Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Uma das lições de ter havido Defensor Moura, uma espécie de insondável peão a fazer de conta que era candidato, foi a importância de raspar o verniz político-biográfico de Cavaco. Surpreende-me destas virgens é que nada haja dizer do esmalte democrático que recobre Sócrates, o qual-esmalte não apenas está raspado com a inútil rebarbadeira da verdade inútil como jaz esbotenado sem consequências de maior como sejam uma demissão liminar, um sentido do pudor, um refreio das pulsões conspiratórias mais reles e subterrâneas. Não há dissidência naquela casa nem se espere que alguém se enxergue devidamente. O Partido Socialista agoniza e cada vez será pior, mas, para os seus, não deixa de ser mais que religião, mais que lealdade canina, mais que acriticismo monolítico. A verdade é que a distância biográfico-política que separa Cavaco de Sócrates, apesar de tudo, e não trazemos aqui o graduador de sonsos, é a mesma que separa Toni Carreira ou Emanuel de Zé Cabra, pelo menos parece que a maioria pensa assim contra o que se lhe vendeu na campanha negrejante.