Para ver se o destino tem pena de mim, que sou tão desgraçadinha, e me faz uma surpresa boa. Só para variar...

 

Já disse que me dói a cabeça?

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11 comentários

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De a.marques a 02.02.2011 às 08:46

Senhora D. Zélia Parreira, fui um exagerado ao pensar que nos estava a falar do País. Que dor de cabeça.
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De Zélia Parreira a 02.02.2011 às 09:30

É verdade, tem razão. Estes esquemas de prioridades dentro da nossa cabeça são tramados. Até me esqueci da tralha que anda por aí. Só vejo buracos, buracos...

Realmente, se tivéssemos uma espécie mais razoável de políticos (nem precisavam ser de elite, bastava que fossem assim-assim), em vez desta espécie rara que nos calhou em sorte, talvez não tivéssemos tão esburacados.

Eu, pelo menos, já estou a resolver o meu problema, e até vou ter um chão novo. O País já não pode dizer o mesmo. As embrulhadas vão continuar a aparecer como pipocas e o país está a tornar-se um enorme buraco, com a canalização cheia de fugas que retiram toda a força aos fios de água que chegam às pessoas.

Mas, como pode ver, eu mudei de canalizador. Só se fosse muito estúpida é que continuava com o mesmo. O País insiste...
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De manuel gouveia a 02.02.2011 às 09:41

Excelente crónica. Espero que te doa mais vezes a cabeça, deixa-te inspirada e de prosa aguçada.
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De manuel gouveia a 02.02.2011 às 14:25

Moças do campo! Fazemos-lhes um elogio e pagam-nos desta forma...
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De Zélia Parreira a 02.02.2011 às 14:43

Pronto, era mais isto, enganei-me. Como és sempre tãop crítico, pensei que estavas ou então . Fiquei , mas agora estou .
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De Cristina Torrão a 02.02.2011 às 19:14

É sempre bom desabafar. A situação que está a viver em casa é de deixar qualquer um com, no mínimo, dores de cabeça. Espero que passe depressa. E que o destino passe a ser mais meigo consigo.
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De João António a 02.02.2011 às 19:23

Obras em casa, é uma praga que nunca mais tem fim ...
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De Daniel João Santos a 02.02.2011 às 21:36

isso são obras ou são os confrontos no Egipto?
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De Zélia Parreira a 02.02.2011 às 22:58

Obrigada aos comentadores aí de cima pela solidariedade.

Ah ah, não tinha pensado nisso, boa comparação. Só falta a embaixada para me salvar...

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